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O feirante Gelson Calvi traz inúmeras espécies de flores, diretamente da região serrana, para embelezar e colorir a Feira de Jardim da Penha.

Astrid Malacarne, Daiane Delpupo e Jéssica Romanha- O sábado na casa da família Calvi começa cedo. Bem cedo. A sexta-feira é marcada pelos preparativos, pela colheita e pela organização. Basta o dia virar, para iniciar o carregamento da 608 e pegar a estrada, com destino a Vitória. A bordo, muita cor, variedade e perfume. Tudo acomodado com bastante jeito para não danificar as inúmeras flores e folhagens que irão compor, enfeitar e alegrar a “Barraca do Gelson”.

“O trabalho começa na sexta, quando colhemos as flores e colocamos na água para não murchar. Lá elas ficam até o início da madrugada de sábado, quando acordamos para carregar o caminhão e partir para Vitória”, conta Gelson Calvi.

Gelson Calvi tem 53 anos, é um descendente de italiano, natural de Domingos Martins e comercializa flores há mais de 20 anos, na Feira do bairro Jardim da Penha. Também produtor de café na região serrana, ele fala com orgulho da sua barraca, das flores e da clientela. “Eu sou um dos pioneiros na venda de flores daqui. Comecei trazendo uma espécie ou outra. No começo nem barraca eu tinha. Hoje, já conquistei uma clientela fiel, que compra comigo há muito tempo e consideram minhas flores as preferidas”, revela o feirante, com sorriso e satisfação estampados no rosto.

Para Gelson, ir à feira todo fim de semana já se tornou um hobby e acordar cedinho todos os sábados, um ritual. “Não consigo faltar um sábado. Nem posso. A clientela fica brava”, diz. “Eu não vivo da Feira, minha principal fonte de sustento é a lavoura de café, mas não há nada que me faz mais feliz, hoje, do que levar minhas florzinhas pro povo apreciar. E comprar! (risos)”, completa.

Gelson chega à Feira por volta de 3 horas da manhã, monta a barraca, acomoda as flores e depois de tudo pronto, para “pra fazer um lanche”. Daí em diante, até uma da tarde, horário em que começa a desmontar a barraca pra ir embora, ele não para mais.

“Gelson, meu querido, você trouxe as gérberas que eu te encomendei?”, aproxima-se uma cliente, cheia de intimidade.

“E aí, Gelson, tá muito frio lá em cima?” Pergunta uma outra cliente, querendo saber sobre o clima da região serrana.

“Quanto estão as orquídeas”? Questiona uma senhora.

E assim se vai a manhã de sábado do feirante e florista. Um cliente aqui, outro ali, uma prosa acolá, e muita flor pra vender e colorir.

“Eu faço tudo isso por amor. Tem coisa mais bonita do que ver essa feira enfeitada com flores que eu mesmo plantei, cuidei e colhi? Ah tem não”, revela.

Já passa do meio dia, a rua Comissário Octávio de Queiroz vai ficando vazia, uns feirantes desarmam a barraca, outros recarregam os caminhões, combis, caminhonetes, alguns até já se foram. Gelson, então, desmonta a sua barraca, reorganiza as flores que sobraram na carroceria da 608 e parte para subir a serra.

“Eu gosto quando não sobra flor. Mas se sobra, em boas condições, eu levo para minha  mulher enfeitar a Igreja no domingo”, conta.

De volta pra casa, uma parada pelo caminho para almoçar e descanso – essa é a palavra de ordem. Afinal, amanhã é domingo. Dia de acordar cedo de novo pra ir à missa. Ver suas flores que nasceram enfeitando o campo, viajaram pra enfeitar a cidade e agora alegram o altar.

 

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