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Allan Cancian, Polânia Soares e Raysa Calegari – O ano de 2013 já entrou para a história do Brasil. Movimentado por manifestações populares que clamam mudanças na estrutura do país, esse ano certamente será lembrado nos futuros estudos sobre a história do país. Entretanto, revoltas populares não são novidade na história brasileira. Abaixo, você confere infográficos sobre os períodos mais conturbados a partir do início do séc. XX. Eventos como a “marcha dos cem mil”, “novembrada” e “diretas já” foram grandes passos na construção da nossa história e, de certa forma, parecidos com o que assistimos hoje.

ERA VARGAS

– Os fatos que mais marcaram a República Velha foram: as primeiras greves operárias, as novas imigrações de europeus, italianos e japoneses, a revolta da chibata, revolta do contestado e a guerra de canudos.

– Em 1931 foi derrubada a Constituição Nacional e despertada a indignação dos opositores, que promoveram uma revolta armada, a fim de defender a criação de uma nova Constituição. Em 09 de julho de 1932 explode uma revolução no estado de São Paulo, por conta da morte de quatro jovens estudantes paulistanos. E, o Estado paulista contava com o apoio de tropas do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Mas Getúlio Vargas foi mais rápido, retirando essas alianças e isolando São Paulo. Após esse acontecimento Vargas aprova a Constituição de 1934, que trazia novidades: o voto secreto, o ensino primário obrigatório, o voto feminino e várias leis trabalhistas.

– Durante a Era Vargas prosperaram duas vertentes políticas brasileira a Ação Integralista Brasileira (AIB) pregando um estado totalitário e a Aliança Nacional Libertadora (ANL): o integralismo que defendia a direita no Brasil, liderada por Plínio Salgado, e o aliancismo defendia a esquerda através da Intentona Comunista.

– Em fevereiro de 1935 inicia-se uma revolta por parte de Minas gerais,cuja população estava insatisfeita com a nova Constituição, pois ela não auxiliava o estado que estava em estado de crise. E Minas Gerais conta com o apoio do Acre, Roraima e Amapá, para conquistar a independência do país. A revolta teve resultado: foi criada uma nova Constituição que ficou conhecida como Constituição Mineira.

– O golpe de 1937. Neste ano, os integralistas forjaram o Plano Cohen, o qual dizia que os comunistas planejavam uma revolução maior e mais bem-arquitetada do que a de 1935. Mas Getúlio Vargas teve o apoio militar e populacional, sendo derrubada a Constituição de 1934 e declarado o Estado Novo.

– Em 1943 aconteceu o Manifesto Mineiro, um documento que marcou o início da oposição aberta ao Estado Novo, criticando abertamente o regime ditatorial daquele período. A partir dessa época o governo de Getúlio começa a declinar. No dia 29 de outubro de 1945, Vargas foi deposto num golpe militar e exilado em sua cidade natal, São Borja. Em dezembro do mesmo ano foram realizadas eleições livres para o parlamento e presidência. Só em 1951, Getúlio Vargas retornou à presidência pelo voto popular, como ele mesmo disse, “nos braços do povo”.

– Naquela época, o então um jornalista e crítico do Governo Getulista, Carlos Lacerda, foi vítima de um atentado tramado pelo presidente da guarda presidencial, Gregório Fortunato. Porém, no momento da execução, Lacerda estava acompanhado de um major da aeronáutica, Rubens Vaz, que morreu em seu lugar. A crise ganhou dimensão e as Forças Armadas, após prenderem Gregório e os homens que haviam sido contratados para o atentado, pressionaram Vargas para que ele renunciasse novamente.

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DITADURA MILITAR

– Após um pronunciamento oficial do presidente João Goulart – chamado de “Comício da Central” – no dia 13 de março de 1964 na cidade do Rio de Janeiro, Jango anunciou seu programa de Reformas de Base. Tais reformas não haviam ganhado apoio no Congresso e o país vivia um clima de instabilidade política, social e ideológica. A mídia nacional e internacional dizia que o real interesse do presidente era instaurar um Golpe de Estado comunista no Brasil.

– Em repúdio ao comício de Jango e aos governos comunistas de todo o mundo, a oposição e vários setores conservadores da sociedade se mobilizaram para levar às ruas a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, manifestações compostas basicamente pela Classe Média e apoiadas principalmente pela Igreja Católica.

– A primeira ocorreu em São Paulo, no dia 19 de março de 1964 – participaram 500 mil pessoas – e para os “preparativos” folders foram distribuídos entre a população. Esposas de empresários e mulheres de empregados foram “educadas” sobre o comunismo e como ele seria prejudicial para todos de sua família. A Igreja mandava mensagens aos seus fiéis, induzindo-os a detestar o comunismo.

– Com a conjugação do poder das Forças Armadas e a conivência e apoio de parcelas importantes da sociedade, o golpe militar de 64 foi instaurado no dia 1º de abril. Após a derrubada do governo de Jango pelos militares, manifestantes foram às ruas no dia 2 de abril no antigo Estado da Guanabara, para comemorar o Golpe. A chamada “Marcha da Vitória” contou com a presença de 1 milhão de pessoas e foi patrocinada por órgãos e pessoas ligadas ao governo.

– Prisões e arbitrariedade eram as marcas da ação do governo militar. A repressão policial atingiu seu apogeu no final de março de 1968, com a invasão do restaurante universitário “Calabouço”, onde os estudantes protestavam contra a elevação do preço das refeições. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, matou o secundarista Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, com um tiro A queima roupa no peito.

– Durante o velório do estudante, o confronto com policiais ocorreu em várias partes do Rio de Janeiro. Nos dias seguintes, manifestações se repetiram centro da cidade, todas reprimidas com violência, até culminar na missa de sétimo dia da Candelária, quando soldados a cavalo investiram contra estudantes, padres, repórteres e populares.

– No dia 18, uma passeata resultou na prisão do líder estudantil, Jean Marc van der Weid. Três dias depois, uma manifestação estudantil, em frente à embaixada norte-americana, gerou um conflito que terminou com 28 mortos, centenas de feridos, mil presos e 15 viaturas da polícia incendiadas. Aquele dia ficou conhecido como “Sexta-Feira Sangrenta”.

– Diante da repercussão negativa do episódio, o comando militar acabou permitindo uma manifestação estudantil, marcada para o dia 26 de junho, que ficou conhecida como a marcha dos 100 mil. As manifestações que aconteceram depois continuaram sendo reprimidas até que, no dia 13 de dezembro de 1968, foi promulgado o AI-5 (Ato Institucional nº 5), marcando o início dos “Anos de chumbo” da ditadura militar brasileira.

– Em 30 de novembro de 1979, em Florianópolis, ocorreu uma grande manifestação popular contra o Regime Militar e a ida do presidente João Figueiredo à cidade. O evento conhecido como “Novembrada”, atraiu principalmente estudantes indignados com o governo e com o aumento do custo de vida. Após o protesto, que contou com grande violência pelos policiais, nove estudantes foram presos e, dias após tal acontecimento, novos protestos ocorreram para pedirem a libertação deles.

– A instabilidade econômica, a censura, a tortura, o exílio e inúmeros outros desgastes causados pela ditadura culminaram em uma revolta popular. Agora a maioria da população brasileira queria a mesma coisa: democracia! As “Diretas Já!” conseguiram levar o povo às ruas para lutar por um novo país.

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ERA COLLOR

– O Governo Collor mal havia começado e já passava por polêmicas. Várias frentes políticas lideradas pelo PT falavam que o resultado eleitoral havia manipulado a população brasileira, para que não votassem em Lula. Para eles, a principal culpada era a Rede Globo de Televisão.

– No início de 1992, após uma denúncia que o irmão do presidente fez à revista Veja divulgando documentos que mostravam a corrupção no governo, a vida de Collor começou a sair do eixo.

– Após a denúncia e todo o escândalo envolvendo a corrupção por trás do governo do presidente Fernando Collor de Melo, em 1992, inicia-se no país o movimento dos “Caras-Pintadas”. O movimento estudantil, representado basicamente pela UNE e pela UBES, tinha como objetivo o impeachment do presidente e a restauração de uma verdadeira democracia no Brasil.

– Em 1º de Junho foi instaurada uma CPI para apurar a corrução e a imagem do presidente caiu drasticamente. O mês de agosto foi repleto de manifestações dos milhares de estudantes indignados, que pintavam a cara de verde e amarelo e gritavam o impeachment de Collor.

– Após vários dias de protestos e investigações, no dia 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados vota a favor do início do processo de impeachment de Collor e milhares de pessoas saem para manifestar. No dia 29 de dezembro do mesmo ano, o presidente renuncia, mas mesmo assim o Congresso Nacional continuou a investigá-lo. Após a saída, Itamar Franco assumiu a presidência do Brasil.

Fontes

http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Golpe1964
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/AConjunturaRadicalizacao/O_anticomunismo_nas_FFAA
http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/03/20/marcha-da-familia-com-deus-pela-liberdade-completa-47-anos-veja-video/
http://www.culturabrasil.pro.br/republicavelha.htm

 

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