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(Leandro Reis e Rebeca Santos)

Ecoa entre os becos
E avenidas da cidade presépio
Costumes e tradições
Boemias, irreverências, paixões
Outrora a se banhar no mar
Costa Pereira ainda hei de encontrar

O flerte nos bancos da praça
E conversa fiada, papo furado, samba e carnaval.

Eu sou a verde e branco
Pioneira e mais querida
Meu canto é forte
Minha fama ninguém tira

Irreverente é meu jeito
A bateria é quem diz
Meu samba é raça, é força, é raiz.

O comércio fascinante conquistou a burguesia
De elegância singular
E a noite vira dia, mil acordes ao luar
E se a fonte secar
Vamos nos alegrar nessa folia
A Rua Sete é minha oitava maravilha.

Se essa rua fosse minha brincava o meu samba
No berço volto a ser criança
O meu coração explode em saudades
Sou Piedade.

O samba-enredo de 2009 apresentado pela Unidos da Piedade homenageia e conta um pouco da história da Rua Sete de Setembro, e que hoje ainda se mantém como ponto cultural importante na capital.
Ela nasceu se chamando Rua da Várzea, no fim do século 19, onde moravam os mais abastados. Depois, se transformou em Rua do Reguinho, até que, em 1822, ganhou o novo nome por causa das comemorações do centenário da Independência do Brasil. Era uma das principais ruas de Vitória. Abrigou a sede da Prefeitura, uma linha férrea, a redação do Jornal “O Diário”, a Companhia de Energia Elétrica, e, até hoje, a pioneira escola de samba Unidos da Piedade, como conta Edson Rodrigues Nascimento, o Edson Papo-Furado:

“Nessa época tinha por ali a redação do Jornal O DIÁRIO, que era outra atração do pedaço, por onde subiam ou desciam as antigas batucadas “Chapéu de Lado” e “Amarra o Burro”, que mais tarde se transformariam na minha Escola, a Unidos da Piedade”.

A Unidos da Piedade nasceu em 1955 e se fez um marco da Rua Sete junto com a Lanchonete Sete e o Britz Bar, que não ficava exatamente na rua. O bar era como uma parada obrigatória para os jornalistas do Diário e de gays, prostitutas e gente de todo o tipo, como conta o jornalista Pedro Maia:

“(Para mim) de boêmia a Sete de Setembro nunca teve nada a não ser o velho e saudoso bar Britz, do não menos saudoso Eduardo Parú, que balançou o centro de Vitória em uma época de repressão política e muita esquerda

festiva. Era ali que a chamada “inteligentzia” da época se reunia”.

E prossegue:

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“Dos tipos populares que frequentavam o pedaço, nos lembramos do Moacir Bacana, um irrecuperável conquistador de domésticas; do Fernando Pau-de-Arara, policial que ali morou por muito tempo; do Raul de Oliveira, Betinho Loroza, Fernando Tatagiba, Fernando Rezende, o “Neném Bandalha”, filósofo e uma espécie de cientista político daqueles tempos; o Otinho e sua mulher Rosa, meio pancadas porém queridos na área; o vereador Ataré Castro, uma das primeiras bonecas a se assumir na província de então e muitos outros que compunham a fauna noturna se dividindo aos grupos entre a rua Sete, a Graciano Neves e a Praça Costa Pereira, então o triangulo dos notívagos do centro de Vitória.”

Na década de 90, o Britz Bar fechou suas portas. Iniciou-se a fase mais tranqüila da rua, que dava lugar a um importante centro comercial.

Novo século, nova fase

V

Mesmo sem o Britz, a Rua Sete não perdeu sua verve boêmia a partir dos anos 2000. Ainda estão lá o Bar Bimbo, o do Gegê e o do Nei, onde até hoje, diuturnamente, é possível encontrar Edson Papo-Furado, que se diz um apaixonado pela Rua. E é exatamente ao lado do Bar do Nei que nasceu, em 2007, o ateliê Casa Aberta, local de cultura e arte. Stael Magesck, atriz, estilista e dançarina, foi morar no Centro por ser apaixonada pelo local. Lá, teve a idéia de ter uma casa aberta a toda a comunidade em que pudesse mostrar seus trabalhos.

“Vim morar na Rua Sete sonhando em ter um espaço artístico e abri-lo para a comunidade, até encontrar essa casa, da qual eu não saio nunca. Comecei a promover eventos que misturam moda, poesia, música e escultura, quando, de repente, percebi que já tinha virado uma Casa Aberta. Um foi falando pro outro e hoje nossos eventos já se misturam com os bares e com toda a Rua Sete”.

Os eventos acontecem durante todo o ano recebem pelo menos 300 pessoas. Recentemente, a Rua Sete passou por uma revitalização, e ainda atrai blocos de carnaval, como o Regional da Nair, o Cine Rua Sete, que neste ano está em sua segunda edição, e também projetos de Cultura promovidos pelo Governo do Estado.

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