Share Button

Fazendo jus à era digital, a troca de olhares ficou a cargo das belas fotos do Tinder.

(Vanessa Ferrari) Usado como instrumento para um possível relacionamento, o aplicativo Tinder virou febre entre os jovens solteiros. Focado na aparência dos candidatos e na facilidade para um encontro, é só caprichar nas fotos, inserir sua localidade e curtir o perfil de quem te agrada. E depois, será que é possível garantir um relacionamento sério?

1672215-inline-1-tinder-screen-grey

Quer conhecer alguém que mora perto? Use a geolocalização!

Disponível para Android e IOS, o aplicativo é conectado pelo Facebook permitindo ver os amigos, interesses em comum e, por meio da geolocalização, mostrar os perfis que estão perto de você. Com a possibilidade de gostar ou recusar, o usuário vai garimpando sua rede social e marcando quem ele está interessado.

Para garantir a discrição, a pessoa só saberá que tem alguém a fim dela se a “investida” for recíproca. Caso haja interesse das duas partes, o Tinder as coloca em contato e encoraja o início de uma conversa. O legal é que não tem a situação chata de ser ignorado e gostar de alguém que não se interessou por você.

Mas afinal, qual a intenção de quem usa o Tinder? Logicamente, varia de pessoa para pessoa. Há aqueles que usam o aplicativo pela facilidade de flertar e aqueles que estão em busca de alguém interessante para começar um relacionamento sério.  Alguns têm sorte, outros nem tanto.

Tinder-Android-iOS-app

Se há interesse dos dois lados: “It’s a Match!”, que comece a conquista.

João Carlos (os nomes das pessoas nesta matéria foram alterados por motivos de privacidade) usa o Tinder há quatro meses e admite recorrer ao aplicativo para “pegar geral”: “os usuários estão ali pelo mesmo motivo que eu: estão solteiros, então eu aproveito”, disse. Outra usuária é  Joana, que relutou a aderir ao Tinder por achar que “é coisa de perigueti”.  Ela é publicitária e conta que instalou o Tinder para acompanhar o assunto do momento e, para quebrar todos os preconceitos, mas acabou resultando num belo de um namoro. Além do preconceito com o aplicativo, Joana tinha medo de ser vítima de golpes pela internet. “Apesar das lindas histórias, temos que lembrar que a pessoa pode estar mentindo”.

Em meio a poucos likes surgiu o bate-papo com Thiago. Conversaram por mais de um mês pela internet, se conheceram, descobriram uma afinidade imensa e uma semana depois do primeiro encontro começaram a namorar. Para Joana, não foi por acaso que as coisas aconteceram: “conheci uma pessoa superbacana, temos uma sintonia muito forte. Às vezes acho que foi obra do destino”, conta. O que foi um primeiro encontro cheio de nervosismo já está indo para o quarto mês de namoro.

Foi mais ou menos o que aconteceu com Carla, que começou a usar o aplicativo para se desapegar de um relacionamento recente. Ela lembra que, justo no primeiro encontro, as coisas não foram muito bem. “Na foto ele usava boné e pareceu ser um cara alto, me chamou atenção. Quando o vi pessoalmente, era careca e mais baixo que eu. Nem chegou perto do que parecia”. A experiência a fez desistir do aplicativo.

É comum acontecerem situações parecidas com a de Carla. O App só fornece informações superficiais e as escolhas são feitas pela aparência. De acordo com a Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos (DRCE) do Espírito Santo, toda pessoa que utiliza a internet para relacionamentos está sujeita a situações semelhantes. Segundo a escrivã da Polícia Civil, Bruna Giacomim Mendes de Andrade, ao marcar encontros com pessoas que você nunca viu sempre há riscos, “Como não há meios de saber a veracidade das informações, a medida é preventiva. O internauta deve sempre marcar encontros em local público”.

Algumas dicas podem ajudar para o usuário a não ser vítima de enganações: procurar alguém do seu círculo de amizades, que conheça aquela pessoa em que está interessado(a), onde mora; onde estuda e/ou trabalha; e, se marcar encontros, passar a localização e dados da outra pessoa para amigos e familiares;

O Espírito Santo ainda não registrou denúncias de casos ocasionados por meio do Tinder. “Deixar a foto mais produzida para atrair parceiros não é crime”, frisou a escrivã. O usuário pode denunciar caso a pessoa se passe por outra e cause agressão verbal.

No ano de 2013, o Estado registrou mais de 1800 boletins de ocorrências de crimes de internet. Entre eles, 1023 foram de falsidade ideológica, 318 foram por difamação, 301 por injúria, 75 por calúnia e 146 por ameaça, segundo a escrivã. 

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *