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O projeto que busca compartilhar a hospedagem pelo mundo, vai  muito além do que proporcionar apenas um período de férias. O Couchsurfing é uma boa forma para ampliar valores culturais

por Carina Couto e Vinícius Eulálio

A ideia é simples: hospedar gratuitamente pessoas completamente desconhecidas em sua casa oferecendo um quarto, colchão ou até mesmo um sofá. Pode parecer estranho no início, mas o surfe de sofá, conhecido como couchsurfing em inglês, já possui cerca de seis milhões de usuários pelo mundo.

O couchsurfing foi criado em 2004, por meio de um projeto do norte americano Casey Fenton, que na época trabalhava com estratégias para a internet. Tudo teve inicio após uma viagem de Fenton e alguns amigos pelo Egito e a Islândia. Esta experiência, segundo ele, mudou profundamente sua forma de ver o mundo.

A  missão do programa é conectar pessoas e lugares. Além disso, visa a proporcionar trocas culturais entre pessoas de diferentes países ou da mesma nacionalidade.

Os membros utilizam o site criado por Fenton (www.couchsurfing.org) para conhecer o perfil das pessoas que oferecem as acomodações.  A inscrição é gratuita, bastando apenas fazer o registro. Um membro oferece o alojamento enquanto o surfer (convidado) pode procurar e pedir alojamento para o seu destino.

Além da troca de acomodação, os surfistas de sofá também se oferecem para guiar os turistas em suas cidades e se reúnem em diversos encontros para compartilhar experiências, conversar e se divertir.

SERGIO- reduzida

Moderador do grupo Couchsurfing no ES, Sérgio Pereira

No Espírito Santo, estão registradas cerca de 1200 pessoas no site. O moderador local, Sérgio Pereira, afirma que são realizados, toda terça-feira, reuniões abertas para quem quiser participar. “Geralmente, comparecem cerca de 20 pessoas nas reuniões. A gente usa este momento para integrar os turistas com o nosso grupo, dar dicas para quem está começando e organizar novos eventos”, explica Sérgio.

A equipe do Universo Ufes acompanhou o encontro de número 159 do grupo “Couchsurfing no ES” e conversou com os participantes sobre dicas, experiências algumas curiosidades.

Participantes do encontro "Couchsurfing no ES"  no restaurante Canto da Roça

Participantes do encontro “Couchsurfing no ES”
no restaurante Canto da Roça

É consenso entre os integrantes do encontro que para iniciar no couchsurfing basta dar o primeiro passo. “Para começar não tem muito mistério é só entrar no site e preencher o perfil”, afirma o estudante de medicina Rafael Darrouy.

Rafael conheceu o programa em 2006 ao pesquisar na internet sobre hospedagens baratas. Ele já viajou para países como Canadá e Inglaterra, além de diversos locais do Brasil. O estudante conta que já chegou a hospedar uma pessoa em sua casa por seis meses.

“Foi um italiano, ele veio conhecer a cidade e acabou ficando. Como ele era gente boa e nos dávamos bem, eu e minha mãe não nos importamos em deixar ele ficar lá em casa”, conta.

TIAGO - reduzida

Em detalhe, o professor Tiago Dallapicola

Já o professor Tiago Dallapicola conheceu por meio do projeto São Petersburgo, na Rússia e hospedou em sua casa um turco. Ele acredita que um bom planejamento é essencial para quem queira começar. “Já sabendo para onde se quer ir fica mais fácil procurar os perfis das pessoas que combinam com você”, afirma.

Outra dica importante, ressalta Sérgio Pereira, é observar se a pessoa que oferece ou procura estadia tem boa referência para evitar entrar em furadas. “É sempre bom ler o perfil completo da pessoa. Lá você fica por dentro de todas as especificações sobre as regras da casa, os hábitos, se existem animais e pode verificar se a pessoa tem a conta certificada pelo site.”

Além do benefício de uma hospedagem gratuita, o programa possibilita a troca de experiências entre os participantes. A pessoa é imersa diretamente na cultura e costumes do local onde visita. “Um hábito muito comum entre os surfers é levar alguma comida típica do seu país de origem como agradecimento pela estadia”, explica Rafael Darrouy. Em uma questão todos são enfáticos, quem hospeda e guia um turista acaba por conhecer a própria cidade muito melhor.

Nem tudo são flores

Entretanto, nem toda a história envolvendo o couchsurfing é positiva, existem relatos de furtos, abusos sexuais, assédio, entre outros tipos de problemas. Em 2009, de acordo a Revista Visão, edição semanal portuguesa, um jovem de Lisboa afirma que se arrependeu de ter recorrido à comunidade para passar duas noites em Nova Iorque.

Segundo a publicação, o jovem chegou à casa da mulher que o acolheu muito bem no primeiro dia, mas na segunda noite ele se sentiu estranho e percebeu que estava sendo drogado. Por sorte, ele conseguiu compreender o que se passava e escapar antes que alguma coisa pior pudesse acontecer.

O estudante de Medicina, Rafael Darrouy afirma que nunca passou por grandes problemas enquanto ofereceu estadia ou foi hospedado. “Tive apenas um momento que não foi muito bacana, mas nada grave. De resto, todas as outras vezes tive ótimas experiências”, conta.

Outro caso foi publicado pelo website do jornal inglês Daily Mail em 2012, sobre uma chinesa que procurou hospedagem para uma de suas viagens e acabou sendo abusada sexualmente pelo anfitrião.

A vítima afirmou que se sentiu profundamente humilhada com o acontecido e que, assim que conseguiu escapar, prestou depoimento sobre o caso à policia na época. “Infelizmente existem pessoas mal intencionadas em qualquer lugar do mundo, por isso é importante se certificar ao máximo para a casa de quem você está indo. Viajar sozinho nem sempre é a melhor opção; geralmente, ir com algum companheiro dá uma sensação maior de segurança”, afirma Sérgio Pereira.

Serviço

– Acesse: www.couchsurfing.org

– Encontros abertos ao público todas as terças-feiras, a partir das 20h, no Restaurante Canto da Roça, localizado na Rua João da Cruz 280, Praia do Canto – Vitória/ES

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