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Jhones Corbellari (fotos: Jhones Corbellari/Arquivo Pessoal) - Aos 21 anos, Faelo Ribeiro é sócio-proprietário da agência All Models, em Vila Velha. Formado em Fotografia pela Universidade de Vila Velha, foi sua paixão por moda que o fez escolher a carreira de fotógrafo, e foi assim que se deu sua inserção no mundo fashion.

Após terminar a graduação em Fotografia, procurou o renomado fotógrafo de moda João Araújo, sobre quem já tinha ouvido falar por meio das redes sociais durante o curso, e perguntou se havia algum trabalho que ele podia desenvolver. Tornou-se assim, assistente de fotografia de João, na agência Andy Models. Ocupou esse cargo durante um tempo, mas a curiosidade e a paixão pela moda o fizeram explorar outras vertentes nesse meio. Assim, passou de assistente de fotografia para a função de booker.

Após um ano, vendo o mercado de moda no Espírito Santo e com a experiência adquirida na agência em que trabalhava, percebeu que havia uma fresta para o mercado de modelos comerciais. Resolveu se aventurar nesse meio, não mais como assistente, mas sim como dono de sua própria agência. Com apenas um ano de criação, a All Models já trabalhou com marcas como Missbella, Konik, Vide Bula e Carmem Steffens.

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É numa quarta-feira pela manhã que Faelo me recebe em sua agência para contar um pouquinho da rotina de um profissional de moda no Espírito Santo.

Sala branca, porta de vidro, mesas de madeira, cadeiras pretas, uma janela com persianas brancas, ar condicionado ligado, luzes brancas enaltecendo o “clean” da sala. Nesse ambiente que Faelo passa boa parte – se não todo o dia.

Efetivamente, o dia começa por volta das 10 horas da manhã, quando chega à agência. Em sua mesa, materiais de trabalhos que para ele são básicos, como celular, tablet, agenda, telefone, papéis, canetas e uma xícara de café.

A primeira tarefa é checar os e-mails e cadastros de pessoas que se inscrevem no site da agência com a pretensão de serem modelos. A partir de então, começa selecionar alguns candidatos, baseado no material enviado por eles, para uma entrevista na agência.

Logo de início, já percebo que o trabalho é múltiplo. Além de head booker – coordena a equipe de booker’s – , que é quem cuida dos modelos, dos contratos, de busca de clientela, ele ainda faz o trabalho de scouter, que é o responsável por encontrar pessoas com potencial para serem modelos, ou, em linguagem do meio, os new faces (como são chamados os modelos em início de carreira), além de ainda fotografar.

Pergunto se em toda agência o trabalho é assim. “Sem dúvida há muito trabalho numa agência. Mas em grandes mercados como São Paulo e Rio de Janeiro, até mesmo pelo ritmo frenético, cada profissional exerce uma função. Aqui, como a demanda é menor do que nesses grandes centros, acabamos fazendo um pouco de tudo. Mas isso é porque eu também gosto de fazer várias coisas. O administrativo, por exemplo, não é comigo. Não gosto.”

Redes socias, e-mails, fotos. Faelo passa parte do dia em sua mesa de trabalho.

Redes socias, e-mails, fotos. Faelo passa parte do dia em sua mesa de trabalho.

Outra coisa que chama atenção, numa “rotina” bastante turbulenta e um tanto quanto flexível, é que o tempo todo, Faelo está conectado às redes sociais. “Temos um vínculo muito forte com os modelos, pois passamos muito tempo juntos. Eles são um tanto quanto dependentes, sabe? Tenho que estar sempre lembrando dos trabalhos, desfiles, castings… e não adianta ligar, mandar e-mail ou fazer publicação na página do Facebook da agência com tudo explicado, sempre vão ligar perguntando algo. É parte do nosso trabalho”, ressalta.

Um dos fatores para isso, acredita ele, é que muitos modelos, sobretudo do casting feminino, tem que começar muito cedo na carreira, por volta dos 12 anos, somado ao fato de passarem muito tempo na agência – mesmo não trabalhando, os modelos vão no mínimo uma vez por semana à agência para acompanhamento e discussões relacionadas à carreira. “Ficamos sabendo de tudo o que acontece com eles, somos também uma espécie de psicólogo.”

Enquanto conversávamos uma modelo o chamava numa rede social querendo saber quais documentos deveria levar para participar do casting que escolheria modelos para desfilar no Vitória Moda, o mais expressivo evento de moda no estado. Detalhe: pouco tempo antes ele havia feito uma postagem na página da agência falando sobre os documentos necessários! De repente uma ligação desesperada: a modelo tinha deixado a carteira de trabalho na casa dos pais, no interior do estado, e para o cadastro, o documento era imprescindível.

Hora de ligar para o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Sated/ES), o qual representa os modelos no estado. Após muita conversa, Faelo consegue ganhar um dia para que a documentação fosse entregue. Ele logo faz uma ligação para a modelo explicando o prazo final e enfatiza que se ela não conseguir entregar, terá de, por questões legais, ficar fora do casting (processo de escolha dos modelos pelos contratantes).

Problema resolvido e já é hora do almoço.

A tarde começa agitada. Faelo precisa colocar suas habilidades fotográficas em prática num editorial para a revista “Vanity Teen”, da Espanha. Conceito criado e o local definido: serão fotos externas, feitas ali mesmo, no jardim da agência.

Foi como fotógrafo que Faelo começou sua trajetória na moda

Foi como fotógrafo que Faelo começou sua trajetória na moda

Hora de chamar modelo escolhido, reunir o material e descer a escada. Mais uma porta de vidro, e de repente, estamos num jardim, localizado na parte de trás da agência. Grama verde disputando lugar com o acinzentado do chão e do muro que cerca o local, e, solitário no meio do jardim, um pé de carambola.

Nada de frescura, não é sessão de fotos pessoais para postar em redes sociais. É trabalho! E levado muito a sério, por sinal. Hora de se jogar no chão, sair no sol… não importa. O importante é conseguir a melhor pose, os melhores ângulos, a melhor composição. Tudo é inspiração. Inclusive uma carambola solitária na árvore. Isso fica notório nas horas que se seguem com muitos cliques.

Cerca de duas horas depois, as fotos já são suficientes e é hora de voltar para frente do computador, escolher as imagens e editá-las para serem enviadas para a equipe da Vanity Teen.

Em meio a toda a agitação de escolha de fotos e o fim do dia se aproximando, um jovem interessado em seguir carreira chega à agência para conversar com Faelo. Ele é atendido na mesma hora. Trata-se de um jovem que foi descoberto por Faelo num shopping de Vitória, há cerca de um ano. Faelo indaga o porque da demora em procurar a agência, mas mesmo assim segue com explicações de como ganhar a vida pela imagem pessoal. “Há toda uma preparação até o modelo ficar pronto para o trabalho. Além disso há especificações técnicas como altura, por exemplo, que separa modelos de passarela e comerciais, que não são definidas por nós, e sim pelo mercado”, lembra ele. É preciso, de acordo com ele, encontrar algo natural e atenuar alguma característica pessoal. Cuidados com o corpo, como pele e cabelo são essenciais. “Às vezes o modelo leva cerca de um ano para estar pronto para o mercado, em outras, em apenas três meses. Isso depende muito de cada pessoa. Por isso o acompanhamento da agência. Precisamos, em alguns casos, florescer a confiança de cada um, já que às vezes chegam muito inseguros.”

Após o atendimento ao candidato a modelo, fica curioso e pergunto se de vez em quando ele erra na escolha. “Claro. É como um jogo. Posso achar que a pessoa dará um ótimo modelo, mas acaba não deslanchando. Ou o contrário também. É natural. Costumo, quando vejo que a pessoa não vai se encaixar com o perfil da minha agência, indicar para outros amigos que trabalham como booker. Pode ser que ela se encaixe em outros nichos do mercado.”

Já é noite, e em meio aos funcionários indo para casa, após o dia de expediente e do fechamento da agência, continuamos nosso bate-papo. O dia foi exaustivo, mas pelo jeito proveitoso. Mais relaxado, ele conta que é cada coisa que tem que lidar no dia a dia, que chega a ser cômico. “Muito jogo de cintura, por exemplo, para falar que a pessoa ainda não está pronta para ser modelo”. De acordo com ele, até agora não presenciou nenhum candidato chorando ou bravo após receber uma resposta negativa.

Paciência nesse meio parece ser fundamental, senão, um trunfo de Faelo, já que ele trata a todos com atenção e demonstra bastante disposição e bom humor ao longo do dia. Ao finalizar a conversa, ele conta que juntamente com sua equipe, está preparando um canal no Youtube, onde, com doses de humor, descreverá situações enfrentadas por eles no dia-a-dia na agência.

Faelo

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Comentários 1 Comment

  1. Gabriel Mattanó 25 de julho de 2013 at 9:05 — Reply

    Matéria muito boa, um estímulo para quem quer começar na área e teme o mercado capixaba. Senti falta apenas da citação de outras agências locais. Parabéns.

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