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Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) indicado ao prêmio Digital Humanities Awards: Recognizing Excellence in Digital Humanities.


(Andressa Andrade) Você pode ajudar o Labic a ganhar um prêmio internacional. A votação está aberta ao público até o dia 14 de fevereiro. Clique aqui e ajude o Labic a ganhar seu primeiro prêmio. 

O Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da UFES (Labic) foi indicado ao prêmio internacional Digital Humanities Awards: Recognizing Excellence in Digital Humanities. A categoria que o projeto Cartografar as controvérsias na Internet está concorrendo é Best DH contribution not in the English language (Melhor contribuição em Humanidades Digitais em língua não-inglesa – tradução livre).

Batalha do Vinagre

“Batalha do Vinagre” foi o artigo que rendeu a indicação do projeto ao prêmio. Segundo um dos professores coordenadores do Laboratório, Fábio Malini, este é o primeiro artigo no Brasil que mostra a importância e influência das redes sociais no espalhamento do conteúdo sobre os protestos de 2013 e, talvez, aquele que tenha inaugurado essa abordagem no país.

O artigo foi compartilhado mais de cinco mil vezes no Facebook e no Twitter, citado em diferentes textos teóricos, acadêmicos e traduzido para outros idiomas. “Não é mais um texto só nosso, sabemos que já está com várias apropriações”, compartilha Malini.

A equipe agradece a indicação, que foi feita por pesquisadores e usuários, e promete continuidade no trabalho. “É um reconhecimento ao nosso trabalho, que continua intenso, e visa a socialização de ferramentas de análise de grande volume de dados sobre controvérsias na internet. O Labic está muito feliz”.

Cartografar as controvérsias

Cartografar as controvérsias é um trabalho de pesquisa do que acontece/está sendo falado na rede (internet); é um circuito de cooperação científica entre pesquisadores de redes sociais e cibercultura, que “busca constituir novas abordagens teóricas e empíricas que se debrucem sobre as modalidades de poder e contrapoder que se apresentam na web 2.0, caracterizada pelos ambientes colaborativos e participativos”, segundo o site do Laboratório.

O projeto Cartografar promove pesquisas, missões de docência, realização de eventos, intercâmbios de bolsistas, difusão de conhecimentos em plataformas digitais e publicação de livros.

#VemPraRua

“Controvérsias” vem do fato de que grupos diferentes fazem discursos (ou “memes”) distintos sobre um assunto – são vários pontos de vista sobre o mesmo tema. “Uma coisa que descobrimos, que parece ser algo inédito para quem estuda redes sociais no mundo, é, por exemplo o ‘#VemPraRua’: o fato de existirem 580 mil tweets com a hashtag ‘vemprarua’ não significa que todos estão falando a mesma coisa nem que estejam no mesmo lugar”, esclarece Fábio Malini.

São vários grupos, com subgrupos, que têm perspectivas/pontos de vista diferentes sobre o mesmo assunto. Há grupos que são mobilizadores, outros são mais questionadores, outros, trolladores. Os grupos têm características diferentes, isto é, estruturalmente, no seu desenho, são redes diferentes dentro de uma rede maior que, no caso, é o #vemprarua. A análise é não somente de comunicação, mas sociológica.

O coordenador fala que o grupo não sabia disso tudo e que foram descobrindo na pesquisa aplicada. “É claro que essa descoberta tem um uso potencial enorme, porque compreendemos quem na rede tem um discurso oposto ao nosso ou complementar, como um jogo de alianças.”

Malini afirma que esse resultado é um potencial para a política e para o consumo, pois a vantagem é que, antigamente, gastava-se muito com marketing e pesquisa de mercado, hoje temos isso de maneira mais filtrada e fina do que a velha pesquisa com um grupo focal. “É também uma pesquisa que não tem fim. Você pode criar uma plataforma – que é isso que estamos querendo fazer – e os dados continuam sendo alimentados”, prossegue.

Portanto, a pesquisa prossegue e, assim, os resultados podem ir mudando, uma vez que o fator tempo é um elemento fundamental – a Rede tem comportamentos associados a épocas. “Hoje eu posso não estar muito ligado na internet, mas amanhã posso mudar de opinião e me interessar.  Existe o ponto de vista que é topológico, comunitário, grupal e há o comportamento temporal também. Estamos fazendo um artigo sobre isso.”

Copa do Mundo e Enem

O Labic fechou parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Legislação e Documentos (Inep) para analisar as conversações na rede antes, durante e depois do Enem 2014. “É mais do que um clipping, é um monitoramento de alta inteligência”, Malini afirma.

Os próximos passos do Labic são disponibilizar uma plataforma de monitoramento em tempo real para que os próprios usuários possam observar e acompanhar as conversações durante a Copa do Mundo. O objetivo dessa plataforma é reduzir os intermediários, isto é, a intenção é oferecer ferramentas de análise de inteligência para o povo. A equipe está produzindo artigos e realizando várias pesquisas no momento.

Dados:
Título do projeto em inglês: “Mapping Controversies 2013: The Protests in Brazil”.
Categoria: Best DH contribution not in the English language.

Clique aqui para saber quem está concorrendo ao prêmio

Saiba mais sobre o Labic

Foto: Site Labic

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