Dia 20 de novembro – Dia da Consciência Negra

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Olindina Serafim[h3]“O racismo é perverso porque julga a pessoa humana pela cor da pele e pela condição social”[/h3]

(Luiz Zardini Jr.) Olindina Serafim Nascimento, 48 anos, negra. Natural do território Quilombola de São Jorge, no município de São Mateus, ela é uma importante voz do movimento negro no Espírito Santo. Casada com Mário Cézar Nascimento, é mãe de Blenner Serafim Nascimento, de 21 anos, Sanny Serafim Nascimento, de 19 anos e de Sarah Serafim Nascimento, de 11 anos.

Mestre em Educação pela Universidade Federal do Espírito, Olindina é professora e atua na pasta de Direitos Humanos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do governo do Estado. Começou a militar em defesa dos negros ainda durante a juventude e até hoje, dedica-se a promover a identidade e a valorização do negro.

Seguindo o exemplo de seus pais, ela aprendeu a ter orgulho de sua cor e de suas origens. No Dia da Consciência Negra, Olindina relembra os desafios que já enfrentou na vida e sobre como lutou pela defesa de seu povo, que ainda busca por igualdade e respeito.

“Ser mulher negra é um motivo de orgulho para mim. Aprendi com meus pais a lutar pelos meus direitos e a exigir o respeito das pessoas. Ser negro hoje não é nada fácil e exige autoestima e, acima de tudo, coragem para enfrentar o preconceito”, afirma.

De acordo com Olindina, o Dia da Consciência Negra é um momento para comemorar as conquistas já alcançadas e para refletir sobre tudo o que ainda precisa ser feito. Ela lamenta que ainda exista tanto preconceito em nosso país e ressalta que muita coisa precisa mudar. “Ainda há muito a ser feito pelos negros no Brasil. Os jovens negros são os que mais morrem vítimas da violência. E as mulheres negras, mesmo com escolarização elevada, ainda têm salários mais baixos que as mulheres brancas”.

Além disso, ela revela que uma das maneiras que encontrou para obter respeito e reconhecimento foi por meio dos estudos. “Não podemos ser julgados pela cor da pela ou pela condição social. O tom da pele não nos torna inferiores e nós, os negros, precisamos ter consciência disso. Ciente disso passei a me dedicar aos estudos sobre o meu povo, passei a atuar no movimento estudantil durante a faculdade, no movimento negro e na política, para lutar pelos direitos da minha gente. Sou professora e esse é um assunto que sempre discuto com meus alunos”.

Mesmo diante de tantos desafios, Olindina tem esperanças de que o preconceito acabe de vez e que os negros possam ter seus direitos respeitados e seu papel reconhecido na história de nossa nação. “Os negros foram caçados, aprisionados e feitos escravos no Brasil. Nossos antepassados contribuíram com sua força de trabalho para o crescimento e desenvolvimento de nossa nação, porém poucos reconhecem isso. Após o fim da escravidão, fomos deixados de lado sem qualquer tipo de apoio e ainda estamos sofrendo as consequências disso”, lamenta.

Inspirada no líder do movimento negro Zumbi dos Palmares, que morreu lutando pelos direitos de seu povo durante a colonização do Brasil, e em sua esposa Dandara, Olindina espera que as próximas gerações continuem lutando por seus direitos e por respeito. “Levanto todos os dias com a consciência de que tenho o dever de lutar para defender meu povo e viver com dignidade. Não posso deixar que os negros continuem sofrendo pela cor de sua pele”.

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