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 Uma colônia de pescadores que reúne história, religiosidade e festa

Naiara Gomes e Sabrina dos Santos – Há 88 anos, um grupo de portugueses saiu de sua terra natal em busca de uma nova vida em terras distantes. O destino era o Espírito Santo, mais precisamente Vitória. Eles se instalaram em uma antiga vila de pescadores na Enseada do Suá, um local repleto de famílias que viviam do pescado. Os portugueses foram acolhidos pelos capixabas e passaram a trabalhar junto com eles e fizeram do pescado o sustento da família.

Os portugueses, no entanto, encontraram algumas dificuldades. Os peixes eram vendidos para pessoas de bairros localizados ao redor da vila, o que fazia com que o pescado estragasse durante o deslocamento. Essa situação ameaçava a renda das famílias.

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Diante dessa situação, os portugueses criaram a Colônia de Pescadores. É o que conta o atual presidente da Colônia de Pescadores da Praia do Suá, Álvaro Martins. “Foram os próprios portugueses que criaram a Colônia de Pescadores. Eles viram a necessidade de criar a colônia para vender o pescado. Com isso, as famílias de pescadores não perdiam seu sustento”, fala. 

Álvaro conta ainda que, com o tempo, a colônia foi se estruturando e os portugueses adquiriram novas experiências com os capixabas. A mão-de-obra, entretanto, foi ficando escassa, já que alguns moradores não queriam mais trabalhar com pesca. A solução foi a chegada de novas famílias de pescadores.

“Os filhos dos portugueses não foram levando a diante a profissão da família. Muitos não queriam ser pescadores e foram seguir outras profissões. Por esse motivo, novas famílias foram chegando, aprendendo a pescar e vivendo disso, o que salvou o comércio”, argumenta. 

A Colônia de Pescadores conseguiu se consolidar ao longo dos anos só com a pesca. Ela é independente, não recebe ajuda nenhuma do governo, tudo é fruto do trabalho dos pescadores. A região ficou conhecida por ter peixes, camarão, lagosta frescos, recém pescados e com preço mais em conta.

“Aqui nós não revendemos o peixe. O peixe vem direto do mar, fresquinho para o cliente, o que dá qualidade e a credibilidade ao pescado. A Colônia ganhou confiança por isso. Nas peixarias, o peixe não é fresco como o daqui.”, diz Alváro.

A Colônia fica localizado no píer da Enseada do Suá e sempre têm turistas procurando alugar barcos para conhecer as ilhas que ficam na região ou casais que querem fazer fotos para o álbum de casamento.

“Quando uma pessoa vai casar e que fazer umas fotos, ela vem aqui para aluga um barquinho para fazer as fotos. E têm pessoas que alugam os barcos para fazer turismo, conhecer a região, que tem várias ilhas e a apreciar a vista que é bela”, acrescenta Álvaro.

Procissão Marítima de São Pedro

Para homenagear o seu padroeiro, os pescadores da Colônia criaram a procissão marítima, que é conhecida como a Procissão Marítima de São Pedro. Que acontece no dia 29 de junho, dia do padroeiro.   

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Procissão Marítima

Na época, cinco barcos foram para o mar levando a imagem do padroeiro em agradecimento. Hoje, a procissão já chegou ao seu 85° ano e é uma demonstração de fé, devoção e criatividade. Mais de 150 barcos vão para baía de Vitória para participar dessa grande festa religiosa. Cada família de pescadores leva no coração seus agradecimentos ao padroeiro.

“Várias pessoas acompanham da terra firme essa festa e outras fazem questão de participar em alto mar. Só de pensar que tudo começou com cinco barcos e foi crescendo. É a forma que temos de demonstrar nossa religiosidade ao padroeiro, a procissão marítima é isso, devoção.” Diz Álvaro

Na procissão, os barcos saem pela Baía de Vitória, todas as embarcações bem ornamentadas, colorindo a capital. Depois da missa, a imagem do santo padroeiro, que é São Pedro, é levada até o Barco Capela dando inicio a procissão que começa no píer e vai até a ponte Florentino Ávidos.

Hoje a festa é realizada pela Colônia de Pescadores, Prefeitura de Vitória, Capitania dos Portos e Policia Militar. 

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