Tratados como gente

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[h3]Animais de estimação recebem cada vez mais atenção e cuidado de seus donos que fazem questão de proporcionar tudo o que existe de melhor para vê-los bonitos e saudáveis[/h3]

(Luiz Zardini Jr.)  Eles são companheiros inseparáveis dos seres humanos e recebem muito carinho, cuidado e atenção de seus donos. Ter um animal de estimação em casa é um costume antigo e cada vez mais comum. Cães e gatos são a preferência da maioria das pessoas, que fazem questão de tratá-los como se fossem gente, sem medir esforços para mantê-los bem cuidados e saudáveis.

Este é o caso da jornalista Raphaela Tavares Rabelo, de 25 anos. A cachoeirense, que atualmente mora na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, é dona da cadelinha Lani, da raça cocker spaniel. A jornalista conta que, quando viu a cachorrinha pela primeira vez, foi amor à primeira vista. “Estava andando em Jardim da Penha e vi uma ninhada em uma pet shop. De todos os filhotes, ela foi a primeira a se aproximar de mim e acabei me apaixonando. Eu morava com a minha mãe na época, e não pensávamos em ter cachorro, mas não consegui resistir. Falei com a minha mãe e no outro dia voltamos lá e compramos a Lani.”

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Raphaela e a cadelinha Lani, da raça cocker spaniel.

Além da cadela, que já está com nove anos de idade, Raphaela e o marido, Claudio Rabelo, têm mais dois gatos, o Peteleco, de quatro anos e o Zifofo, de sete anos. Ela diz não ter ideia de quanto gastam por mês com os animais, mas a maior parte dos gastos vem das despesas com ração, banhos, tosas e consultas veterinárias. “Nossa maior despesa com a saúde da Lani foi quando ela precisou fazer duas cirurgias, ano passado, pois estava com câncer. Ficamos muito preocupados com o estado de saúde dela, mas as cirurgias ocorreram bem e ela está curada. Se ela precisar passar por novos tratamentos, não vamos medir esforços para ajudá-la”, afirma.

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Peteleco e Zifofo.

Apaixonada por gatos, a estudante de Publicidade e Propaganda, Luany Lima do Nascimento, de 22 anos, tem atualmente 13 gatinhos em casa. O primeiro gato ela comprou. Alguns meses depois, deixaram um filhote na porta da casa dela, que foi logo adotado. “Cuidamos com muito carinho e amor. Minha mãe perdeu noites de sono cuidando dela, pois precisava ser amamentada muitas vezes durante o dia”, relembra.

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A cadelinha Lani com roupinha e acessórios.

Os gatinhos que vieram depois são filhotes dos primeiros, que também tiveram filhotes. No total, Luany e a mãe têm 13 gatos em casa e pretendem doar sete, para conseguirem cuidar melhor deles. A estudante também diz que não mede esforços para cuidar bem de seus bichinhos. Ela explica que os gastos que tem, estão relacionados com a compra de ração, areia e vacinas. “Tenho um gasto de cerca de R$ 200 por mês com eles, mas a minha maior despesa vai ser com a castração deles. A castração deles vai sair por quase R$ 2 mil. Eu não meço esforços para cuidar bem deles. Então, o que for necessário gastar eu gasto. Também gosto de agradá-los com petiscos, pois são animais que me fazem bem. Eles merecem ser tratados como filhos”, conta.

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Luany Lima e um de seus 13 gatinhos.

Luany revela também que resolveu ter um gato como animal de estimação na tentativa de vencer a timidez. “Comecei a ter gatos para tratar minha timidez e para tentar ser mais aberta emocionalmente com as pessoas. Eles são ótimos animais para auxiliar nesse processo de terapia.”

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Dois filhotinhos que vivem na casa de Luany.

Os benefícios dessa relação

De acordo com a psicóloga Liliann Fracaroli, a relação entre seres humanos e animais pode trazer inúmeros benefícios para ambos. “Animais proporcionam benefícios como a elevação da autoestima, da empatia, da capacidade de desenvolver habilidades de cuidar do outro, além de liberar neurotransmissores ligados à sensação de bem estar, como a serotonina.”

Mas Liliann também alerta que, em muitos casos, a relação entre seres humanos e animais nasce da compensação de uma perda sofrida. “Muitas pessoas, diante da perda de pais, filhos e cônjuges, ou mesmo do término de um relacionamento, acabam transferindo esses sentimentos para os animais”, afirma.

Sobre o costume cada vez mais comum de ter animais como bichinhos de estimação, Liliann aponta alguns dos possíveis motivos para esse comportamento. “Nesta configuração atual da sociedade, a mulher acaba adiando a maternidade e focando na vida profissional. Também temos muitas pessoas morando sozinhas em função dos estudos e de trabalho. É neste momento em que a  transferência de sentimentos acontece, e o novo bichinho de estimação se torna um membro da família”, explica.

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