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Para cada modelo que você está acostumado a ver em outdoors, campanhas, comerciais ou desfiles, houve um profissional que preparou o caminho, fechou contratos e que cuida de cada passo dado por ele.  

(Jhones Corbellari) Aos 28 anos de idade, ele já soma 11 anos dedicados aos modelos. Anderson Bonella é um dos profissionais mais conhecidos do Espírito Santo quando o assunto é descobrir, preparar e colocar modelos no mercado. Sua inserção no mundo fashion aconteceu, segundo o próprio, por acaso: “Uma amiga muito próxima era modelo. Como eu estava sempre com ela, ia também aos castings e trabalhos que ela era chamada. Foi assim que fiquei sabendo da existência de uma vaga para trabalhar como booker (do inglês:ato de agendar, pessoa que seleciona e oferece ao mercado este grupo de profissionais) numa agência em Vila Velha, que nem existe mais”.

À frente da agência Andy Models desde sua fundação, há cinco anos, já negociou modelos para estampar as principais marcas do cenário capixaba, além de contratos à nível nacional e internacional. Sua experiência atendendo o mercado da moda e publicidade, o faz um profissional singular.

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Em nossas conversas, Anderson permite que eu acompanhe um dia de escolha de casting (teste seleção para escolha do elenco que fará parte do trabalho) para que eu veja todo o trabalho de escolha e negociação que é feito.

São duas horas da tarde de uma segunda-feira quando chego à Andy Models. Sou encaminhado à uma sala na parte de trás da agência, local onde está sendo realizado o casting para a escolha dos modelos que irão compor o elenco de um desfile de moda.

A primeira impressão que tenho é de estar nos bastidores de algum reality show, como o America’s Next Top Models, ou mesmo Ídolos ou programas do gênero. Numa mesa grande estavam sentados cinco representantes das marcas que escolheriam quais modelos fariam parte do desfile. Na frente da mesa havia um espaço que servia como passarela, onde cerca de 50 modelos desfilavam uma a uma, para serem escolhidas trinta delas. Tudo embalado por uma música dançante..

Enquanto cada modelo desfila e tenta mostrar o porquê deve ser escolhida, Anderson entrega um composite contendo fotos, dados pessoais e as medidas de cada modelo aos representantes. Todas as modelos presentes desfilaram e, algumas pré-selecionadas pelos contratantes, foram convidadas a desfilar novamente, só que agora de biquíni. Uma forma de analisar o corpo de cada uma. Nada de desespero, afinal modelos trabalham com a própria imagem.

Terminado os desfiles, o booker entra em ação. É hora de negócios! Sozinho com os contratantes na mesa, eles discutem valores, quais e quantas modelos serão escolhidas. Nessa hora há todo um jogo de cintura de ambas as partes. Certamente que a experiência conta muito. Eu fico ali, praticamente invisível, para que tudo aconteça normalmente.

Após a saída dos contratantes, todas as modelos são chamadas novamente à sala. Agora, quem senta à mesa é o booker, que conversa com as “meninas” como um professor conversa com as alunas. Nessa hora, não é aquele Anderson brincalhão que elas estão acostumadas a ver que está falando. Com uma postura mais séria, ele traz toda a sua vivência desses anos de mercado e começa a cobrar delas todo o talento que ele sabe que elas possuem, mas que ele não viu naquele dia, na hora do processo de escolha; talvez pelo nervosismo de cada uma…

Ele começa a conversar com cada uma, repetindo as dicas e pedindo para que cada modelo volte a desfilar. Enquanto isso, ele faz a gravação de uma a uma, para que depois elas vejam o vídeo, e analisem como estão desfilando. “É a hora de vocês mostrarem o seu trabalho. De mostrarem a que vieram. Eu sei o quanto cada uma batalhou para estar aqui hoje, pois eu acompanhei o processo e a evolução de cada uma. Só que os clientes precisam ver isso”, ele reforça.

“Somos uma agência e isso é uma rede, eu preciso de modelos para agenciar e vocês precisam de uma agência para inserir vocês no circuito e arranjar trabalho. Todos nós queremos que dê certo. Não adianta eu arrumar cliente, se na hora do “vamos ver”, vocês, que são todas desenvoltas, ficam tímidas. Eu fico extremamente chateado quando alguma de vocês, que são profissionais competentes, por algum motivos não dão o máximo e acabam não sendo escolhidas.  Ressaltem a beleza de vocês, demonstrem atitude, façam sempre para valer.”, foram algumas das palavras que ele disse às modelos que se encontravam na agência.

Com isso, as modelos foram liberadas, e com mais calma, pudemos conversar um pouco sobre algumas questões de caráter profissional e pessoal. Quanto ao casting e ao trabalho dele como booker, ele me conta que não se encerrava ali, que a negociação se estenderia, pois os clientes iriam ligar falando quais e quantas modelos seriam escaladas, e assim, o valor seria fechado.

Aproveito e questiono sobre o mercado de moda no Espírito Santo e o espaço para esse profissional. Fico surpreso. De acordo com ele há uma defasagem, mas é difícil encontrar alguém disposto e qualificado. “Não adianta só gostar de moda, tem que trabalhar muito. Além disso, tem que ter disposição. O dia-a-dia é bem corrido, as coisas são sempre para ontem, os prazos estão sempre apertados. Ter jogo de cintura e saber viver sob pressão também se tornam desafios. No dia-a-dia na hora de fechar contratos e agenciar a carreira dos modelos é que as pessoas se dão conta do quanto nós fazemos. A agência não pode parar”, ele reforça.

Entre a conversa, descubro que a Andy Models, possui a maior demanda de trabalhos entre as agências do Espírito Santo. Vale lembrar que ela está a apenas cinco anos no mercado.

"A moda é a arte Os desenhistas são os deuses Os modelos bancam os anjos na escuridão Quais de vocês se atreveriam ir contra? A beleza é o comércio e todos são jogo dos sonhos"

“A moda é a arte
Os desenhistas são os deuses
Os modelos bancam os anjos na escuridão
Quais de vocês se atreveriam ir contra?
A beleza é o comércio e todos são jogo dos sonhos”

Por fim, pergunto sobre seus planos futuros. Ele conta que pretende continuar na moda. E não é para menos. Nota-se que, além de estar na alma, a moda está na pele, literalmente. Chamou-me atenção uma tatuagem que ele tem no braço esquerdo. Ele conta que é uma parte da música do cantor Jimmy James, intitulada Fashionista e que fez uma alteração na parte da música onde está escrito “paid”(pago) por “play dream” (jogo dos sonhos), já que, de acordo com ele “sou um pouco contra o “pagar para trabalhar”.  Achei que o fragmento tem tudo a ver com o teor da entrevista e o escolhi para encerrar a matéria. “Fashion is the art / Designers are the gods / Models play the part of angels in the dark / Which one of you would ever dare to go against/ That beauty is a trade and everyone is play dream”.

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