11/7 – E Vitória parou…

Share Button

Raquel Henrique – Fora a meia dúzia de bebuns fieis às suas “meotas” que encontrei em uns poucos botecos abertos, não havia ninguém nas ruas de Vitórias. Nenhum ônibus, nenhum pedestre, nenhuma loja aberta, nenhuma escola funcionando. Por todo percurso que fiz até chegar ao pedágio da 3ª Ponte e à ALES, a sensação era como dia de feriado, exceto pelo fato de que nos feriados há um número menor de pessoas na rua, mas elas estão lá. No dia 11 não. Não se via quase ninguém.

Fiquei animadíssima com a possibilidade de fotografar a manifestação de camarote – do 15º andar de um prédio ali bem de frente pro pedágio, no epicentro do que se tornou o símbolo da luta aqui no Estado. Confesso que a animação deu lugar à frustração de ver poucos manifestantes, grupos de centrais sindicais, que vinham de Vila Velha pela Terceira Ponte.

Nos carros de som que bloqueavam a passagem pela ponte, o barulho era maior que o ânimo das pessoas. Desta vez, era permitido bandeiras de sindicatos e partidos, e as vermelhas estavam por toda parte.

Logo soubemos que aquele grupo, de aproximadamente 100 pessoas, era só parte do que se encontraria ali para seguir para Assembléia Legislativa (Ales), e, pouco tempo depois, juntaram-se a ele os manifestantes que chegaram caminhando da Serra e de Cariacica. Dali, seguiram todos para a Ales, ainda bastante barulhentos, mas sem o mesmo entusiasmo das concentrações gigantescas de dias atrás.

Aliás, preciso dizer como senti não ter estado ali, com aquela vista perfeita, para registrar a manifestação histórica do dia 20 de junho. Por hora, estava ali de corpo presente, mas a mente divagando pelas fotos que deixei de fazer, pelos detalhes dos quais poderia ter sido testemunha ocular… Que relato! Que vivência! Mas passou. E me consolei um pouco com a informação do morador, de que em todos os confrontos realizados ali eles sentiram os efeitos das bombas de gás dentro de casa, mesmo com tudo fechado.

Desta vez, a Rodosol se precaveu melhor e passou a noite colocando chapas de aço nas cabines de cobrança do pedágio tetra-reformadas. Não precisou. Ninguém depredou.

Na Ales, muitas barracas de comida e famílias tranquilas mostravam que não queriam confusão. Estavam ali para serem ouvidas, e para entregar ao governo sua pauta de reivindicação. O movimento, que agora estava vinculado a sindicatos e trabalhadores de forma geral, tinha uma face mais madura, e possivelmente a maior parte dos jovens se encontrava do lado de dentro da Ales, recebendo apoio dos “tios” do lado de fora.

Vi quando o homem de cabelos grandes cacheados com a blusa do Che ateou fogo aos pneus na pista em frente à Assembléia. O fogo aguçou os sentidos dos repórteres fotográficos, e quanto maior era a fumaça, maior era o número dos que rodeavam a fogueira em busca da melhor imagem. O Judas da festa? O governador Casagrande, representado num cartaz como “O guarda-costas da Rodosol”.

Apesar dos seis carros da Polícia Militar (Rotam) de plantão, e umas centenas de policiais espalhados no terraço do Tribunal de Justiça, na portaria de entrada da Ales e na subida da ponte, tudo correu tranquilamente. Talvez fossem os ânimos mais amenos dos mais velhos, talvez o apelo sindical pra não haver depredações – que só destoou quando gritavam no pedágio: “ou cai na caneta, ou cai na marreta”. Mas até agora só caiu o preço. Embora tudo faça parecer que mais gente deva tombar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *