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*As fotos utilizadas fazem parte do Projeto 1:4, e são de autoria de Carla Raiter. Você confere também uma entrevista com ela e com Caroline Ferreira, responsáveis pelo projeto, neste site.

A violência no atendimento ao parto é sofrida por 25% das mulheres em nosso país. Em um momento envolto por uma atmosfera de expectativa, essas mães têm muito a dizer, mas nem tantos para ouvi-las

Esther Radaelli, Maíra Mendonça e Thaiana Gomes - Ana acordou enrolada em um lençol, sozinha no quarto; quando foi se mexer percebeu que havia algo estranho. Ao olhar para o seu corpo, viu que ainda estava suja de sangue. Depois do parto, a equipe médica a enrolou no pano e a deixou por lá, em um quarto sozinha. Desde o princípio, quando foi internada, depois que teve um leve sangramento, não a deixaram ser acompanhada nem pelo marido, nem pela mãe. Isso aconteceu há mais de 20 anos em um hospital militar no Rio de Janeiro.

Aos 23 anos, grávida de seu primeiro filho, ela era a mais velha naquele dia esperando bebê. Chegou ao hospital às quatro da madrugada; disseram que ela estava sem dilatação e precisava esperar.  Logo foi para o quarto onde havia várias outras grávidas. Ela lembra que os leitos eram divididos por biombos, mas conseguia ver o vulto da moça que estava deitada na cama à sua frente. Não conseguia ver bem as feições. Lembrando-se daquele momento, ela brinca: “eu sou míope, nessas horas eu agradeço“.  Em um dado momento, uma enfermeira se aproximou e disse: “você está vendo aquela ali?”. Respondeu que sim. Vendo, vendo não estava, mas sim. A enfermeira continuou: “ela não vai sair com o neném daqui”. O bebê estava morto. A equipe médica estava esperando que ele saísse de modo natural. Ana relembra: “inclusive, a mãe dela estava do lado de fora conversando com minha mãe sobre isso. E a menina não sabia sobre o bebê”.

O tempo passava, mas Ana ainda não tinha começado a sentir contrações fortes. Ela sentia uma pressão da equipe de enfermagem à sua volta. Falavam das grávidas que chegaram depois e já tinham parido. Às quatro horas da tarde romperam sua bolsa. Tentaram levá-la duas vezes para o local onde seria o parto, mas Ana estava fazendo força contrária e não conseguia empurrar o bebê. “Depois que romperam a bolsa comecei a sentir dores mais fortes. Passou seis horas. Quando começou o Fantástico uma médica veio para mim e falou assim: ‘ó, vamos ter esse neném logo que meu plantão está acabando’, eu virei pra ela e falei: ‘mas eu não sei o que fazer’.” Ana diz que até hoje tem trauma da música do Fantástico. Quando chegou dez horas da noite, a levaram de novo para a mesa do parto. Ela começou a perceber uma sensação estranha entre os médicos; a bolsa já tinha sido estourada havia horas. No momento, ela se lembrava daquela menina que tinha perdido o filho, das outras que estavam do lado dela, “muitas gritando que estavam com dor”.

Mas nesse momento apareceu um médico, segundo ela moreno, magro e pequenininho. “Faço questão de me lembrar dele, porque ele que deu o apoio que eu precisava naquele momento. Ele pegou minha mão e falou bem assim: ‘vou te ajudar, você só tem que fazer força; quando eu falar você tem que confiar em mim’.” E assim foi. Ele se apoiou sobre a barriga dela e não deixou que o bebê voltasse. Quando a criança começou a sair, Ana queria logo saber o sexo, seu marido tinha preferido que ficasse a surpresa. Ela perguntou para a médica presente, “doutora, é o quê?” e ela respondeu “ainda não saiu o resto, é tudo igual até agora, não terminou de sair ainda”. Então, ela nasceu, nasceu na hora certa. Um pouco mais poderia ter custado muito. Era uma menina. Malu. Fizeram a limpeza do bebê e, depois disso, enrolaram a mãe em um lençol branco. Naquela primeira noite, ela não passou com Ana. “Acho que por causa do meu estado, um pouco debilitada”.

Ao acordar e perceber que estava toda suja, arrancou o lençol, que estava agarrado na pele. “O pano grudou de tal forma em mim que na hora de puxar chegou a machucar a pele, porque passou a noite aquilo grudado; eu estava muito nervosa e arranquei com vontade.” Ela levantou, tirou a roupa de cama, tomou banho, lavou a cabeça e colocou uma roupa limpa. Sua mala estava no quarto. Quando a enfermeira apareceu e viu o monte de roupa de cama perto da porta, foi tirar satisfações com Ana: ” ‘o que você fez?’, eu disse: ‘o que eu fiz não, o que vocês fizeram comigo?’, ela respondeu: ‘você não podia ter feito isso antes do médico aparecer aqui’, respondi ‘eu já apertei essa campainha, estou há mais de meia hora apertando essa campainha, estou com fome’ “.

Depois, Ana descobriu que duas amigas também tiveram problemas com o mesmo hospital, mas não falaram nada para não assustá-la, pois não tinha opção de ir para outra instituição. Uma delas levou 32 pontos num parto normal. Nenhuma das duas teve um segundo filho. “É o tipo de situação que só quem passa sabe o que é. É um momento tão especial para você, era o primeiro filho, é uma expectativa, uma preparação”, reforça Ana.

Aos 39 anos, ela teve uma surpresa. Estava grávida pela segunda vez. Todas as vezes que pensava em ter outro filho, se lembrava de tudo o que tinha passado na primeira vez. “O medo não foi da idade, o medo que veio à cabeça foi exatamente o desse sofrimento todo”.

Mas dessa segunda vez foi diferente, pois o médico que a acompanhou por toda a gravidez lhe passava segurança. Fez cesárea não por causa da idade, mas porque o médico achou melhor para tranquilizá-la, já que pensava que ela poderia ficar muito tensa no momento do parto. E assim João nasceu.

Hoje Ana tem 45 anos, Malu, 21 e João, 5.

(Os nomes usados neste texto são fictícios. Pelo fato de a história ter ocorrido dentro de um hospital militar, que envolve questões como hierarquia e possíveis retaliações, os dados que identificariam as pessoas da história foram removidos). 

Violência Obstétrica

Leia também: Entrevista com responsáveis pelo Projeto 1:4.

Violência Obstétrica

De cada quatro mulheres, uma já sofreu algum tipo de violência obstétrica. Foi a esse número que chegou uma pesquisa feita em agosto de 2010, pela Fundação Perseu Abramo e pelo SESC. Foram entrevistadas 2.365 mulheres. Das violências sofridas durante o atendimento ao parto, as que tiveram os maiores números de queixas foram: realização de forma dolorosa do exame de toque (10%), terem negado a elas ou deixado de oferecer algum alívio para a dor (10%), terem gritado com elas (10%), não terem sido informadas sobre algum procedimento a que foram submetidas (9%), ter tido atendimento negado (8%) e terem sido xingadas ou humilhadas (7%).

Mas é preciso lembrar que essa violência pode se dar de maneira bastante sutil e muitas mulheres não conseguem nem mesmo externar de forma clara esse sentimento incômodo. A psicanalista e professora do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Cláudia Murta, reforça: “não é só tratar mal, pode ser sutil, por exemplo, quando se forjam inverdades para as mulheres, o que chamamos de mito, como dizer que a mulher não tem passagem, não tem dilatação, levando a uma cesariana desnecessária, sendo que muitas vezes isso não impede que ela faça o parto normal. E uma cesariana desnecessária já é uma violência.” Outro problema apontado pela professora está na despersonalização do atendimento. Quando você deixa de ser atendida como pessoa e passa a ser reconhecida só como uma função.  “Outras violências são a presença de muitos examinadores na hora do parto; uma tecnologia muito avançada que gera frieza (protocolo frio), o isolamento da paciente, a restrição da presença de familiares, o comportamento inadequado dos funcionários – palavras, gestos, falta de atenção, impaciência. A famosa frase: ‘Na hora de fazer foi fácil!’ Então uma equipe humanizada é uma equipe mais fortalecida”, enumera Claudia Murta.

Letícia Rios é fisioterapeuta e doula. Ela explica que a doula “é a pessoa que presta um serviço de informação durante o pré-natal para que a gestante se sinta segura e conheça todas as possibilidades que ela terá para frente. E isso é humanizar, dar o direito de escolha. Durante o parto também damos esse suporte físico e emocional. Rodeamos a mulher, dando um abraço na hora certa, uma palavra amiga, para que ela se sinta amparada e segura para fazer algo que é próprio seu.” Ela trabalha há um ano como doula aqui no estado e já acompanhou dez partos.

Para Letícia, no Brasil, a mulher que opta pelo parto natural tem poucos recursos desde o início. Muitos hospitais ainda fazem com que as mulheres fiquem deitadas, mesmo existindo evidências científicas que comprovam que é melhor que ela caminhe enquanto está em trabalho de parto. Letícia recorda ainda as mulheres que conheceu e que foram submetidas a violência de todos os tipos. “A gente vê no trabalho que eu faço de reeducação perineal – tratamento fisioterapêutico que visa a recuperar a região perineal após o parto normal. Muitas falam que foram cortadas, que seus maridos as acham ‘largas’. Algumas mulheres são tão maltratadas durante o parto normal ou ficam impossibilitadas de decidir pelo tipo de parto e acabam optando pela cesárea”, afirma.

Esta é uma discussão pouco feita no Brasil. Quantas vezes você já ouviu falar de violência obstétrica e de humanização do parto? Mesmo assim, existem algumas iniciativas que buscam tratar dessa questão. Um exemplo é o Humaniza SUS. A Política Nacional de Humanização (PNH), lançada em 2003, que, segundo o Ministério da Saúde, tem o objetivo de “estimular a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento de relações de poder, trabalho e afeto”.

Mas o caminho até lá é bastante longo. Segundo a pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo e pelo SESC já mencionada, das mulheres que sofreram violência, 27% utilizaram a rede pública e 17% a rede privada. Por mais que se perceba que a violência permeia os dois sistemas de saúde do país, o número é mais alto na rede pública.

Para nascer em paz

Foi lendo que Cariny Cielo, servidora da Justiça Eleitoral, hoje com 34 anos, descobriu que tudo o que haviam feito com ela no hospital, no nascimento do seu primeiro filho, foi errado, desnecessário, violento, desaconselhável. E que a instituição não estava preparada para lidar com uma mulher em trabalho de parto, fisiologicamente falando. “A humilhação que ouvi da técnica de enfermagem tinha nome; que o olhar de pena do médico pra mim tinha nome; que a peridural, o enema, a restrição dos movimentos, tudo isso tinha nome.”

Cariny entrou em trabalho de parto às 2 horas da manhã, e foi para o hospital sentindo muitas dores. Naquele dia, ela recebeu a anestesia peridural. Ela não teve nenhuma orientação do médico sobre o parto, e as conversas eram sempre muito evasivas. Durante a sua estada no hospital, os procedimentos foram: acesso venoso;  troca de roupa;  peridural;  toques e controle de pressão. Durante a aplicação da anestesia (duas vezes), Cariny sentiu uma pressão muito forte na cabeça, entupimento no ouvido e náuseas.

“Pedi ao meu marido para questionar o médico sobre o porquê da reaplicação da peridural. Segundo o profissional, a primeira aplicação tinha sido muito alta, e que outra seria aplicada na parte mais baixa da coluna. Fiquei três, quatro horas deitada na cama, com a peridural e no soro, esperando o parto. Esse era o ‘modelo de trabalho de parto normal’ do médico, conclui. Após a medição dos batimentos cardíacos do bebê, o médico alertou que ele estava apresentando taquicardia e que se aquela situação permanecesse, haveria necessidade de uma cesárea.  Cariny disse que começou a chorar. Às 6h52, o filho de Cariny chegava ao mundo.  A cirurgia foi feita em uma instituição particular, local em que a maioria dos nascimentos são por cesárea.

Cariny conta que nunca havia parado para pensar quando foi que se deu conta da violência. “Foi tudo tão tsunâmico. Lembro que quando engravidei pela segunda vez, fazia um ano que eu tinha feito a cesárea. No exato instante eu pensei: ‘agora eu quero diferente’.  Então, ela começou a vasculhar informações sobre parto, na internet, e se deparou com o “Amigas do Parto”. “Conheci o grupo e escrevi para médico gaúcho Ricardo Herbert Jones. Ele me respondeu e disse que um parto normal após cesárea não só era possível como recomendável”.  Ela diz que guarda o e-mail do médico até hoje, e que ele está no livro do bebê do filho.

Violencia Obstetrica 4

Vozes Unidas

Após o parto do primeiro filho, Cariny diz que lembra da tristeza que sentiu, do luto, da frustração. Lembra-se pontualmente da dor que sequer podia ser dita, pois ela não tinha o direito de estar triste já que estava viva, ela e o bebê. “O que me salvou foi a amamentação; me entreguei a ela com um único pensamento: isto aqui ninguém me toma!”. Ela amamentou o filho com gana, como se quisesse salvar, diz.  “Eu chorava no banheiro, parecia uma saudade da barriga, misturada com vergonha e com frustração. Arrependimento, raiva do médico”, desabafa. 

“Só me dei conta do quão havia sido profundo esse trauma do parto, quatro anos depois. Em 2011, grávida do terceiro filho, fiz pré-natal com o mesmo médico do primeiro parto. Quando eu entrei no hospital, grávida, senti aquele cheiro, aquela atmosfera, senti-me mal. Comecei a chorar, voltei pra casa. Revivi, ali, a dor que vivi naquele ambiente alguns anos atrás”. Ela pontua que no pós-parto muitas coisas mexeram com ela, e que ficou, também, muito focada na primeira cesárea. Ela achava que aquela tristeza era pelo fato de ter um temperamento perfeccionista e pelos hormônios do puerpério. “Minha mãe era uma que não me deixava chorar e sempre falava ‘Onde já se viu, sua cesárea foi salvadora.’ E eu segui adiante, mas o trauma estava lá, guardadinho.”

Cariny foi uma voz que se uniu a tantas outras para dar vida ao documentário “Violência Obstétrica: A voz da brasileiras”. “Resolvi participar do documentário para falar sobre a minha dor. Ela já não doía mais depois de tantas vivências maravilhosas com os meus filhos, depois de toda a militância, o servir à causa do nascer em paz. Mas faltava falar da violência que sofri. Falar dessa violência silenciosa, sorrateira, que nos rouba da nossa essência e nos joga na frieza da tecnocracia e da artificialidade.” O vídeo é uma ação coletiva, que foi organizada por usuárias dos sistemas de saúde públicos e privados, pesquisadoras e profissionais da área com o objetivo de promover o debate, sensibilizar e denunciar a violação dos direitos das mulheres no parto.

Humanização do parto e empoderamento da mulher

O período da gravidez é o momento em que a mulher deve ser tratada bem em todos os setores da sociedade, incluindo o trabalho e outros ambientes que ela frequenta, certo? Mas, segundo a professora Cláudia Murta, essa não é a regra. Cláudia explica que, historicamente, o preconceito social existente em relação ao sexo feminino se potencializa no momento em que a mulher se descobre grávida e se estende até o fim da amamentação. Pequenos comentários, histórias ruins e piadas de mau-gosto são alguns dos componentes de um cenário de violências sutis, sofridas cotidianamente – e muitas vezes inconscientemente – pelas gestantes e que têm seu ápice no momento do parto, quando pode se manifestar, também, em forma de violência física. “É como um não reconhecimento. É como se a mãe em potencial ou a mãe que acaba de surgir incomodasse. É como se ali a mulher demonstrasse todo esse poder, que ninguém quer ver”, esclarece. Sendo assim, conforme afirma a professora, a intensificação do processo de hospitalização das parturientes – é válido saber que a partir da década de 1980 houve um aumento significativo do número de cesáreas realizadas em hospitais – simboliza uma tentativa de retirada de parte desse poder da mulher, que é dar à luz. “Ela perde sua autonomia, seu papel protagonista. E fica uma guerra de poder, o poder da feminilidade e o poder médico”, conclui Cláudia.

Um dos principais objetivos do parto humanizado é o empoderamento da mulher, ou seja, o reconhecimento de seu poder como protagonista de seu parto. O parto humanizado não se restringe ao parto natural. Segundo Claudia, trata-se de uma tentativa de resgatar a dimensão humana da medicina, que se perdeu por muito tempo em detrimento de uma visão tecnicista proveniente da modernidade. Com a humanização do parto pretende-se dar todo o suporte físico e psicológico que as mulheres necessitam naquele momento, informando-a sobre todo o processo, apoiando-a e respeitando suas escolhas, independente do tipo de parto.

Para que ocorra efetivamente, a humanização não deve se dar de forma isolada. É um esforço transdisciplinar que envolve toda a equipe, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas. “Eu acho que o trabalho em rede é a grande saída para a violência. Pois a violência fica num nível de um para um. É violento quando um funcionário mal preparado vai lá e te ataca; é violento quando te veem como um corpo sem qualidades. Então é nesse sentido, quando você tira esse poder da mão de um só, quando você trabalha em rede, que a humanidade ganha. A humanização, que para mim é uma saída para a violência, tem que ser uma política pública”, pontua a professora Cláudia.

“Como você é poderosa, como você é forte”.

Aos 39 anos, Enara Olímpio Ramos Pinto descobriu que estava grávida pela terceira vez. Nas duas gestações anteriores seus partos foram feitos por meio de cesáreas, embora ela sempre tivesse vontade de fazer um parto natural. A vontade era tanta que durante a segunda gravidez Enara chegou a pedir para fazê-lo, decisão que foi contrariada pela obstetra na última hora, quando sua bolsa já havia rompido. Apesar de não se queixar do tratamento que recebeu, ela não esconde a decepção por sua escolha não ter prevalecido. “Depois que eu tive neném, eu tive uma sensação de frustração muito grande. Foi horrível, parecia que algo havia dado errado e na verdade não tinha. Talvez isso até tenha prejudicado um pouco a amamentação. Alguma coisa saiu da minha idealização que, por circunstâncias médicas, nem sempre é do jeito que a gente quer. Eu só acho que ali, naquela situação, eu não tive muito apoio”, lamenta.

Por isso, na terceira gestação não houve dúvidas. A decisão pelo parto natural foi tomada desde o início, o que não significa que foi fácil. Por Enara já ter passado por duas cesáreas, foram necessários estudos para garantir que nem a mãe e nem o bebê se submetessem a riscos. Só após essa garantia o parto natural foi realizado. “Foi muito bom, pois desde o início houve um respeito quanto às minhas escolhas. Esse processo de diálogo, de preparação com a doula foi muito importante, e também a participação do meu marido e da minha mãe no parto. Meu marido olhou para mim e falou: ‘nossa, como você consegue? Como você é poderosa, como você é forte. Eu jamais conseguiria’, recorda Enara.

A maternidade do Hucam e o Grupo Parthos

Para o diretor da divisão de Toco-Ginecologia e coordenador da Residência Médica de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), Justino Mameri Filho, o parto normal, em situações que não apresentem algum risco à mãe ou ao bebê, é sempre a melhor opção. “Para a criança, o trabalho de parto normal tem benefícios, pois  durante o período das contrações uterinas, o bebê recebe uma a descarga de corticoides que  complementam o amadurecimento do feto. A própria passagem do bebê pelo canal do parto comprime o seu tórax e faz com que ele elimine líquidos pulmonares”, explica ele. No entanto, pelo fato de atender pacientes com gestação de alto risco, na maternidade do Hucam cerca de 90% dos partos são feitos por meio de cesáreas, o que não impede que o atendimento às mulheres ocorram de forma humanizada, garantindo, por exemplo, o direito das pacientes de ter um acompanhante ao seu lado.

Fonte: Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

Pelos corredores da maternidade do Hucam também circulam os integrantes do grupo de pesquisa e extensão Parthos, do curso de Psicologia da Ufes, que visa, entre outros objetivos,a realizar um trabalho de intervenção no hospital, buscando estimular o diálogo entre médicos e pacientes e levando adiante as possibilidades de um atendimento e de uma interação mais humana entre ambos. Coordenado pela professora Cláudia Murta (área de pesquisa) e pelo professor Justino Mameri (área clínica), o nome do grupo é o resultado da junção de duas palavras, que unidas tornam-se mais fortes: “parto” e “pathos“, que em grego significa “paixões”.

Camila Marchiori está no 7º período de Psicologia, há três anos participa do Parthos e está compondo a equipe do projeto no Hucam faz um ano. Ela explica que tem sido um desafio trabalhar com a área psicológica em um ambiente que leva mais em conta aspectos biológicos. Mas o trabalho do Parthos conseguiu seu espaço e atua na perspectiva da humanização tanto na escuta das mulheres, quanto da equipe médica.  “Atender a mulher é muito rico, ela é multi,” diz Camila sobre essa experiência.

 

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Comentários 3 Comments

  1. Pingback: Matéria sobre a Violência Obstétrica. A Clínica Gerar deu sua contribuição. | GERAR

  2. SILVINO DIAS DE CASTRO FILHO 9 de agosto de 2013 at 20:33 — Reply

    Quero disse que pode contar com meu apoio, eu sou vereador Silvino Castro da cidade de Ribeirão Pires-SP, foi muito importante esta matéria que vocês publicaram, nesta quarta-feira 07-8,informo que na sessão ordinária da última quarta-feira, 07-08, entrou com um projeto de lei que “Dispõe sobre a implantação de medidas de informação à gestante e parturiente sobre a Política Nacional de Atenção Obstétrica e Neonatal visando, principalmente a proteção destas contra a violência obstétrica na Cidade de Ribeirão Pires- SP.”, o mesmo foi encaminhado para as comissões e deve ser votado em plenário até o fim de agosto.
    Para conscientizar mais os vereadores , que vocês estão sabendo deste projeto de lei, e na oportunidade enviasse as materiais que tem, afim de fortalecer mais a aprovação deste projeto.
    Gostaria de saber o e-mail de voces, para enviar o projeto completo, assim que for aprovado, irei acionar outros vereadores de outros municípios, afim entrar também com o mesmo projeto.

  3. Universo Ufes 12 de agosto de 2013 at 8:46 — Reply

    Silvino, muito obrigada por nos informar sobre esta ação.
    Nos mantenha informados pelo nosso e-mail: universoufess@gmail.com.

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