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De hidroginástica à assistência jurídica e psicológica, projetos de extensão da Ufes oferecem serviços e atividades gratuitos para a comunidade

Raquel Henrique – Quem pensa que a Universidade é lugar só para universitários, se engana. Cada vez mais aberta à comunidade, a Ufes, por meio dos Departamentos, professores, técnicos e alunos desenvolvem projetos que alcançam a comunidade da região metropolitana de Vitória. E o melhor de tudo: a maior parte dos serviços é de graça.

Se o interesse é por esportes, dá para aproveitar as ofertas em três modalidades: lutas, ginástica, e atividades aquáticas. Que gosta das artes marciais pode fazer Karatê, Tae Kwon Do e Jiu-jitsu ou capoeira. Pra todos esses, é preciso ter mais de 13 anos e ainda há vagas disponíveis.

Aproveitando a vocação capixaba para o sucesso na ginástica nacional, o LabGin oferece ginástica rítmica e olímpica para crianças de 4 a 12 anos. E para quem gosta de se exercitar na água, tem ainda hidroginástica para adultos e idosos, e natação para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos.

Nayara Peres, da Coordenação de Extensão da Educação Física, aponta que a procura é grande pelos esportes, e para a maioria das modalidades é preciso deixar o nome em listas de espera. Ela informou ainda que a piscina é liberada para nado livre de segunda a sexta, nos horários disponibilizados (que estão entre 7h e 21h). Para ter acesso, basta fazer uma carteirinha na própria Coordenação, levando foto e preenchendo uma ficha de inscrição.

Na área de informática, o Núcleo de Cidadania Digital (NCD) oferece cursos para vários níveis de conhecimento e idades. A secretária do Núcleo, Jocineia Partelli, informa que a maior procura é dos idosos, que querem estar “antenados” com a era digital. Os interessados se inscrevem no próprio núcleo, e são atendidos na medida em que há disponibilidade de vagas. Turmas são abertas a cada dois meses, em média.

Os três principais cursos oferecidos são: Iniciação – com 16 aulas para iniciantes; Linux Básico – com 9 aulas; e Pacote escritório – com 29 aulas ao todo, divididas em editor de textos, planilhas e apresentações. Há turmas pela manhã, tarde e noite, e algumas até aos sábados. E a secretaria garante que mesmo não havendo vagas no momento da procura, os inscritos na fila de espera sempre são chamados assim que novas turmas surgem.

Cidadania e Cultura

Quem tem alguma questão para resolver na justiça e não pode pagar um advogado, também pode contar com a Ufes. O profissional da construção civil, Antônio Carlos Rodrigues, precisou de assessoria para entrar com uma causa trabalhista e garante que foi bem atendido. O que mais o deixou satisfeito foi a rapidez no atendimento e o fato do serviço ser gratuito.

O Núcleo de Prática Jurídica é um dos projetos de extensão ligados ao curso de Direito, e funciona atrás da Biblioteca Central. Os serviços oferecidos são orientação jurídica, abertura de processos, audiências de conciliação e defensoria pública. O primeiro atendimento é uma triagem, um acolhimento, onde é verificada qual a demanda do assistido e daí é dado sequência com abertura de processo, quando é o caso.

E se a vontade é de subir em palcos e receber aplausos, também há espaço para esse público. O grupo de teatro Cena Aberta é literalmente aberto para qualquer pessoa acima de 16 anos – mesmo quem não tem experiência na área. O grupo completou um ano em agosto, e está vinculado ao Núcleo de Estudos Indiciários, do Departamento de Sociologia. Quem coordena os atores é o carioca Cezar Serejo, que também é aluno do curso de Filosofia da Ufes e tem anos de experiência com teatro.

Serejo conta que depois da aposentadoria resolveu voltar a estudar, e recebeu o convite do Departamento de Sociologia para desenvolver o projeto. Hoje, o grupo está ensaiando duas peças, uma delas com tema de natal. Os ensaios acontecem todos os sábados às 9h na sala 1 do IC2. As vagas estão sempre abertas, e o número de atores envolvidos varia para cada espetáculo. Para participar, é só procurar o coordenador Serejo nos próprios ensaios.

Saúde & bem-estar

Na área da Saúde, também dá para fazer terapias sem gastar um centavo. A clínica do curso de Psicologia oferece atendimento com alunos do curso, monitorados por professores. A vigilante Ana Maria Ventura e sua filha de cinco anos são atendidas no núcleo. A menina perdeu o pai recentemente num acidente, e estava com dificuldades para lidar com o luto. “Minha filha é apaixonada pela psicóloga. Na véspera, ela quer dormir cedo para não se atrasar no outro dia pra consulta (rs). Até o jeito delas falarem com ela é carinhoso, e minha filha tem dormido melhor agora”, declara a mãe, satisfeita com a ajuda recebida pelo Núcleo.

O Núcleo de Psicologia Aplicada funciona no Cemuni VI, próximo ao Centro de Vivência. Para se inscrever, é preciso ligar para o Núcleo e ficar atento a data de abertura de vagas para tratamento, que costuma coincidir com o início dos semestres letivos.

O curso de fonoaudiologia também oferece atendimento, só que no Hospital Universitário (HUCAM), em Maruípe. O atendimento também é feito por alunos, e a coordenadora do curso, Carolina Anhoque diz que a demanda é grande, principalmente de “crianças e jovens adultos”. Carolina conta ainda que as terapias tem uma rotatividade grande, com pacientes iniciando e recebendo alta a todo tempo.

Os atendimentos são feitos na Casa 4, do HUCAM. Para conseguir uma vaga, é preciso ir pessoalmente até lá e preencher uma ficha com a queixa do paciente. Também é preciso ser usuário e ter cartão do SUS. Quando há vagas, o início é imediato. Quando não há, o interessado pode deixar o nome na fila de espera, que a coordenadora garante ter um “bom andamento”.

Qualidade de vida para terceira Idade

E pensando nos idosos que já passaram pela Universidade, e especialmente naqueles que nunca tiveram a oportunidade de estar nela, a UNATI – Universidade Ativa da Terceira Idade, oferece uma vivência no ambiente universitário para os mais velhos. A coordenadora adjunta do projeto e professora do Departamento de Serviço Social, Cenira Oliveira, diz que a intenção do curso é “oferecer conhecimento para que o idoso posso lutar por um lugar mais digno na sociedade”. E acrescenta que muitos idosos chegam por recomendação médica, para melhora da sociabilidade, e lá muitos deles dizem encontrar “um novo espaço para se libertarem, seja do luto, da depressão…”, relata Cenira.

O curso é oferecido em quatro módulos: 1) Velhice e Sociedade; 2) Saúde e Qualidade de Vida; 3) Memória, história e cultura; e 4) Agentes multiplicadores. Cada módulo dura um semestre, e as aulas são sempre às quintas-feiras, de 14h às 17h, no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, onde são as aulas do serviço social. Todo início de semestre letivo as vagas são abertas, e qualquer pessoa com mais de 50 anos pode se inscrever, ligando ou indo pessoalmente ao Departamento de Serviço Social.

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