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(Rayssa Santos e Daniely Borges)

Theatro Carlos Gomes lotado. Plateia na expectativa. Músicos atentos. Instrumentos perfeitamente afinados. O maestro sobe ao palco para comandar a orquestra com gestos firmes e confiantes. O público fica impressionado, o espetáculo começou.

O concerto encanta não apenas pela beleza, mas também pelos elementos que o compõem: o gestual do maestro, a postura dos músicos, o vestuário formal e o próprio ambiente do teatro. A percepção de seriedade e até mesmo formalidade sobre a música erudita, pode criar o esteriótipo de que as pessoas deste universo musical são muito fechadas e até sisudas.

No entanto, essa imagem é desconstruída em um bate-papo com o maestro Helder Trefzger que nos conta sua trajetória de vida pessoal e projetos para a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes). Com simplicidade, o maestro descarta o título de “senhor” e pede para ser chamado de apenas “você” durante a entrevista.

Foto Helder Trefzger 6Do interior do Mato Grosso do Sul, a família de Helder não tinha uma tradição de proximidade com a música clássica. O menino de apenas 10 anos começou a ter curiosidade e, ao mesmo tempo, “sentiu uma necessidade que não sabia explicar, mas queria muito estudar música erudita”. Naquela época a única forma de acesso aos clássicos era adquirindo um LP.

“Me lembro do primeiro disco que consegui comprar. Era com uma obra de Beethoven – Sinfonia n°6 ‘Pastoral’. Quando ouvi, pensei: bem vindo a um novo mundo.”

A partir daí, Helder encontrou sua vocação. Aprendeu a tocar vários instrumentos de sopro e violino. Participou da banda de música de Campo Grande (MS), onde ele diz “ter sido a sua grande escola”. Aos 16 anos, decidiu: “eu quero essa arte na minha vida. Quero ser músico. Foi um choque para a família.” Mesmo sem estímulo, ele correu atrás do sonho. Iniciou seus estudos em Música-Regência na Universidade de Brasília (UnB) e concluiu na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Vinte anos de dedicação: crescendo junto com a Ofes

A paixão pela música proporcionou ao maestro uma busca incessante pelo conhecimento. Ele se especializou em cursos no exterior, aprofundando-se cada vez mais no universo musical. Voltando ao Brasil, fixou-se há 20 anos no Espírito Santo. Sua trajetória no estado se confunde com a história da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes).

Desde então, como maestro titular da orquestra, ele passou por momentos difíceis, mas contou com o reconhecimento do público e ajuda de alguns amigos que sempre apoiaram o trabalho da Ofes. Nesse contexto, surgiu a Fundação Amigos da Orquestra que apoiou financeiramente os músicos durante alguns anos.

Maestro Helder

Maestro Helder

Atualmente, a Ofes conta com o apoio maior da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e de uma grande rede de comunicação do estado. Com esse aparato, a orquestra tem crescido no cenário nacional e encantado os capixabas. Um exemplo disso são as apresentações acessíveis realizadas com as temporadas de Quartas Clássicas e Concertos Sinfônicos, às quintas-feiras.

Para ele, o capixaba está amadurecendo e apreciando mais os clássicos. “O nosso público está muito bacana. É participativo, educado e gosta dos concertos.” Helder destaca que compartilhar música com as pessoas é um prazer. “Minha satisfação é receber, ao final das apresentações, os aplausos da plateia. As pessoas nos procuram para elogiar, mandam emails, fazem parte do nosso trabalho. São como integrantes da nossa família.”

“Minhas metas pessoais estão muito atreladas às metas da orquestra”.

Sobre o futuro, o maestro é otimista e destaca que um de seus objetivos é  concretizar o crescimento da Ofes. “Ao invés de procurar uma grande orquestra fora, quero ter uma grande orquestra aqui”. Isso já está acontecendo. Hoje, músicos de outros estados vêm para o Espírito Santo trabalhar porque veem a  a qualidade da nossa orquestra.  O reconhecimento parte não só do público e dos musicistas, mas também de publicações especializadas da área que tem dado destaque à Ofes no cenário nacional”, comenta. 

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