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Muitas são as dificuldades enfrentadas ao cursar o ensino superior, mas alunos como Paulo César, Cristina Klippel e Letícia dos Santos mostram que isso não é empecilho para desistir.

Inglydy Rodrigues e Tamires Mazin –  Alunos de todos os lugares vêm estudar na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Não é para menos, pois esta é a única universidade pública existente no Estado. Entretanto, muitos desses alunos ainda fazem o percurso de suas cidades natais, no interior do Espírito Santo, até a Ufes, todos os dias letivos.

Cristiane Klippel estuda Ciências Contábeis, está no quarto período do curso e mora em Marechal Floriano. Paulo César Ferreira Amâncio é graduando em História, está no oitavo semestre e mora em Domingos Martins. Parece que não, mas existem muitas coisas em comum entre os dois estudantes. Ambos percorrem um longo caminho de suas casas até a universidade.

Por dia, são gastas cerca de quatro horas para ir e voltar da Ufes, e um valor mensal de aproximadamente R$ 500,00 com os quatro ônibus diferentes que pega diariamente. O estudante relata que uma vez gastou mais de cinco horas para chegar em casa. Outro desafio encontrado é referente ao horário de término de sua última aula, que acaba às 18h, quando o último ônibus para sua casa já saiu da rodoviária desde as 19h. Em várias ocasiões já perdeu o meio de transporte, e quando isso acontece ele vai para a casa de familiares, em Viana, ficando lá até o pai buscá-lo, aumentando ainda mais o período gasto no trajeto.

Já Cristiane vai estudar de Topic, que leva vários estudantes para a Ufes e outras faculdades de Vitória. Ela despende um valor de R$ 280,00 mensais, valor muito inferior ao gasto por Paulo, mas, devido a seu curso ser à tarde, ele não tem como utilizar as Topics escolares, que fazem o caminho de ida e volta, pela manhã.

Ambos acabam sendo prejudicados com isso. Cristiane perde parte da aula, pois tem de sair mais cedo para não perder a Topic, e Paulo fica impossibilitado de participar dos projetos que a Universidade oferece. Cristiane diz ser uma desvantagem gastar muito tempo dentro do veículo, o que deixa a viagem cansativa, além de perder muito tempo. Apesar das desvantagens, a estudante de Ciências Contábeis afirma ser bom estar todos os dias no conforto de seu lar.

Paulo também reclama de não ter tempo suficiente para realizar as tarefas que gostaria, como usurfruir mais da biblioteca, conseguir estágios, receber orientações dos professores, contribuir com eventos e até mesmo não ir em eventos da própria turma. Entretanto, apesar de todas essas dificuldade o jovem diz estar acostumado a essa rotina. E, afirma ser uma boa coisa não precisar se preocupar com os gastos de um automóvel, e outras com que se envolveria se não morasse na casa dos pais.

Uma alternativa seria utilizar o auxílio que a universidade oferece por meio da Divisão de Assistência estudantil, que consiste em R$ 200,00 reais mensais para ajudar com gastos de aluguel. Porém, além de ser uma valor pequeno, Cristiane alega que gosta muito do lugar onde mora e não gostaria de se mudar. Paulo afirma que não procurou o auxílio porque seu tempo reduzido não permitiu, e que toda a burocracia envolvida não o incentivou.

O diploma é conquistado depois de muitas lutas e aprendizados.

O diploma é conquistado depois de muitas lutas e aprendizados.

Porém, Letícia dos Santos Rocha, estudante do sétimo período de Pedagogia, originalmente de Piúma, utiliza os auxílios ofertados pela Assistência Estudantil e conta que sem eles teria muitas dificuldades em permanecer na universidade. O gasto mensal dela gira em torno de R$ 700,00 mensais entre aluguel, energia, água e alimentação, isso sem contar os gastos com a própria educação como tirar xerox, comprar livros, e valores destinados a impressões de trabalhos e artigos para leitura.

Além do auxílio-moradia, ela recebe o auxílio-transporte, que é de R$ 59,00, o que não cobre o gasto total com as passagens de ida e volta da Ufes, e o auxílio-material de consumo, de R$ 50,00. Além das ajudas de custo, ela ainda precisa trabalhar ou conseguir uma bolsa em algum projeto de pesquisa e extensão no valor de R$ 360,00 para a ajudar a inteirar com os auxílios que recebe para continuar morando em Vila Velha e frequentando a universidade.

Assistência Estudantil

A Assistência Estudantil é um projeto desenvolvido na UFES, pela Divisão de Assistência Estudantil, pertencente à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e Assistência Estudantil (Progepaes), cujo objetivo é auxiliar a permanência dos estudantes na Universidade para fins de graduação. Todos os estudantes que atenderam aos requisitos mínimos estipulados pelo edital divulgado semestralmente pela Pró-reitoria têm direito a receber os auxílios financeiros e outros, que são auxílio-moradia (R$ 200,00), auxílio-transporte (R$ 59,00), auxílio-material de consumo (R$ 50,00), auxílio-alimentação (desconto de 50% ou 100% na compra do ticket refeição no Restaurante Universitário), empréstimo estendido de livros (no qual o estudante tem direito a utilizar os livros da Biblioteca por até dois meses), além de auxílios relacionados à área da saúde.

Hoje, mais de 3.000 estudantes estão cadastrados no programa, que recebem um total de aproximadamente R$ 600.000,00 mensais em auxílios. Ludmila Nunes, servidora da Divisão de Assistência Estudantil, garante que esses auxílios são importantes para a permanência dos estudantes e para a conclusão do curso de graduação. Contudo, um ponto fraco é que o recurso que o PNAES (Plano Nacional de Assistência Estudantil) oferece à Ufes é insuficiente diante da crescente demanda de estudantes que precisam desses auxílios.

Para saber mais sobre os auxílios acesse: http://www.progepaes.ufes.br/

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