Intimidade nas páginas do diário

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[h3]Um hábito milenar, o costume de escrever em diários ainda permanece vivo. [/h3]

(Luiz Zardini Jr.) Mesmo com o avanço da tecnologia e da possibilidade de fazer exatamente o mesmo na internet, muitas pessoas ainda fazem questão de manter o tradicional diário de papel. Experiências pessoais, pensamentos e sentimentos tornam-se confissões que, depois de escritas, podem ser lidas por qualquer pessoa se não forem tomados os devidos cuidados.

Luciana Lima, hoje com 29 anos, escreve diário desde os sete. Ela revela que quando era mais nova, escrevia sobre suas experiências na escola, namorados e situações que vivia em casa. “Hoje escrevo sobre meus problemas pessoais, os desafios que enfrento no trabalho e em casa, na criação dos meus filhos”, disse.

Mesmo tomando o cuidado de manter seus diários bem guardados, ela conta que tem muito medo de que alguém os leia. “Isso já aconteceu comigo. Em situações diferentes, meu pai e meu marido acharam o meu diário e leram o que eu havia escrito. Nas duas vezes, eles leram coisas pessoais que me deixaram muito constrangida”, afirma.

Além disso, Luciana relembra que escrevia com mais frequência quando era mais jovem e, atualmente, escreve pelo menos uma vez por dia. “Durante a minha adolescência eu escrevia pelo menos três vezes por dia. Quando escrevo em meu diário, me sinto livre. É como se eu tivesse um encontro comigo mesma. Quando termino de relatar, sinto que um peso imenso foi retirado de mim”, revela.

A estudante de publicidade e propaganda, Karlla Danielle, de 22 anos, também é uma adepta do registro pessoal diário. “Escrevo desde os meus 11 anos de idade. No início, eu tinha o costume de escrever uma música que traduzisse o que eu estava sentindo em cada dia do ano. Com o tempo, fui gostando da ideia e passei a escrever todos os dias um pequeno resumo do que acontecia no meu dia-a-dia”, lembra.

Karlla admite que nunca teve medo de que alguém lesse seus diários. Inclusive, ela conta que sempre escreveu sabendo que alguém poderia ler depois. “Desde pequena tenho medo de morrer cedo, então encontrei nos diários uma forma de eternizar o que eu penso e deixar para minha família um pouco do que eu vivi e senti e não tive coragem de dizer.”

Ela diz que gosta de analisar o passado pegando os diários antigos que já escreveu. “É legal relembrar o que eu estava vivendo naquela época. Preocupações, amores, amigos e os medos. Acabo aprendendo e dando boas risadas com tudo que leio.”

No último diário que escreveu, Karlla narrou a relação com o namorado. “No começo do nosso relacionamento, namorávamos a distância; eu escrevia pelo menos duas vezes por semana sobre as fases e as brigas. Em uma das vezes em que nos encontramos, dei o diário para ele de presente”, disse.

Mesmo com a possibilidade de escrever diários na internet, Karlla afirma que o hábito de escrever em um diário tradicional é único. “A experiência de desabafo e de aprendizado é muito grande e satisfatória”, assegura.

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