Uma nova vida depois dos 60

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[h4]Ela encontrou o prazer de competir depois dos sessenta anos, e hoje é uma das melhores corredoras do estado na sua idade[/h4]

Naiara Gomes e Sabrina dos Santos –  Quem chega à casa de Dona Adailde Souza dos Anjos não imagina que esta mulher de 63 anos é uma atleta vitoriosa. Uma guerreira que começou a correr em 2001 a convite de uma amiga, e hoje coleciona medalhas e troféus.

Dada Maravilha, como é conhecida entre os competidores, começou a correr por acaso. Quando passeava pela Praia de Camburi, um grupo de atletas da terceira idade treinava no local. Dada recusou, pois não sabia correr. “fui passear de bicicleta na Praia de Camburi, quando apareceu minha amiga, Xuxa, e me convidou para participar do grupo. Eu não quis, porque não corria. Mas ela insistiu. E eu decidir aceitar.”

Não imaginava Dada que isso iria mudar sua vida dali em diante. Ela passou a treinar com a equipe todos os dias. Até que veio sua primeira corrida. Mas ela ficou com medo, pois nunca tinha participado e ainda não tinha um tênis adequado para competir. Mas a “marinheira de primeira viagem” topou o desafio, e sorrindo ela conta que não imaginava que já subiria no pódio.

“Todo mundo ficou me malhando por não ser corredora, fiquei com medo de cair e não conseguir. Era muita ladeira, e o meu tênis não era adequado. Eu senti falta de ar, parecia que iria colocar o coração pela boca. Mas no final deu tudo certo. Nem acreditei que cheguei em terceiro lugar. E comecei a gritar ganhei.”

Dada Maravilha em uma de suas competições
Dada Maravilha competindo

Depois da primeira experiência oficial, a atleta decidiu fazer todos os exames cardiológicos e dedica-se aos treinamentos com mais intensidade. Porque queria competir mais e se tornar uma atleta de verdade. “Fui ao médico pra fazer todos os exames, já que eu queria me dedicar mais a corrida. E não deu nada. Mudei a minha alimentação para uma mais saudável e abrir mão de algumas coisas e quase não como fritura.”

Após saber que podia continuar, Dada começou a treinar todos os dias com um grupo de senhoras que treinava na praia. Mas Dada não gostava de treinar com elas, o que atrapalhava seu treinamento diário. Mesmo assim, ela não desanimou e começou a participar das corridas oficiais que aconteciam na Grande Vitória. E como era de se esperar, ela sempre subia ao pódio. “Eu treinava com o grupo da Vitória Runny, e eles viam como eu era diferente das outras atletas. Eles faziam uma planilha e marcavam meu tempo. Depois que eu já estava experiente, eles não fizeram mais. E treinar com as outras meninas me atrapalhava, não é a mesma coisa quando treinava sozinha. Peguei ritmo de competição e comecei a ganhar quase tudo.”

Dada Maravilha já participou de corridas tradicionais como São Silvestre, Volta da Pampulha, Corrida da Mulher e Corrida dos Jogos dos Idosos. Mas a sua preferida foi à maratona do Rio de Janeiro, em 2005, que chegou em segundo lugar. “A que eu mais me orgulho foi a do Rio de janeiro, minha primeira corrida fora do estado. Eu fiz a maratona em 3’54”05 os 42 quilômetros de prova. E no ano passado, eu participei da corrida que teve na ponte Rio – Niterói.”

Mas, nem tudo na vida de Dada foi flor. Ela teve que abrir mão das competições, por dois anos para se tratar de um esporão no pé esquerdo. Como inflamava muito, ela não conseguia nem andar. “Isso fez com que eu me afastasse das corridas, fiquei doente por conta disso, porque quando pratica um esporte e não pode participar, é horrível você vê o pessoal correndo e não poder estar lá.”

No meio da entrevista, ela começou a contar história engraçadas de todas as corridas. E fazia questão de mostrar os troféus. Só da Corrida Garoto, ela tem nove troféus e vai em busca do décimo este ano, garantindo que vai competir para vencer. “Quando eu vou corro, eu vou pra ganhar. Nada de trazer uma medalhinha de participação, porque eu sei que tem muitas mulheres na faixa etária que eu corro, que vão pra ganhar. E quanto mais eu ganho, mais vontade me dá pra encher minha prateleira.”

A corrida 24ª Dez Milhas Garoto acontece no dia 1 de setembro, com largada da Praia de Camburi (Vitória) e chegada na Chocolates Garoto (Vila Velha).

Cuidados – O preparador físico, Rafael Lira. Para saber quais os cuidados, que uma pessoa que quer se tornar um atleta da terceira idade tem que ter.

UU: Como funciona o corpo de uma pessoa já na terceira idade?

Rafael Lira: O funcionamento do corpo de um indivíduo na terceira idade é relativo, pois o envelhecimento ocorre de forma gradativa para uns e mais rápido para outros. Essas variações estão relacionadas principalmente a fatores como estilo de vida, condição socioeconômica e patologias crônicas. Então, no envelhecimento há alterações na estrutura e função do coração e do sistema circulatório, pois há uma diminuição da força e da eficiência da contração do coração ocasionando a redução do volume de sangue bombeado por minuto. Na respiração, a modificação está na estrutura óssea (costelas) que envolve os pulmões, ela fica mais rígida, diminuindo a sua movimentação e assim dificultando a respiração. Há também a perda no aparelho locomotor, afinal, acontece a perda óssea e muscular, gerando uma perda de força, dificuldades em realizar movimentos simples como andar, abaixar e perda do equilíbrio. Sem contar que ficam desregulados o sistema urinário, digestores e imunológico.

 UU: Quais os cuidados que elas têm que tomar para evitar lesões?

Rafael Lira: Todas as pessoas que desejam praticar exercício físico (com auxílio de um professor de Educação Física), atividade física ou praticar algum esporte, primeiramente, deve procurar um médico. Este fará um diagnostico para liberar algumas das práticas citadas. No caso do sujeito na terceira idade a atenção deve ser redobrada. Falando especificamente da pratica de uma atividade física, é necessário realizar o aquecimento de forma leve, pois aumenta a temperatura e ajuda na dilatação, aumentando a circulação do sangue pelo corpo e ajudando a prevenir lesão. Outro ponto importante é ter a presença de um profissional de Educação Física, afinal, as pessoas na terceira idade há certas limitações, e uma orientação adequada é de suma importância para evitar que ocorram lesões.

UU:  Tem algum treinamento especifico?

Depende, na literatura há pesquisadores que defendem o treinamento de força, outros, o uso de atividades lúdicas. Mas, posso citar a natação que trabalha o cardiorrespiratório, a caminhada que também trabalha o cardiorrespiratório, mas por ser uma atividade de impacto, também ajuda na produção de massa óssea. Hoje está em evidência o treinamento funcional que proporciona uma melhora tanto no cardiorrespiratório quanto ajuda no equilíbrio. Acredito que o treinamento especifico é de acordo com a escolha do praticante, afinal, eles tem outros interesses. Só o fato de o idoso sair de casa, se relacionar com outras pessoas, sentindo-se inserido em um contexto social já é uma grande vitória, pois afeta o lado psicossocial. E este lado também deve ser tratado com bastante atenção.

UU: A alimentação também conta?

Rafael Lira: Sim. Uma boa alimentação com a prática de atividade física, ajuda no controle do diabetes, da hipertensão e do colesterol. Uma boa alimentação associada à prática de atividade física também proporciona uma redução no uso de medicamentos.

UU: O que elas podem ou não fazer?

Rafael Lira: Podem fazer de leve a moderado, mas isso só o profissional de Educação Física que acompanha o praticante para estabelecer. Caso o idoso deseja fazer uma atividade física, o melhor é realizar uma caminhada. Se ele tiver o auxilio de um professor, então, este orientará qual deverá ser a porcentagem da intensidade do exercício.

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