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Saiba como é viver de música clássica no Espírito Santo e as oportunidades oferecidas para o ramo.

(Vanessa Ferrari) Viver de música é um desafio para muitas pessoas e, se a decisão é a música clássica, a vida se torna ainda mais desafiadora. No Espírito Santo, algumas pessoas que decidiram seguir por esse caminho obtiveram sucesso mas foram obrigados a buscar outro meio para aumentar a renda. A opção, na maioria das vezes, é optar pelo meio acadêmico.

Quando um músico se apresenta a alguém, a pergunta “Você é musico e faz mais o que?” sempre acontece. É raro, no Espírito Santo, profissionais que se dedicam apenas a música, principalmente quando o estilo é erudito. Na maioria dos casos, fazer concertos não é garantia de uma carreira sólida e os músicos fazem uma segunda opção de carreira.

Moacyr Teixeira Neto é músico erudito, professor da Faculdade Estadual de Música do Espírito Santo (Fames) há 21 anos e proprietário da Acordes, escola de música situada em Jardim da Penha, Vitória. Segundo ele, apenas as apresentações não são suficientes para manter um músico.  “Se não fosse a cadeira de professor e a escola particular, a vida seria totalmente diferente. Os concertos são caros e raros”.

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O Theatro Carlos Gomes é palco para diversas apresentações eruditas

Ele conta que na década de 80 as frequentes apresentações do capixaba Mauricio de Oliveira lotavam o Theatro Carlos Gomes, mas depois entramos numa longa fase de desvalorização da música clássica em que as pessoas se importam cada vez menos em conservar valores intelectuais e o culturais. Como professor, Moacyr afirma que a música ainda é para poucos. “É difícil despertar o espírito da profissionalização. Se  fossemos um país que valorizasse a música clássica, teríamos mais alunos motivados que se tornariam ótimos profissionais”. Moacyr ainda destaca a importância de preservar a memória musical no Estado. “Nossas crianças e jovens não ouvem falar dos músicos e dos grandes festivais que aconteceram no País.Apesar de todos os incentivos, temos que incluir música clássica na cultura do Espírito Santo”, defende.

A musicista Gracinha Neves também seguiu carreira na música sendo professora e depois diretora da Fames e, por 35 anos, proprietária da escola de música Centro Musical Villa Lobos. A escola ficava no bairro Praia do Canto, em Vitória, e fechou há quatro anos. Desde então, Gracinha se dedica a organizar concertos e apresentações trazendo grandes nomes da música clássica ao Espírito Santo. “Minha intenção é trazer ótimos profissionais do exterior para que nossos músicos saibam reconhecer a qualidade erudita e se sintam motivados a continuar na carreira”.

Gracinha também acredita que falta mercado para os que querem seguir realizando concertos e é necessário fazer perceber a importância da música clássica. A Lei Federal 5692/71, de Diretrizes e Bases da Educação, estabelece que O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania.”

Para os músicos capixabas, o que falta é o incentivo à música na educação básica. “Como todas as matérias que se destinam à Engenharia, Medicina e ao Direito, por exemplo, também deveria existir aquela que desenvolvesse a música nos alunos”, destaca o professor Moacyr. Para Gracinha, o que falta é um trabalho de incentivo e descoberta do talento. “É preciso despertar o gosto musical na educação básica. Quando ouvir música clássica se tornar um hábito, despertaremos o gosto por ela”.

O Estado tem deficiência para inserir a música clássica no cotidiano das pessoas. A falta de espaço e de agendas de shows inviabiliza a carreira musical erudita. Hoje em dia a música popular não da espaço para a clássica e se expande pela sociedade cobrindo todos os palcos. “Precisamos de mais espaços culturais, de mais apresentações e concertos musicais. Só mostrando a música que as pessoas reconhecerão o valor que ela tem”, ressalta Gracinha.

Sabrina Souza Gomes é aluna de música clássica e, mesmo com as dificuldades, tem o sonho de seguir carreira no Espírito Santo. “É mais complicado ser concertista por isso devo seguir a carreira acadêmica. É meio ilógico, mas as dificuldades me motivam a ficar”.

Oportunidades e Incentivos

Para tentar mudar o atual cenário capixaba, estão sendo executados projetos para incluir a música clássica na vida de cada um e fazer perceber a importância de se criar um mercado amplo para torná-la tradição no Estado.

Um incentivo é o Projeto Orquestras e Violões na Escola, que leva apresentações de corais, bandas e violões para todo o Estado com objetivo de divulgar a música instrumental. O projeto é uma parceria da Fames com a Secretaria Estadual de Educação (Sedu).

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Alunos de escola estadual participam do projeto Cultura na Escola

Outro projeto é o “Cultura na Escola”. A Sedu em parceria com Associação Cultural Ricardina Stamato está levando música clássica para os alunos da rede pública. Neste ano já foram realizados concertos didáticos em 120 escolas estaduais.

Este mês, de 03 a 30 de novembro, o Espírito Santo está sediando o 1º Festival de Música Erudita, que acontece  no Theatro Carlos Gomes. O evento traz operas, concertos e concursos com objetivo de promover o estilo musical no Estado.

Além dos projetos em execução neste ano, o Estado mantém alguns meios para incentivar o fomento da música erudita. São eles:

Fames – Faculdade de Musica do Espírito Santo – oferece cursos de bacharelado e licenciatura, o primeiro com habilitação em instrumento e canto e o segundo com habilitação em educação musical;

Ufes – A Universidade Federal do Espírito Santo também oferece bacharelado e licenciatura em música. Editais de Cultura – Por meio da Secretaria de Cultura, o Governo também oferece editais que financiam viagens e projetos de músicos capixabas;

Leis – Vitória possui a Lei Rubem Braga, Serra a Lei Chico prego, Vila Velha a Lei Cultura e Arte e Cariacica a Lei João Bananeira. Todas incentivam e oferecem apoio a projetos culturais;

Orquestras – O Espírito Santo possui três orquestras sinfônicas: a Orquestra da Fames, Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes) e a Orquestra Camerata Sesi;

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