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(Daniely Borges e Rayssa Santos)

Quando leigos e musicistas começam a discutir a música, surge o questionamento: o que é música boa? É o que te agrada? O que agrada a todos ou o é aquela que recebe várias estrelas em revistas de crítica musical?

“A música é uma só.” Esta é uma frase que marca porque intriga, une ou causa estranheza aos ouvidos dos amantes da música. Essas são as palavras de alguém que se aproximou da música aos cinco anos e, com apenas 19, montou a Orquestra Jovem da Faculdade de Música do Espírito Santo. Para esse maestro, só existe um tipo de música que agrada: “a música boa.”

Expressivo, dedicado e exigente, Leonardo David, marca as pessoas não só pela emoção e talento que transpassa em belos espetáculos, mas também por aproximar, de forma simples e didática, a plateia das grandes obras da música de concerto.

Mas, o que seria “música boa” para o maestro? Talvez esperemos uma resposta que envolva os “clássicos” não tão conhecidos e até um pouco complexos.  Porém, Leonardo nos surpreende com sua visão sobre o que une e emociona as pessoas. Para ele, em diversos estilos musicais, no popular e no clássico, existem coisas boas e ruins.

“A música boa é aquela que deixa o público confortável. Ela agrada. Eu curto vários estilos, por exemplo, tenho em casa CD de Ivete Sangalo, que canta axé”, afirma.

Natural de Vila Velha, Leonardo David começou a aprender piano aos cinco anos, mas logo descobriu um novo instrumento que o encantou mais – o violino, que na época, não era acessível para sua família. Foi nesse contexto que ele descobriu no Serviço Social da Indústria (Sesi), um grande aliado. Por meio de um projeto musical, ele começou a participar como aluno da Orquestra de Câmara do Sesi.

Aos 13 anos, um adolescente nem sempre é disciplinado. Mas não foi bem o caso de Leonardo em relação à música. Ele treinava oito horas por dia, sem cobranças alheias. Sua empolgação era tanta que com apenas duas semanas de estudo já queria tocar violino em uma festa de aniversário.

Diante da vocação e com tanta paixão pela música, Leonardo só queria aprender mais. Estudou com professores da Unicamp (SP), conheceu músicos consagrados e só acrescentou conhecimento ao seu repertório. Mas, aos 19 anos, seu carinho e dedicação pela avó que lhe dera tanta força o fizeram voltar para ficar perto dela, que estava doente. O violinista, no entanto, não desistiu. Terminou seus estudos na Faculdade de Música do Espírito Santo, onde começou a firmar sua carreira.

Adquiriu então um gosto por ensinar e virou professor de violino. Mas, sua vocação não se limitou a isso. Com vontade de levar música de qualidade aos jovens, resolveu montar uma orquestra com seus 15 alunos e convidou mais estudantes que tocavam viola e contrabaixo. Desse experimento, nasceu a Orquestra Jovem da Fames.

Reencontro com o Sesi

Com músicos talentosos e dedicados, ele levou a orquestra para um Festival de Música em Domingos Martins, há cerca de cinco anos. Mal sabia que uma oportunidade de amadurecimento e reconhecimento em sua carreira estava por vir. Após uma  apresentação das “Quatro Estações” de Vivaldi, um dos seus compositores prediletos, Leonardo foi convidado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) para fazer um trabalho semelhante no Sesi.

Era o reencontro entre ele e o seu passado. Depois de anos, não era mais suficiente ser apenas um bom aluno, mas sim se tornar um mestre que além de proporcionar conhecimento a outros estudantes, pudesse também levar música boa a todos.

Ele conta que não tinha pensado em virar maestro. “Eu não tinha pretensão de ser regente, mas em 2008, o Sesi pediu para eu fazer um curso de regência. Fui para Olinda e participei como ouvinte. No último dia, mostrei meu trabalho. O resultado: fui para a Itália e regi orquestras na América Latina. Toquei com um grande mestre, Isaac Karabtchevsky, maestro brasileiro, reconhecido principalmente no exterior. Isso foi um divisor de águas para mim”, destaca.

Hoje, como maestro titular da Orquestra Camerata Sesi e maestro adjunto da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes), Leonardo David fala sobre a responsabilidade que tem.

“O regente é o advogado. Tanto para os músicos, quanto para o público. Trabalhamos com entretenimento dos outros. O resultado final é a apreciação do público. O nosso objetivo é emocionar vocês, tocar a aura.”

Com essa finalidade, ele leva, por meio da Camerata Sesi, música de qualidade para a indústria, comunidade, escolas e presídios. A responsabilidade social e cultural faz parte das funções da orquestra. “Aqui, temos cursos de música para quem quiser. Tem aulas de viola, violino, contrabaixo e piano. É só se inscrever nas oficinas.”

Sobre o reconhecimento e apreço do público em relação à música de concerto no Estado, Leonardo conta como atrai a plateia, além da qualidade musical.

 “O nosso papel é aproximar as tribos. Nos concertos, tenho uma didática. Falo sobre a história e o contexto das obras. Assim, as pessoas passam a conhecer esse universo com outra percepção e começam a gostar. Hoje, o Brasil vive um reavivamento cultural. As pessoas precisam de algo a mais. A música faz isso.”

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