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Os índices divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento confirmam uma realidade já discutida por especialistas e percebidas em países desenvolvidos: o envelhecimento da população e a falta de nascimentos para repor a mão de obra.

por Izabelly Possatto – Em julho de 2013 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou dados referentes aos 5.565 municípios brasileiros: o atlas do desenvolvimento humano. O material divulgado foi disponibilizado para a população através da internet e apresenta resultados de mais de 180 indicadores sociais.

O Brasil tem atualmente uma população estimada de 201.032.714 habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo dados de 2013. Desse total, o Espírito Santo tem 3.839.363 habitantes, sendo o estado menos populoso da Região Sudeste.

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Apesar disso, quando se trata de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) os indicadores da Grande Vitória apontam bons números para o estado. O Espírito Santo aparece em sétimo lugar geral, com IDH de 0,740, considerado alto. Dos sete municípios que compõem a Grande Vitória (Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana Vila Velha e Vitória), apenas Viana, na 39˚ posição, pode ser classificado contendo um índice médio. Vitória destaca-se por ter o segundo melhor IDH municipal brasileiro e ser a segunda melhor capital para se morar de acordo com os dados da pesquisa; e Vila Velha também figura entre as 50 melhores (40˚ lugar).

Quando se trata de demografia, o índice estadual aponta uma pequena queda no crescimento da população: de 1,02% entre 1991 a 2000, para 1,01% entre 2000 e 2010. A Grande Vitória mostra que isso é reflexo da diminuição da taxa populacional em todo o estado. Dos sete municípios analisados, apenas Fundão apresentou um pequeno crescimento populacional, de 2,21% para 2,73% na última década.

Também houve um crescimento da taxa de urbanização, exceto em Vitória, que já atingiu os 100%. Na Serra, segunda maior população da região metropolitana (2013), esse índice chega a 99,31%. Esses índices começaram a aumentar de maneira mais acentuada com a crise do café nas décadas de 50 e 60, e agora trazem os reflexos da falta de estrutura e planejamento das cidades para tal contingente populacional. A mobilidade urbana virou assunto central em muitas pautas dos habitantes, bem como outras questões que afetam o coletivo, como transporte, saúde e educação.

A população capixaba concentra-se de forma expressiva na Grande Vitória, principalmente em quatro municípios que compõem a região metropolitana: Serra, Vila Velha, Vitória e Cariacica. A exemplo da capital, verifica-se que nos demais municípios analisados há um aumento no número de adultos e idosos e diminuição no de crianças se comparado a décadas anteriores.

Os dados divulgados pelo PNUD são reflexo do bônus demográfico em que vivemos, ou seja, o momento que a estrutura etária da população trabalha de maneira a influenciar e ajudar no crescimento econômico. A estudante de Geografia Thamirys Schneider ressalta que “o Brasil está no auge da População Economicamente Ativa; o país nunca viveu um momento como este”. Isso significa que em termos de força de trabalho hoje temos uma população entre 15 e 60 anos como maioria. Em Vila Velha e Serra, os dois municípios mais populosos do estado, esses números correspondem a mais de 70% da população total (71,63% e 70,27% respectivamente).

O IDH capixaba reflete uma questão nacional, a queda na taxa de natalidade e o aumento da longevidade. O índice de envelhecimento aumentou nos municípios analisados, chegando a 8,22% em Vitória. Isso mostra uma mudança estrutural na pirâmide de base, também conhecida como pirâmide etária, representação gráfica formada por barras que mostram a diferença da estrutura de gênero e a composição etária de um conjunto populacional de uma determinada região.

junto

Como percebemos no gráfico a pirâmide etária de Vitória (2010) está mais larga na faixa populacional que vai de 15 a 59 anos, uma pirâmide considerada adulta. Ao todo são 237.733 pessoas nessa faixa etária no município. Se compararmos com o gráfico de 1991 percebemos a diferença estrutural na expectativa de vida. As barras aos poucos mostram uma base menor e um topo maior da estrutura.

A título de uma análise comparativa, segue o gráfico de Fundão, que é considerado o menos urbanizado dos sete municípios da região metropolitana, no mesmo período de tempo. O que se verifica é que apesar de ter índices mais diferentes se comparados com Vitória ou Vila Velha, Fundão já apresenta os reflexos da mudança estrutural da população, deixando um gráfico que era grande na base inferior e pequeno na superior, quase que homogêneo em toda sua estrutura.

Fundão junto

O momento que a Grande Vitória vive hoje é de grande fluxo econômico, impulsionado pela maioria da população estar localizada na área economicamente ativa (entre 14 e 60 anos). Essa característica não é preocupante se considerarmos o contexto atual, porém quando se fala em futuro próximo, planos devem ser elaborados e estruturados. As estudantes de Geografia Marina de Souza Mota e Sarita Prati Marin, orientadas pela professora Aurélia Castilhone destacam que essa questão será sentida nos próximos 10 ou 20 anos, quando parte da população que encontra-se no grupo adulto irá figurar entre o de idosos. Com a queda da taxa de natalidade, não haverá número para repor essa força de trabalho. Na capital do estado essa taxa, que era de 2,3 filhos por mulher em 1991, caiu para 1,4 filhos em apenas 20 anos.

Os indicadores do PNUD destacam a diferença entre os próprios municípios da Grande Vitória. Se por um lado municípios como Serra e Vila Velha concentram grande contingente populacional, Fundão tem, em 2013, população estimada em 19.177 habitantes, o que caracteriza desigualdade demográfica de índices entre os municípios da região metropolitana.

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