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Perda de mando de campo, multas, jogos com portões fechados para torcida, torcidas organizadas suspensa de jogos, perda de pontos nos campeonatos. 

(Samylla Andreão) Era para ser a rodada que definiria os últimos times que representariam o futebol brasileiro na Copa Libertadores da América de 2014 e, também, os dois últimos times rebaixados para a Série B do Brasileirão de 2014. Entretanto, a briga das torcidas no final da tarde de domingo, 8 de dezembro, na Arena Joinville (SC), ficou com a maior parte das manchetes dos jornais. O resultado da partida só se lia depois de alguns parágrafos. A briga televisionada ao vivo pela TV Globo foi de chocar muitos telespectadores.

Esse não foi o único enfrentamento entre torcidas que aconteceu no Campeonato Brasileiro deste ano. Em julho, torcedores do Grêmio entraram em confronto com a polícia durante o jogo contra o Fluminense, em Porto Alegre. No mês seguinte, briga entre vascaínos e corintianos, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Em outubro foi a vez de torcedores do Atlético Paranaense se enfrentaram em jogo contra o Coritiba, no Paraná. No mesmo mês, cruzeirenses brigaram entre si na partida contra o  Atlético Mineiro, no estádio Independência, em Minas Gerais, e no mesmo dia são paulinos e corintianos brigaram no Morumbi. 

As punições nesses casos foram perdas de mando de campo e multas para os clubes. Em jogos de anos anteriores com confusões, torcidas organizadas foram proibidas de entrar nos estádios por um determinado tempo. Pode vir a ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a perda de pontos nos campeonatos a partir de 2014 dos times cujas torcidas se envolvam em confrontos nos estádios em seus jogos.

Para o jornalista esportivo e repórter da Tv Gazeta , Jorge Felix, é preciso identificar e punir os responsáveis e não punir a torcida como um todo. Um membro da Embaixada do Flamengo no Estado que preferiu não se identificar, afirma que proibir a “farda”, como é chamada a vestimenta do torcedor, seria proibir toda a torcida organizada de entrar no estádio, mesmo que todos os seus integrantes estejam lá. “Sem o controle de quem são os torcedores, o que exigiria um cadastro individual, e uma mudança na política de punição, proibir a entrada das organizadas é um erro’, defende.

Quando brigas entre torcidas tomam conta das páginas dos jornais, surgem várias discussões: uma delas é a questão das torcidas organizadas nos estádios de futebol que, na maioria das vezes, ganham ingressos do próprio clube para ir às arquibancadas. Alguns críticos generalizam e alegam que as torcidas organizadas não devem ir ao estádio, pois em sua maioria não é composta de torcedores e sim por pessoas que buscam motivos para tumultuar a partida.Mas há os que defendem a inegável contribuição das organizadas nos estádios, alegando que sem elas o futebol ficaria um pouco sem graça. São as organizadas que puxam o coro dos hinos, o canto das torcidas, que levam bandeiras gigantes ao estádio em homenagem ao clube e a ex-jogadores consagrados.

Na confusão ocorrida na Arena Joinville foi noticiado que 90 guardas particulares faziam a segurança do estádio, que teve 8.979 torcedores pagantes. A Polícia Militar não atuou no interior da arena, pois tinha sido impedida pelo Ministério Público de policiar eventos particulares como era o caso do jogo. A quantidade de guardas foi considerada insuficiente para o número de pagantes.  Para Jorge Félix, “a cultura no Brasil impede que tenha apenas proteção particular e que as torcidas não sejam separadas. Mas se trata de uma competição organizada por federação internacional. Assim, torcedores daqui e de fora do país certamente pensarão antes de ter uma iniciativa que possa colocar em risco a tranquilidade dos jogos”.

Depoimento

Muitas pessoas pensam que as brigas só acontecem dentro dos estádios, mas não é bem assim. Um membro de uma Embaixada no Flamengo no estado relata o que passou fora do estádio do Engenhão-RJ em um dos jogos do Flamengo em 2012:

“Estava eu, minha namorada e vários amigos, já fora do Engenhão, num jogo Fla x Flu, no qual perdemos de 1 x 0, aguardando nosso ônibus para ir embora. Estávamos em umas 40 pessoas. Eu era torcedor da Urubuzada (torcida organizada do Flamengo) e estava com vestimenta da torcida neste momento, junto com algumas pessoas. Alguns policiais pediram a todos nós que ali para nos afastarmos e irmos para a grade, junto ao estádio, pois a Raça Rubro-Negra (maior torcida organizada do Flamengo) iria passar naquele local. Achei estranho, pois não entendia o porque eu teria que me afastar se eu era Flamenguista como eles. Aconteceu que eles vieram em mais ou menos 500 integrantes e onde eles passavam, queriam confusão. Roubaram meu boné da torcida e vários itens de meus colegas, pois esses itens são troféus para eles. Aprendi que toda (torcida) organizada tem alguns pontos nos quais eles respeitam, e um deles é que homem não enfrenta mulher. Em cima desse fato, eu tirei meu agasalho, minha camisa, minha namorada também tirou o que podia, pedi para ela “cortar’ no meio deles, contra o fluxo, e fui atrás dela, torcendo para dar certo. Graças a Deus saímos ilesos e só perdi o boné. Alguns dos meus amigos chegaram a ser agredidos no local”.

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