Share Button

Grupos se reúnem e cobram ações dos poderes políticos para temas sociais

O dicionário e a realidade são firmes na definição. Coletivo – adj. mas: conjunto de indivíduos que formam uma unidade em relação a interesses, sentimentos ou ideais comuns. A maioria das bandeiras ficou conhecida Brasil afora pela forte ligação com a arte e a cultura. A fórmula deu certo, repercutiu e inspirou outros a se unirem em prol de um objetivo.

Os coletivos, como são chamados esses grupos sem fins lucrativos e ligações governamentais, passaram a se formar, também, na luta pela criação de melhores políticas públicas. Defendem a vida, tanto animal quanto humana, o meio ambiente, as causas gays, o planejamento do transporte público e outros temas sociais.

Especial: Coletivos
Coletivos levantam bandeiras e lutam por políticas públicas
Economia Criativa: afinal, como os coletivos culturais se colocam no mercado?
Especial: start-Ups 2.0 estão dominando o mercado

Políticas públicas para gente

O Coletivo Femenina é capixaba e tem essa “pegada” política. “O nosso grupo é bem plural e também conta com a ajuda de homens. Somos um coletivo misto que busca a defesa da mulher através da arte. Damos espaço, também, para aqueles homens que se sentem mulheres”, explica a integrante Ana Lúcia Rezende. O movimento surgiu em 2008, após a organização de um festival e é bem conhecido no Espírito Santo pela organização da Marcha da Vadia.

O Femenina defende os direitos da mulher e debate a violência sofrida por esse segmento. “As pessoas que estão em coletivos como o nosso não se sentem contempladas socialmente. Elas estão dispostas a mudar essa lógica. Aqui não há atividade para o lucro. Quem trabalha com a gente se doa com o coração e a cooperação”, pontua.

O Femenina não tem liderança e não pensa em se transformar em uma empresa. “Os recursos que precisamos vêm da nossa própria grana e do nosso trabalho voluntário. Quando realizamos o Festival procuramos apoio dos órgãos públicos, isso porquê acreditamos que também é responsabilidade do Estado promover essas ações”, conclui.

Direitos para animais

O Grupo Abolicionistas pela Libertação Animal (GALA) também surgiu aqui no Estado e levanta a bandeira para melhores políticas públicas de proteção para animais. Ele surgiu após discussão nas redes sociais sobre a importância de divulgar e garantir os direitos dos bichos. O Gala se reúne para exibição de filmes, panfletagem, seminários e debates.

“Não somos empresa, não queremos nos tornar e não visamos lucros. A nossa intenção é ser horizontal e livre. Não temos liderança. O principal apoio para manter as atividades é o comprometimento”, explica o integrante do grupo e estudante Davi Almeida Torobay. Ainda de acordo com ele, a formação de coletivos permite abrir mão de muita burocracia e é uma tendência por causa da economia colaborativa do grupo.

Atenção ao meio ambiente

O coletivo Sereias Tóxicas foi formado para defender o meio ambiente. O nome faz alusão a poluição dos mares e rios e o prejuízo que isso provoca a saúde da vida marinha. “Eu acredito no processo criativo e na mudança que isso gera ao meio ambiente. Lutamos por melhores políticas públicas de preservação. O mundo está mudando, acho que as pessoas estão mais conscientes e tomara que se torne tendência. A partir daí, tudo pode mudar, e para melhor”, destaca a performer Moema Freitas, que faz parte do grupo.

O Sereias Tóxicas surgiu na Barra do Jucu, em Vila Velha, e é por meio da internet que o grupo, na maioria das vezes, se encontra. Há integrantes de lugares São Paulo e Rio de Janeiro.

Conheça outros coletivos:

Armário de Histórias: grupo LGBT(Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) com projeto focalizado no diálogo e intercâmbio de histórias de pessoas que “saíram do armário”.

CUC – Movimento Ciclistas Urbanos Capixabas: comunidade destinada a conquistar o respeito pelo uso da bicicleta no espaço urbano e promover ações cicloativistas que visem melhorar a cidade.

Coletivo de Mulheres Negras Aqualtune: grupo feminista que luta contra o racismo e o machismo.

Dentro do cenário político

Ana Lúcia Rezende

Ana Lúcia é socióloga e faz parte de coletivo

A socióloga Ana Lúcia Rezende está envolvida em atividades de coletivos há cerca de cinco anos (como integrante do Femenina) e faz uma análise sobre a intenção desses grupos. Para ela, a sociedade sempre teve necessidade de se organizar e os coletivos seriam` uma nova versão das associações e grêmios.

Assim como os partidos políticos, os coletivos possuem objetivos de luta em defesa de alguma temática, porém, de acordo com a especialista, eles são bem diferentes no que diz respeito às ações. “Coletivos podem ter atuação política, mas partidos têm a função de disputar e ocupar lugares de poder no governo. Os dois  diferem muito. Mesmo algumas pessoas tendo atuação política na sociedade, elas podem não querer ocupar determinados lugares na administração pública”, explica.

Segundo ela, a opinião desses grupos sempre será bem vinda. “Os coletivos estão aí para contribuir com a transformação da sociedade”, finaliza.

 

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *