Share Button

Alunos e professor conversavam nas mesinhas em frente ao Centro Tecnológico II, na Ufes, em um sábado de verão e muito sol. É possível observar estudantes com livros e cadernos atentos lendo e escrevendo. O assunto? Varia de acordo com cada discursiva.

Inglydy Rodrigues  – Após ser divulgado os resultados individuais do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que é a primeira fase do vestibular desde 2009,  e realizar a segunda fase, a discursiva, só resta esperar o  resultado final e verificar sua pontuação.

Foi pensando na discursiva da Universidade que vestibulandos e graduandos de vários cursos da Universidade Federal juntavam-se nas tardes de sábado para estudar. Yasmini da Silva Schunk mora em Cariacica e todos os finais de semana antes do vestibular ia à Ufes se preparar para a discursiva e na tentativa de passar no curso de Veterinária. Com apenas 17 anos está convicta de sua futura profissão: “amo lidar com animais”. Yasmin participou de aulas em cursos preparatórios para o Enem e se empenhou muito para conquistar a tão sonhada vaga no curso superior, ela ainda afirma ser importante estudar e aproveitar as oportunidades. O momento agora é de expectativa pelo resultado das provas.

Elioenay de Oliveira Bragança almeja uma vaga no curso de Medicina e não está confiante, apesar de dispor cerca de 80% do seu tempo para estudar fica em dúvida se vai conseguir passar no vestibular. Estudante técnico em Química afirma: “Fiz minha parte, estudei bastante, mas se não for desta vez tento o ano que vem”. Sua família o apoia de todas as formas e uma delas é não deixá-lo trabalhar para que possa estudar. Sobre o tempo investido nos estudos Elioenay acredita que é muito bem aplicado, pois conhecimento nunca é demais. Apesar de separar grande parte da sua disponibilidade para o vestibular, ele ainda arrumava algumas horas para realizar iniciação científica no curso técnico que faz.

Formando no curso Técnico de Edificações, Hanna Hase Mascarelo não escolheu seguir a área de construção civil. “Há alguns anos passei no curso do Senai e fui até o fim, mas sou apaixonada por Medicina”, afirma. Embora pouco confiante, não planeja desistir do seu sonho.

Além do desejo e do esforço para conquistar uma vaga no curso almejado, esses alunos têm muito mais em comum: eles são integrantes do Pas Ufes (Projeto Avançado Ufes). O projeto existe desde 2012, tendo iniciado com 160 alunos da rede pública de ensino e duplicado seu número de participantes atingindo 350 no seu segundo ano de existência, 2013.

Gabriel Tebaldi, aluno de História da Ufes, professor dessa disciplina no curso preparatório e coordenador do projeto afirma que tem enfrentado contratempos  para realizar o Pas Ufes. “A maior dificuldade encarada no último ano foi em relação a ausência do lugar para realização das aulas, depois de muito insistir com a Ufes conseguimos algumas salas no CT”, afirma.

O projeto é desenvolvido por voluntarios. Cerca de 25 graduandos de diversas áreas compõem o quadro administrativo e de professores.  Yure Márcio Soave, 21 anos, quase é confundido com seus alunos na sala de aula. Graduando em Biologia e professor de biologia celular no Pas Ufes, afirma ser preciso administrar bem o tempo para conseguir passar todo o conteúdo. Com uma história de vida bem parecida com a de seus alunos, Yure  vê no projeto a chance de contribuir para a formação desses jovens e retribuir todas as oportunidades que o faz cursar o ensino superior. “Agora na Universidade quero devolver tudo o que recebi”, destaca.

Foto divulgação

Yure vê no Pas Ufes a oportunidade de retribuir tudo o que recebeu.

O estudante do quinto período de Biologia, busca realizar aulas dinâmicas e lúdicas para ajudar os alunos, que já têm um ritmo pesado, a entender melhor o conteúdo. E, com isso aprende também. “Como ainda sou estudante preciso rever e atualizar meus conhecimentos para lecionar, com isso acabo estudando junto com eles. Revejo matérias que não tive muito tempo para estudar e até mesmo algum conteúdo que ficou para trás”, afirma Yure.

Apesar de existir voluntários como Yure dispostos a ajudar, há muitas dificuldades para manter o projeto e uma delas é a ausência de verbas. O único dinheiro que conseguem é com a inscrição do processo seletivo para ingresso no curso, no valor de R$ 5,00 por pessoa. “Esse dinheiro arrecadado é usado para impressão das provas, compra de material como giz, pincel e apagador”, o mínimo para conseguir seguir com o Pas Ufes, afirma Gabriel.

Agora depois de todas as fases do vestibular seria o início de mais um ano letivo do projeto, entretanto, a permanência dele depende se a Ufes vai ou não adotar o método do SISU (Sistema de seleção Unificada) para seleção dos alunos como etapa única. “Caso essa possibilidade se torne realidade a segunda fase do vestibular não existirá, e o PAS UFES, que é voltado para a discursiva, não terá motivos para existir”, afirma o coordenador.

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *