Romance cenário

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(Lívia Corbellari)

A começar pelo nome, Música de Mobília é um romance incomum e assim são também seus personagens centrais: Felipe, Solidão e o tempo. A narrativa, que ora segue linear, ora é interrompida por intensos fluxos de consciência, torna esse curto romance de apenas 70 páginas uma leitura repleta de sutilezas e metáforas.

Lançado pela Editora Cousa, esse é o primeiro livro de Daniel Vilela, que narra pequenos episódios ocorridos em uma semana de verão num balneário de nome São Miguel. Música de Mobília é dividido em dias pares e dias ímpares e é uma prosa que algumas vezes se faz quase poesia.

“Talvez, seja uma leitura que deixa a pessoa um pouco à deriva, porque ela é muito mais afetiva, depende muito mais que o leitor se embaralhe e se engalfinhe com a obra, do que ir lendo e entendendo palavra por palavra, parágrafo por parágrafo”, explica Daniel.

O autor explica que o título é um termo cunhado pelo pianista e compositor francês Erik Satie para certas melodias que se confundem com o ambiente. “Como o romance lida muito com essa ideia de ambientes, de fragmentos literários que mais procuram ser fiapos narrativos do que uma narrativa plena, creio que eu não poderia buscar outro título senão esse”, afirma.

O livro é o segundo volume da Coleção Cousa Nostra, um selo editorial que reúne a nova literatura produzida no Espírito Santo. O primeiro volume é o livro Catamaran, de Leandro Reis. Os dois jovens escritores foram os escolhidos para inaugurar as publicações pela qualidade e originalidade das obras apresentadas.

Daniel Vilela, de 22 anos, é formado em Comunicação Social pela Ufes e começou a escrever apenas no final de 2009, publicando contos na Revista Graciano, publicação online do grupo de discussão e produção literária Cronópio. Em 2011, ele foi selecionado para o edital da Rede Cultura Jovem para escrever Música de Mobília.

Depois de pronto e publicado na internet, Daniel conta que um amigo indicou a obra aos editores da Cousa que gostaram do livro e sugeriram a publicação. “A partir daí, buscamos o financiamento – que, no caso, foi público – e que permitiu que a coleção Cousa Nostra fosse paras ruas, levando tanto o meu livro quanto o do Leandro”, conta Daniel.

Serviço

Adquira o livro no site da Editora Cousa

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