As faces de Elton Pinheiro

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(Michelle Terra)

Elton Pinheiro é um artista de múltiplas faces: cantor, compositor, poeta, artista visual. Seu lado escritor se mostrou quando lançou um livro de poemas, chamado Orações com vícios de linguagensLançou no ano passado o disco Lavrador, seu primeiro trabalho gravado em estúdio.

Seu entusiasmo pelo seu CD é contagiante, e foi com essa paixão que ele viajou pelo interior do Espírito Santo divulgando seu trabalho, como parte do projeto Circulação Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Seus vários lados se fundem em seus trabalhos, resultando em um artista completo. Confira nossa conversa.

Como começou sua carreira? Há quanto tempo está na estrada?

Comecei tocando meu trabalho em bares no Rio de Janeiro, em 1997. De lá para cá procurei uma forma de gravar minhas canções, até que consegui.

Já ganhou algum prêmio? 

O poeta Sérgio Blank me indicou para o Prêmio Taru Literatura, em 2008. Ainda mais significativo que o prêmio teria sido para mim, a indicação do querido Sérgio Blank, que é genial, me honra.

Como define seu estilo musical?

Isso eu não sei… Quanto aos estilos, vejo uma falência neles. Quanto à canção, não vejo sentido em continuar com a MPB senão para propor algo sonoro e estrutural através dela. E para ela.

Quais são os seus ídolos?

Na literatura James Joyce e Guimarães Rosa. Nas artes visuais Cildo Meireles e Paul Klee. Na canção Noel Rosa, Tom Jobim, Cole Porter, Beatles, Vitor Ramil, Radiohead, Caetano Veloso, Chico Buarque, Guinga.

Se pudesse fazer uma parceria com qualquer pessoa, quem seria e por quê? 

Estou iniciando a pré-produção para um segundo disco com Rodolfo Simor. É um músico talentoso, que faz um uso inteligente da guitarra,com quem já trabalhei junto na execução do show Lavrador. O Carlos Dalla Bernardina Jr, que nos últimos anos tem feito sobre o meu trabalho uma leitura crítica, me desafia. Seria ótimo também trabalhar com Fabiano Araújo, pela erudição harmônica e estética.

Também gostaria de trabalhar novamente com Rodrigo Campello, Eber Pinheiro, e com o cellista Dave Eggar, por ter rara sensibilidade.

Você canta e toca violão. Toca algum outro instrumento?

Também toco piano e viola caipira.

Qual sua inspiração na hora de compor suas músicas? Como foi o processo de gravação do seu álbum Lavrador?

Acredito no desejo de fazer algo (nesse caso, compor). Esse desejo tem de ser irrecusável.

Por e-mail, enviei duas demos para o produtor Rodrigo Campello. A partir do retorno dele, marcamos uma conversa no estúdio MiniStereo-RJ. De início, separei 27 canções, que passaram a ser 16 ou 17 que realmente entrariam no álbum e eu mostraria para eles. Analisando viabilidade e tempo, decidi que faria com 10, mas em conversa com Rodrigo fechamos em 11. E no fim do processo, Eber sugeriu incluir mais uma, ficaram sendo 12.

O álbum foi feito de forma artesanal, com eventos sonoros pontuais e equipamentos analógicos e digitais, percussão eletrônica e acústica, instrumentos diferentes entre si. A co-produção foi de Eber Pinheiro, de quem a escuta foi muito importante para mim, e ajudou a estabelecer meu próprio diálogo com o conceito sonoro que eu procurava. Da escolha do violão (um Di Giogio de 48 anos), passando por equipamentos antigos, novíssimos ou feitos a mão por luthiers, até a escolha dos microfones, tudo que estava ao nosso alcance foi feito para que as canções tivessem esse argumento.

Além de nós três, participaram do álbum Jr Tostoi (guitarras), Marcos Suzano (percussão), C. A. Ferrari (bateria), Everson Moraes (bombardino), Lui Coimbra (cello), Dave Eggar (cello).

E seu livro, como foi o processo de escrevê-lo e publicá-lo?

Escrevi o livro entre 2003 e 2006. São poemas que investigam a vida contemporânea, a superfície dela, o imenso escuro, a densa noite por trás do sorriso doce nessa epiderme. O livro foi editado pela Secult, em 2008.

Quantas apresentações faz por mês? 

No momento, meu foco é na produção de outro álbum. Vou participar do programa Quartas no Teatro, no Teatro Carlos Gomes, e estou trabalhando para um lançamento do show Lavrador também em Vitória.

Como foi sua turnê pelo interior do estado? Como foi a recepção do público?

Foi uma experiência ótima. Rodolfo Simor e Edu Szajnbrum me acompanharam no palco desde o lançamento do álbum Lavrador, e isso foi importante para amadurecer o trabalho, conviver com ele. Através da ótima produção de Moisés Nascimento, toda sua equipe fez um trabalho cuidadoso, e isso se refletiu nas apresentações. O público me recebeu bem, vi que estávamos num diálogo, o mais importante da música.

Se pudesse fazer um show em qualquer lugar do mundo, onde seria? Por quê?

Nova York. Porque é Nova York.

Quais são os prazeres e dissabores de ser músico? 

Gosto tanto disso que não entendo como as pessoas vivem sem.

Indique alguém para ser o próximo entrevistado.

Sugiro o Fabiano Araújo.

 

Confira o trabalho de Elton Pinheiro no seu SoundCloud, e adquira seu CD aqui. Entre em contato com o artista pelo email polifoniamail@gmail.com

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