Share Button

Quase duas décadas após chegar ao Estado, esporte que surgiu no Canadá tenta conquistar mais adeptos, porém, esbarra em algumas dificuldades

Fabio Andrade, Leonardo Ribeiro e Leone Oliveira – Não se sabe exatamente quando o Street Hockey foi criado. A informação que se tem é que o esporte data do início do século XX. Começou no Canadá e logo se popularizou nos Estados Unidos, e é nesses países que o também chamado Hockey in Line é mais popular. Parecido com o hóquei de gelo, nessa modalidade as partidas ocorrem em quadras de basquete ou futsal. Ou até nas ruas de bairros americanos e canadenses. Não existe um consenso sobre a sua invenção, já que muitos dizem que o próprio esporte se criou, adaptando-se às condições dos primeiros lugares a sediarem as partidas.

No Brasil, o esporte ainda não é popular, mas vem concentrando adeptos, que o chamam de hóquei de rua. Os principais pólos de hóquei nacionais estão em Minas Gerais e São Paulo, onde vários times competem e, às vezes, se juntam para jogar em campeonatos nos Estados Unidos. A data de difusão do hóquei no país também é incerta, embora todas se situem no início deste século. Hoje, existem por volta de 100 equipes brasileiras que estão na ativa, mas conta-se que o número seja ainda maior, visto que ainda há muitas equipes amadoras se formando pelos estados.

Há quatro times de hóquei de rua no Estado: dois em Vila Velha e dois em Cariacica. Entre estes, um é feminino, o Amazonas. Depois de assistirem seus namorados praticando o esporte em Cariacica, algumas meninas inauguraram o primeiro – e até agora único – grupo de meninas de hóquei de rua. Além deste, em Vila Velha, há seis anos nasceu o Stallions.

A equipe formada por 13 integrantes treina nas manhãs de sábado em uma quadra poliesportiva de uma academia no bairro Praia da Costa. Geralmente, na faixa de 20 anos, os jogadores conheceram o hóquei de rua através de amigos. Com o estudante Marcos Paulo Venturini, 20 anos, foi assim. Uma amiga dele joga com o time dos Stallions e o convidou para ir jogar um dia com a equipe. Marcos Paulo aceitou o convite e há dois meses faz parte do time. Ele conta que, apesar de já ter o hábito de patinar, sentiu um pouco de dificuldade em se adaptar ao esporte devido às limitações impostas pela quadra e pela dinâmica do jogo. “O começo foi difícil. Já patinava há um ano, mas tive que aprender melhor e patinar de costas também. Eu patinava na orla da praia que é um lugar mais amplo. Aqui na quadra é um lugar fechado. Precisa saber fazer bem as manobras, porque, de repente, você tem que curvar. À medida que fui jogando fui melhorando. O domínio do taco e a manipulação do puck [disco] também são complicados”, explica o estudante.

Antes de fazer parte do time canela-verde, o educador físico Pedro Tadeu, 26, participou de uma outra equipe de hóquei quando tinha 15 anos de idade e o início no esporte foi por influencia do cinema. “A gente viu o filme ‘The ducks’, na época era todo mundo moleque e todo mundo se animou”, lembra. O primeiro time que Tadeu participou acabou não vingando e, após um tempo parado, ele foi convidado por um amigo a fazer parte dos Stallions e lá se vão quatro anos jogando junto com o pessoal da equipe.

 Dificuldades para a popularização

Desde que chegou ao Brasil, o hóquei vem tentando se popularizar entre os brasileiros. Entretanto, alguns fatores aparecem como empecilhos para a disseminação da modalidade. Uma das dificuldades é o preço dos equipamentos.

Os adeptos do esporte apelam para a internet para adquirir os equipamentos básicos para a prática do hockey in line, por exemplo, taco, capacete, luva, joelheira. “No Brasil os equipamentos são muito caros. Aqui, o pessoal cobra R$ 200 numa caneleira que lá fora você paga R$ 70. Se você trouxer de fora, pode ter problema com a alfândega e frete, o que encarece mais. Aí, fica difícil você ter com todo equipamento”, explica o praticante Wiktor  Wiorek, que está há mais de três anos no esporte.

A infra-estrutura para que os jogadores possam praticar o hóquei também é uma barreira. O time dos Stallions conta com o apoio da academia Moviment, que empresta a quadra. No entanto, o cenário para outras equipes capixabas não é tão favorável quanto o do time da Praia da Costa.  “A gente conseguiu essa quadra aqui, na academia, porque um amigo que joga com a gente conhece o dono e ele arrumou um horário. O pessoal do Dog Master, de Cariacica, por exemplo, não tem quadra, ainda que eles participem de jogos fora do Estado. É difícil arrumar. Para falar a verdade, a gente deu sorte em conseguir essa daqui”, salienta Wiktor.

DSC_0074A prática do esporte requer uma quadra com piso liso, plano e sem rachaduras. Um espaço apropriado em que o jogo possa se desenvolver sem maiores dificuldades e que não estrague os equipamentos. Apenas na cidade de Contagem, em Minas Gerais, existe uma estrutura construída especificamente para a prática do hockey in line. Os demais espaços onde o jogo é realizado são quadras poliesportivas que passam por adaptações. A quadra própria para as partidas de hockey têm o fundo em forma mais oval.

A liga

Além dos problemas com o preço dos materiais esportivos e da estrutura física, o hockey ainda convive com a fama de ser um esporte violento.

Praticante utiliza poucos equipamentos

Praticante utiliza poucos equipamentos

Buscando uma alternativa para conquistar mais adeptos e, de quebra, demonstrar que esse julgamento feito do jogo não é verdadeiro, Wiktor e Miguel Zambom – ambos dos Stallions – junto com Bruno Blok, que faz parte do time Dark Wolves, começaram a articular a Liga Race Land de Street Hockey Amador que teve sua primeira edição realizada no final de julho, na praça de Coqueiral de Itaparica. A competição contou com a participação de 24 atletas divididos em oito equipes, cada uma com três atletas.

“Nosso objetivo era levar o hóquei ao público da maneira mais simples, com três jogadores para cada time e sem a exigência de vários equipamentos. Tivemos a ideia e começarmos a juntar recursos e patrocinadores que queiram ajudar com material. A primeira edição da liga foi tão boa que o pessoal já está pedindo a segunda edição”, comemora Wiktor, revelando em seguida a pretensão de realizar a segunda edição do campeonato até no final deste ano.

O curioso dessa história é que Miguel e Wiktor, que hoje realizam competições em praças, foram “descobertos” para o esporte jogando justamente numa praça. “Gostávamos de hóquei e tínhamos patins e taco. A gente sempre quis jogar, mas não tinha lugar apropriado. Um dia, ele [Wiktor] me convenceu a ir brincar com os tacos e patins, na Praça dos Namorados. Nesse dia, um cara passou num carro e perguntou se nós jogávamos hóquei em algum time e onde morávamos. Dissemos que somos da Praia da Costa e ele nos convidou para jogar no time daqui”, lembra Miguel.

Apesar de todas as dificuldades e do pouco conhecimento que os brasileiros têm do esporte, a seleção nacional foi vice-campeã juvenil da Copa das Nações – uma espécie de segunda divisão do hóquei – terminando o mundial como a oitava melhor seleção do mundo na categoria.

Quem se interessou pelo hóquei in line e deseja praticá-lo é só pegar os patins e ir para a quadra da academia Moviment, localizada na rua Gastão Roubach (próximo ao Crefes), na Praia da Costa. O time joga no local aos sábados, das 10h30 às 12h30.

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *