“Cada doido com sua mania”

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[h4]O projeto de extensão atende gratuitamente crianças, adolescentes e adultos…..
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Naiara Gomes e Sabrina dos Santos – Há quase 30 anos, em 1984, nascia, no extinto Hospital Adauto Botelho, o “Cada doido com sua mania”, programa de extensão criado por Tânia Prates, então professora de Psicologia na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). No programa, conhecido na época como “Grupos Operativos”, oficinas de arte eram desenvolvidas com os pacientes internados. Essas atividades levaram benefícios para os pacientes e fizeram com que houvesse uma melhora no quadro clínico deles. Com isso, o programa foi ganhando visibilidade e abrindo novos caminhos para outras atividades.

Em 1995, o “Cada doido com a sua mania saiu do hospital e, com a ajuda da Prefeitura de Vitória, foi criado o Centro de Atenção Psicossocial, o CAPS. Localizado na Ilha de Santa Maria, as atividades desenvolvidas no primeiro CAPS da capital continuaram as mesmas, mas com algumas mudanças. As famílias dos pacientes, por exemplo, também passaram a participar das oficinas. Deu-se início a um trabalho psicoterapêutico tanto com o paciente quanto com a família.

A vontade de ampliar os horizontes, no entanto, fez com que o programa chegasse à Ufes depois de três anos no CAPS da Ilha. “Nós fomos para o Campus de Maruípe, para montar um CAPS Infantil. Estruturamos essa ideia e chamamos de Cacia, Centro de Atenção Continuada à Infância, ao Adolescente e ao Adulto”, diz Tânia.

O Cacia é o acolhimento de crianças com diversos transtornos. Chegam para se tratar pacientes com sofrimentos na esfera afetiva, crianças com dificuldade de aprendizagem, transtornos depressivos, transtornos ansiosos, transtornos no desenvolvimento, entre outros. São dificuldades que surgem tipicamente na infância e na adolescência. O programa recebe pacientes que foram atendidos no Hospital Infantil.

“Atendemos crianças e adolescentes porque temos uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, que cedem duas psicólogas para o programa. O Hospital Infantil não tem ambulatório, só serviço de internação. Quando os pacientes saem da internação, eles precisam de encaminhamento para o psicólogo. Aqui eles dão continuidade ao tratamento”, explica. cdsm_capaO programa recebe pacientes tanto do Hospital Infantil quanto da comunidade universitária (estudantes, professores, familiares dos estudantes, funcionários e terceirizados) e o tratamento se inicia por um primeiro contato, que é acolhimento, uma triagem para ver se o paciente realmente precisa de ajuda psicológica. Depois, começam as ações, em que os profissionais fazem um estudo de aprofundamento do caso do paciente.

Oficinas

No programa, existem quatro tipos de serviços: as oficinas terapêuticas, o serviço de atendimento individual, o serviço de atendimento familiar e  a psicofarmacologia, que consiste no uso de medicamentos para dar continuidade ao tratamento.

As oficinas terapêuticas atendem crianças, adolescentes e adultos. As oficinas para crianças são de expressão, contos e modelagem. A oficina de expressão atende crianças entre 3 a 6 anos que são consideradas agitadas. Na oficina de contos, para crianças acima de 6 anos, os profissionais lêem contos e histórias e fazem uma analise de como as crianças se relacionam entre si e com a sociedade. Na oficina de modelagem, eles trabalham o ato de modelar e a modelagem tridimensional do corpo.

Os adolescentes são atendidos com oficinas de modelagem, imaginação e música. Na de imaginação são usados os jogos de RPG para tratar os pacientes. Há a construção de personagens que simulam eles mesmos e o tratamento se dá através dos próprios personagens. Já na oficina de música, eles discutem as letras das músicas, as poesias e os textos.

As oficinas para adultos são de músicas e letras e de pinturas, onde eles desenham pinturas livres com finalidade terapêutica. O atendimento individual só é solicitado caso o paciente precisa. Isso é visto no acompanhamento. Já o atendimento familiar tem duas modalidades: quando a família é chamada e quando há grupo familiar.

“Quando a família de um paciente é chamada sozinha é para tratar o que está acontecendo com ele, para entender o universo que o cerca. Já o grupo familiar funciona da seguinte maneira: enquanto a criança está sendo atendida na oficina é feita uma reunião grupal com os familiares que trazem as crianças”, explica Tânia.

Profissionalismo dentro da Universidade 

O programa de extensão da UFES só existe com o auxilio dos alunos. O “Cada doido com sua mania” não recebe só ajuda dos alunos da universidade, recebe também ajuda dos alunos de outras faculdades da Grande Vitória. Eles podem participar do programa e aprender ainda mais.

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Lorena, voluntária do Cacia

A ex-estudante de Psicologia da UFES, Lorena Dias de Abreu, entrou no programa para colocar em prática o que aprendia dentro da sala de aula. “A gente entra no programa para conhecer e sair um pouco da teoria, passando a viver um pouco mais com a prática. No programa, o aluno nunca fica sozinho, mas mesmo assim a gente assume a responsabilidade de ter um paciente”, conta.

Mesmo colocando em prática tudo o que aprendeu na sala de aula e saindo um pouco da teoria, o aluno continua estudando. Todos participam de grupos de estudos e toda quarta-feira à noite eles se reúnem para discutir os casos dos pacientes e expor seus comentários sobre o que aprendeu durante as oficinas. “Em toda reunião discutimos os casos, então a gente cresce em todos os sentidos. Nós não ficamos na prática sem uma base teórica e também não ficamos só na teoria sem uma base prática”, diz Lorena.

Todos os alunos recebem um certificado da Universidade comprovando a experiência que tiveram no programa “Cada doido com sua mania”. Mas na maioria das vezes, os alunos continuam trabalhando como voluntários. Lorena, que ficou no programa por três anos como aluna, agora continua como psicóloga voluntária. “Passei por toda essa experiência de ser uma aluna de extensão e agora uma profissional, continuo trabalhando no programa. Geralmente algumas pessoas continuam no programa porque acreditam nessa questão do trabalho, acreditam no programa como aprendizado e ferramenta para o crescimento da Psicologia”, argumenta.

Participe!
Os programas de extensão da UFES são ferramentas que complementam a aprendizagem do aluno e ajudam no crescimento da vida profissional. O programa de extensão “Cada doido com sua mania” aceita alunos de qualquer curso e sempre está precisando de novos voluntários. Quem tiver interesse em participar pode enviar um email para cdsmcacia@yahoo.com.br.

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