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(Rayssa Santos e Daniely Borges)

O fascínio de uma criança pelas notas tocadas no piano pela avó, na sala de casa, cresceu junto com o menino José. Aos sete anos, ele ficava ali ao lado do instrumento com ouvido e mente atentos aos sons que ressoavam. O menino tornou-se jovem e escolheu seguir o caminho daquela arte sonora que lhe acompanhara durante a infância. Reunia-se com músicos que o incentivavam e compartilhavam tempo e conhecimento musical.

O prazer pela música desde muito tenra idade já estava presente no maestro José Viegas Muniz Neto. Com apenas 16 anos ele se ofereceu para reger o coral de um colégio na sua cidade natal, São Paulo. Seu talento foi reconhecido, e ainda jovem chegou a se apresentar no palco da apresentadora Hebe Camargo.

À medida que o tempo passava, Viegas desenvolvia seu dom. Estudava no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em Piano – Virtuosidade. Paralelamente, Viegas se formava no curso de Ciências Jurídicas pela Universidade Mackenzie e tinha uma carreira promissora pela frente. Mas, a paixão e a vocação pela música o envolviam cada vez mais neste universo e ele não conseguia mais deixar a musicalidade de lado. Com 25 anos se tornou regente assistente da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

 O maestro ganhou bolsa para estudar no Conservatório Real de Haia na Holanda, onde permaneceu por cinco anos.

Aprimorou o conhecimento e deixou sua marca registrada em países como França, Itália, Alemanha, onde se apresentou com outros mestres consagrados. Após uma trajetória de conquistas e realizações, anos mais tarde, voltou à sua terra natal. Em São Paulo, ele descobriu mais uma vocação dentro da música – a de lecionar. Ficou anos na carreira até se aposentar com o título de Livre Docente em Regência na Uni­versidade Estadual Paulista (Unesp).

 

Aposentadoria e recomeço: nasce o Coral Integração

DSC_0003 A aposentadoria não foi capaz de tirar seu desejo de viver com a música. Veio para o Espírito Santo para tratar da saúde de sua esposa e ficou em Guarapari. Lá, ele descobriu que podia voltar a atuar na área. Em 2000, prestou concurso para professor efetivo na Ufes, onde se realizou mais ainda.

“Escolhi aquilo que mais gostava de fazer em minha vocação: a regência de coros e orquestra,” afirma.

A partir daí, a universidade ganhou mais do que um professor, ganhou um aliado da cultura e da arte.

Viegas fundou como Projeto de Extensão o “Coral Integração”, cuja função principal é agregar a comunidade acadêmica em torno da música, para desfrutá-la, para descobri-la. “O objetivo era fundar um coral que abrangesse toda a comunidade para levar a cultura musical, da universidade a todos”, destaca. A meta foi cumprida. Hoje, o coral é formado por estudantes de diversas áreas. Pessoas que amam a música, mas não necessariamente têm conhecimentos técnicos ou pretendem seguir carreira, mas apenas sentem necessidade de vivenciar a beleza musical.

Ao olhar para a trajetória de vida, com mais de 50 anos de carreira, Viegas deixa claro essa foi a melhor escolha que fez: “Eu faço música com muito prazer, vim de outra área, mas troquei tudo pela música”, comenta satisfeito.

Aquele menino que se encantava com os sons produzidos ao toque do piano tocado pela avó, amadureceu encantando as pessoas com sua forma de fazer música. Hoje, após alcançar todo o reconhecimento e carinho do público, Viegas despede-se de alunos, ex-alunos e professores por meio do Concerto “Música na Ufes”, que será realizado nesta terça-feira (03) às 19h30, no Teatro Universitário da Ufes.

A despedida não é o fim do projeto e nem da vocação do professor.

“O trabalho deve continuar, pois é de grande utilidade e alguém deve assumi-lo. Não vou deixar a música. Hoje, posso optar por aceitar trabalhar com ela ou não. Não trabalharei com fins lucrativos, mas quero ajudar os colegas com materiais, com o conhecimento que adquiri em minha carreira”, comenta realizado.

Homenagens dos coralistas

Viegas se aposenta e deixa saudades. Aqueles que aprenderam com ele a apreciar música, o homenageiam com palavras que demonstram gratidão e admiração pelo trabalho. É o que demonstram os coralistas.

“O Coral Integração, juntamente com a disciplina “Madrigal” proporciona um contato com música de qualidade a pessoas que muitas vezes não estudam o curso. Cantar é uma ferramenta de musicalização, atua no desenvolvimento, e aprimora as habilidades de quem já é músico. E o professor Viegas é muito bom neste trabalho, pois viabiliza o acesso de diversas pessoas ao grupo em função de ‘integrar’. A disciplina contribui tanto aos integrantes, quanto aos ouvintes que podem apreciar música de qualidade por meio de um grupo que mesmo sendo amador, produz um trabalho proeminente,” afirma o estudante Paulo Roberto Nunes Junior.

Para a estudante de Comunicação Social, Angélica Freitas, fazer parte do coral acrescenta coisas boas a sua vida. “Participar da disciplina ministrada pelo professor Viegas é enriquecedor. Por meio dela, conhecemos canções, sinfonias e fazemos amizades que se fortalecem a cada ensaio. Além disso, o aprendizado é contínuo e gratificante”.

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