Pare o caos; hora de meditar!

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Sentado ou deitado sobre uma canga colorida, longe da rotina entediante que sufoca, afastado do caos que atormenta e faz aflorar doenças no corpo e na mente, a vida parece  rastejar no escuro. Olhos fechados, olfato e tato aguçados. Dinheiro, pressa, fome, trabalho, família… preocupações não atrapalham a concentração. Nada de tristeza, nem de dor, apenas a contemplação do ambiente é o que resta. Ao fundo, o sol ilumina as águas do lago que refletem sombras dançantes às margens, energizando, assim, o parque. O soprar do vento, lento, refresca a alma e refrigera o ser. A cada balançar, árvores deixam cair folhas e frutos na grama, como se fossem presentes divinos vindos do céu. Pensar em tudo o que nos norteia, enquanto os olhos repousam, parecer ser uma tarefa árdua. Mas, o yoga, principal disciplina para mente e para o corpo, ajuda a ter autocontrole das ações e traz paz e tranquilidade ao dia a dia.

6971_458291624233982_789685201_nA prática não está longe da realidade da Ufes. É ofertada logo ali, atrás do Restaurante Universitário (RU), bem à beira da lagoa, onde amigos e colegas se reúnem. O horário nada mais é que intimidador para uns e convidativo para outros: nove horas da manhã, clima ainda fresco, propício para a atividade. Não precisa se preocupar com roupas, equipamentos ou com o espaço. Tudo é simples, conforme prega a disciplina. Camisa confortável, calça ou bermuda larga, sem pulseiras ou qualquer apetrecho que possa atrapalhar a execução das posições. Para não ter problemas com formigas ou com a grama, um pano é necessário para forrar o chão. Os acomodados que preferem um ar-condicionado ou colchonetes saibam que não é preciso todas essas regalias para chegar ao nível elevado da prática, basta força e concentração para avança nos limites do corpo e do eu interior.

Ao comando do mestre, cada posição é feita conforme o som da sua voz. Os exercícios são executados de maneira gradativa, etapa após etapa, como se fosse uma montanha-russa: subidas difíceis e emocionantes, descidas calmas e prazerosas. “O Shiva, que praticamos, é apenas uma das modalidades do yoga. Nela, procuramos trabalhar de forma tradicional e completa. Por isso, nas aulas, procuro dividi-las em partes: respiração, meditação, energização e a parte de posições”, explica o professor Gerson Cavalcante – mais conhecido pelos seus alunos como Gerson “Ownn”. Formado no curso de História da Ufes, ele conta que a decisão de se dedicar à prática veio dos amigos. “Fiz o curso em dezembro em Outro Preto, Minas Gerais, com o Mestre Arnaldo Almeida, um dos fundadores do Shiva Yoga, pessoa de longa data, onde pude conhecer mais a fundo sobre essa disciplina”, explicou.

Um, dois, três, tchau mundo externo!

De um lado para o outro, crianças correm sem cessar. Pulos e mais pulos, como se fossem o último dia restante de suas vidas. Algumas param, observam as aulas, outras até tentam uma e outra posição.  Estudantes passam correndo de um lado para outro, carros buzinam, funcionários olham atentamente. “Essa localização da lagoa é muito apropriada para o yoga, uma vez que o meio ambiente enriquece a prática e faz bem para os pulmões. Além disso, o contato com o mundo externo é um dos maiores desafios. Você tem que saber se desligar do que o rodeia, e focar apenas em você. É recomendável a prática em lugares calmos, mas no meio do caos urbanos é perfeito para perceber até onde você se conhece, ” destaca o professor.

 Melhor idade, criança, homens e mulheres…sem restrições

428974_458291337567344_277869953_nA turma é divida: homens e mulheres na mesma proporção, todos com suas dificuldades. Pela esquerda, uma moça se apóia pela cabeça, na frente, um rapaz cai e não consegue finalizar o comando. À direita, o sucesso é geral, homens e mulheres chegam à posição final. Há aqueles que preferem aguardar e descansar, já que não chegaram nem na primeira parte da atividade. E é assim: obstáculo para uns, facilidade para outros. Gênero, raça e força são deixados de lado para medição de apenas uma certeza: o autoconhecimento. “Todo mundo pode praticar. O aluno é responsável pelos seus atos, livre para fazer qualquer coisa, desde que arque com as consequências. É importante que as pessoas venham em pelo menos uma seção para que possam compreender suas limitações e, assim, entenderem que o ser humano não está isolado apenas no corpo. Se o praticante for paciente e, principalmente, ter força de vontade, ele conseguirá evoluir aula após aula”, informou. Ele lembra que muitas mulheres reclamam por conta da menstruação. “Elas conseguem, assim como as gestantes, só que precisam de cuidados melhores”.

Benefícios

Abdômen, braços, pernas, coluna, pés, mãos, cabeça não são as únicas partes do corpo que ganham com a disciplina. Hábitos como concentração, autocontrole, autoconhecimento, paz e tranquilidade são os maiores bem feitos do yoga. Ainda não satisfeito? A filosofia também ajuda mudar alguns costumes: “harmonização com o meio e tomada de consciência são características acrescentadas gradativamente. Alimentação é um dos pontos vitais e marcantes. Você acaba mudando alguns hábitos alimentares, adotando refeições leves, como, por exemplo, o vegetarianismo. O consumo de carne vermelha pode ser reduzido com o tempo. Outra questão marcante é que a prática pranayana, que cuida principalmente da respiração, ajuda aquecer em dias frios”.

“Toda experiência é válida”

DSC02352Quatro meses foi o tempo suficiente para que a prática conquistasse Angélica Freitas. “Lia muito sobe o yoga, procurava informações a respeito, mas nunca tive a oportunidade de fazer um acompanhamento de perto. Foi, então, que um dia encontrei Gerson pela Ufes, e ele me convidou para fazer uma aula experimental”, disse. Angélica destacou ainda que após frequentar as aulas, a mudança foi rapidamente notada. “A diferença foi total em relação a todos os âmbitos da minha vida. Estou mais atenta no trabalho, na faculdade, uso o yoga para fazer quase todas as minhas tarefas.  É ter esse conhecimento de tudo que faço que quero evoluir cada vez mais”.

Ela ainda frisa sobre sua melhora física. “Antes de conhecer a disciplina, eu tinha alergia a quase tudo. A partir de então, nunca mais apareceu. Eu nunca fui fã de academia e de fazer exercícios repetitivos. Agora, meu corpo está sendo modelado naturalmente, sem forçar nenhum membro. Meu humor, minha alimentação e o meu ritmo de vida sentiram os efeitos da prática e, hoje, recomendo para todos. A experiência é válida porque você melhora sua postura. Você vai praticando e praticando e quando para para vê, os resultados são os melhores possíveis”.

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