Mostra Cinema pela Verdade levanta debate sobre ditadura política na américa latina

Share Button

[h4]Com apoio da Comissão de Anistia, a Mostra Cinema pela Verdade está em sua segunda edição e fomenta debates sobre o período da ditadura civil-militar na América Latina, com exibição de filmes realizadas em diversas capitais do Brasil[/h4]

Isabella Mariano – Realizada pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM), em parceria com a Comissão de Anistia e com o Ministério da Justiça, a Mostra Cinema pela Verdade está chegando ao fim de sua segunda edição no Espírito Santo. Neste ano, o evento, que promove exibições de filmes seguidas de debates sobre ditadura civil-militar na América Latina e suas consequências, acontece simultaneamente nas 27 unidades federativas do Brasil.

As sessões são gratuitas e abertas ao público, sempre contando com a presença de professores, pesquisadores da área, ex-presos políticos ou pessoas ligadas a movimentos sociais para instigar o debate e a reflexão. Para este ano, foram selecionados quatro filmes: “Eu me Lembro”, de Luiz Fernando Lobo; “Infância Clandestina”, de Benjamín Ávila; “Mariguella”, de Isa Grinspum Ferraz; e “NO”, de Pablo Larraín.

A Mostra chegou ao estado no dia 7 de junho, com o filme “Eu me Lembro”, do diretor Luiz Fernando Lobo. Trata-se de um documentário com depoimentos de perseguidos políticos e torturados pela ditadura sobre a sua relação com a anistia política. A segunda sessão aconteceu no dia 26 de julho e exibiu o documentário “Marighella”, da diretora Isa Grispun Ferraz. O filme recebeu o prêmio de melhor longa-metragem da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em 2012 e traz outro olhar sobre o guerrilheiro considerado inimigo número um do regime militar brasileiro. Neste dia, o debate contou com a presença de Francisco Celso Calmon e Orlando Bomfim Netto, ambos do Fórum Memória Verdade e Justiça.

Na última sexta-feira (3), ocorreu a terceira sessão da Mostra, com o filme “NO” de Pablo Larraín, sobre o plebiscito que tirou Pinochet do poder no Chile.  A obra trata da relação da mídia com a política, no contexto da ditadura chilena. O debate, realizado após a exibição, contou com a participação de Alexandre Curtiss, doutor em Comunicação Social pela Ufrj, professor da Ufes e coordenador do Grav, Grupo de Estudos Audiovisuais.

Todos os três filmes foram exibidos no Cine Metrópolis e a próxima sessão está prevista para acontecer na quarta-feira (7), na Faculdade São Camilo, em Cachoeiro de Itapemirim. O projeto é desenvolvido em todas as capitas do Brasil e em várias cidades do interior, mas no Espírito Santo está sendo articulado entre Vitória (UFES, FDV, EMESCAM), Vila Velha (UVV), Cachoeiro (São Camilo), Alegre (FAFIA) e Cariacica, onde haverá uma exibição especial no Bar do Pantera, em parceria com o Cineclube Colorado.

Para Filipe Marinho Oliveira, agente mobilizador da Mostra no Espírito Santo, “a importância desse projeto é muito relacionada ao potencial da educação através do cinema e do debate que o cinema pode trazer à luz dos últimos acontecimentos no Brasil, resgatando nossa memória da ditadura civil-militar, para tentar entender melhor o que acontece, hoje, com os movimentos sociais no país”.

Comissão da Anistia e o regime militar brasileiro
A ditadura militar no Brasil ocorreu no período de 1964 a 1985. Foi um período marcado pelo cerceamento das liberdades civis, pela censura de qualquer coisa ou pessoa que se colocasse contra o regime e por torturas. Por essa razão, muitos cidadãos foram considerados criminosos e tantos outros foram exilados. Em 1979, o presidente João Baptista Figueiredo instaurou a Lei da Anistia Política, para reverter punições a brasileiros que foram considerados criminosos políticos pelo regime militar. Mais de 30 anos depois, a questão ainda não foi solucionada.

Em 2001, o Ministério da Justiça criou a Comissão de Anistia, para analisar pedidos de indenização formulados pelas pessoas que foram impedidas de exercer atividades econômicas por motivação exclusivamente política desde 18 de setembro de 1946 até cinco de outubro de 1988. Alguns juristas afirmam, porém, que a anistia política beneficia os torturadores do regime militar e as Organizações das Nações Unidas vêm pressionando o Brasil para investigar e julgar os responsáveis pelas violações dos direitos humanos que ocorreram nesse período.

Um dos projetos da Comissão de Anistia, o Marcas da Memória, investe diretamente nesse assunto e abre editais voltados para “projetos de entidades privadas sem fins lucrativos que se destinem à preservação, divulgação e formação da memória da Anistia Política e do processo de Justiça de Transição no Brasil”.

Acompanhe as atividades do projeto Cinema pela Verdade pelo 
facebook: https://www.facebook.com/CinemaPelaVerdade/.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *