Edifícios mistos são tendência do mercado imobiliário capixaba

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A inclusão de opções diversas e abrangentes nos complexos imobiliários muitas vezes traz ao morador a praticidade de ter bem próximo de casa produtos e serviços. 

Karolina Lopes e Ismael Inoch – O “boom” do setor imobiliário na Grande Vitória nos últimos anos fez com que construtoras apostassem em diferenciais para atrair clientes. A mais nova tendência do mercado da construção civil capixaba são as chamadas construções mistas, edifícios que disponibilizam unidades residenciais e salas comerciais, além de empreendimentos que incluem toda a comodidade dos condomínios com foco no lazer do tipo “social club”.

A inclusão de opções diversas e abrangentes nos complexos imobiliários muitas vezes traz ao morador a praticidade de ter bem próximo de casa produtos e serviços.  A exemplo dessa iniciativa de construtoras é a oferta de serviços como lava-jatos e salões de beleza para moradores de condomínios. De acordo com o diretor da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi- ES), Celso Siqueira, a busca dos compradores de imóveis na Grande Vitória tem sido, principalmente, por praticidade e segurança.

“Hoje a maior parte dos nossos clientes pertencem à classe C, têm aproximadamente 30 anos, são casados, já tem filhos e começam a se estabilizar profissionalmente. Essas pessoas querem resolver tudo próximo de casa. Ter a padaria, a farmácia, o supermercado e a oferta de outros serviços perto de onde moram garante, além de rapidez, facilidade, mobilidade e até mais segurança à família. Já passamos de dez edifícios que tiveram a construção baseada nesse conceito”, afirma.

O crescimento econômico, que permitiu à classe C se tornar a maior compradora de imóveis na Grande Vitória, provocou também uma mudança na característica das residências ofertadas. Hoje os apartamentos são menores – a maioria de dois quartos – e os espaços de lazer maiores, como explica Siqueira.

“Cada vez mais as pessoas querem concentrar suas atividades em casa, até em função da vida corrida que se leva cotidianamente. A parte interna da casa pode perder espaço, pois é usada para refúgio, é o lugar onde descansam. Os clientes querem mais espaço para receber amigos e se divertirem. O lazer em clubes, por exemplo, caiu muito de qualidade nos últimos anos e o que se percebe é que o cansaço e a insegurança têm direcionado às pessoas cada vez mais a opções de lazer em suas residências”, conclui o diretor da associação imobiliária.

Edifício misto  Lorenge S.A - Villaggio Laranjeiras Residence
Edifício misto Lorenge S.A – Villaggio Laranjeiras Residence (foto: site Oficial)

De fato, as construtoras têm trabalhado para oferecer diferenciais aos moradores. Condomínios de Vitória, nos bairros Bento Ferreira e Praia do Canto, oferecem, por exemplo, serviços de lavagem de carro e salão de beleza aos moradores. Já em Vila Velha, no bairro de Coqueiral de Itaparica, por exemplo, foi lançado pelo Inocoopes a princípio como um grande condomínio de baixa renda, mas que, mais tarde, se tornou habitado por uma classe media ascendente, e que provocou em seu perímetro urbano o surgimento de uma serie de pequenas lojas e serviços de bairro do tipo: mini-mercado, salão de beleza, igrejas evangélicas, padarias, lojinhas de roupas e presentes, etc.

A empresária Sônia Rangel, 44, comprou recentemente uma unidade em um condomínio que oferece o serviço de lava-jato e conta que é um bônus extra na aquisição do imóvel. “Antes eu tinha que sair mais cedo de casa, ou passar o dia sem meu carro. A iniciativa é ótima e é um plus para o condomínio. Além de ser prático, eu ando menos com o carro”, afirma.

Jorge Hélio Feitas, mecânico de 32 anos, alugou recentemente um apartamento de construção mista em Itaparica, Vila Velha, e confirmou o interesse na unidade justamente pela praticidade. “Aqui é ótimo. No meu quarteirão tem mercado, farmácia, papelaria e aqui no prédio tem até um escritório de direito, se eu for processado”, brinca.

Edifício misto  Lorenge S.A - Villaggio Itaparica Residence
Edifício misto Lorenge S.A – Villaggio Itaparica Residence (foto: site Oficial)

Atualmente, o mercado imobiliário da Grande Vitória tem apresentado maior expressão nos municípios de Serra, nos bairros Laranjeiras e Jardim Limoeiro, Vila Velha, com grande representatividade em Itaparica e em Cariacica, no centro de Campo Grande. Na capital, Bento Ferreira e Jardim Camburi são os bairros com maior movimentação imobiliária. Dos grupos que mais compram imóveis, lidera a classe C na aquisição de imóveis com variação de valor entre R$100 mil e R$300mil e em seguida a classe B, com imóveis entre R$ 150 mil e R$500 mil. No geral, em empreendimentos mistos, o valor do condomínio de lojas comerciais é 30% maior do que é pago por moradores.

 Praticidade, comodidade e Lazer em casa ameaçam as relações sociais?

 Essa demanda da sociedade por praticidade, comodidade, conforto, segurança e lazer, cada vez mais próximos de casa reflete, uma questão comportamental e que alguns acreditam que pode gerar a diminuição das relações sociais com o outro (além de pessoas próximas e familiares). A hipótese é que as pessoas tendem a ficar cada vez mais em suas casas e, assim, dividam cada vez menos espaços comuns de lazer, além não terem pautas, desejos de melhorias e benefícios a compartilhar, devido a um estilo de vida cada vez mais individualista. No entanto, para o arquiteto e urbanista, Max Mello, responsável por diversos empreendimentos na Grande Vitória, o setor imobiliário pode até indicar e facilitar modos de vida, mas não tem poder de definir padrões sociais e isso compete muito mais à qualidade de espaços e serviços públicos e às necessidades individuais.

Max Mello – Arquiteto e Urbanista

 “O discurso de reduzir a circulação das pessoas pela cidade, evitando os longos trajetos entre casa é real em alguns casos. Mas é pouco provável que toda uma população de 500 ou mais famílias largue seus empregos para tentar um negocio novo em um empreendimento “total life” só porque vão morar lá. O empreendimento pode significar uma boa opção de negocio para quem está começando a vida, ou para quem já possui experiência em negócios franqueados. Mas não há quem possa afirmar que as pessoas não farão compras ou não irão ao salão de beleza de outra localidade simplesmente porque há esta opção perto de casa” afirma.

Mello também ressalta que a “intenção” por trás de empreendimentos desse tipo está acima de tudo na obtenção de maior lucro na exploração imobiliária, multiplicando as possibilidades de investimento e atividades comerciais e residenciais num mesmo espaço ou terreno. E, um bom exemplo que as facilidades trazidas pela proximidade não são suficientes para a estatização da população é a criação de Brasília.

“A proposta urbanística das super-quadras de Brasília, por exemplo, que concentravam em setores próximos os blocos de apartamentos, serviços e compras, acabou se mostrando um modelo utópico, pois as cidades, bem como as pessoas, são dinâmicas e não estáticas. Elas têm o poder de se transformar e se adaptar às suas próprias necessidades e anseios”.

 

 

 

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