Share Button

(Daniely Borges e Rayssa Santos)

Entrevista com o diretor da Fames, Edilson Barboza

Edilson

Diretor Edilson Barboza discursando

Como diretor da Fames, quais as impressões que o senhor tem sobre o cenário da Música Clássica no Espírito Santo?

É um cenário em crescimento em função de diversas iniciativas, tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Já a Fames, vem se posicionando de maneira a ampliar a oferta de mão de obra para atender a essas demandas.

No seu ponto de vista, qual é a receptividade de pessoas não ligadas ao universo musical a uma obra clássica? O primeiro contato é bom?

A princípio as pessoas são um pouco resistentes à música clássica, mas isso costuma ser derrubado logo ao primeiro contato. Como exemplo, posso citar uma parceria feita entre a Fames e a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), que realiza há pelo menos três anos uma série de concertos didáticos para alunos da rede de pública de ensino. Nesses concertos, os alunos têm contato direto com a música clássica, e os músicos despertam a curiosidade dos alunos a respeito das obras executadas durante a apresentação. Não é uma unanimidade, mas posso afirmar que a grande maioria do público sai da sala de concerto encantado com o que vê.

Como anda a demanda no Estado pelo conhecimento sobre a música erudita? As pessoas estão se interessando mais pelo assunto?

O trabalho de formação de plateia é demorado, porém já percebemos que o público capixaba está cada vez mais interessado em nossas apresentações e serviços educacionais. Hoje, podemos notar o crescente número de espectadores em nossos concertos e recitais e de alunos matriculados em nossos cursos.

No ano passado, a Fames realizou algumas parcerias com o Museu de Arte do Espírito Santo (Maes) e o público pôde apreciar a arte de uma forma mais ampla. O projeto será reativado? Na sua opinião, qual é a importância de levar a música para além do espaço da Faculdade?

Sim. Em 2013 a Fames realizará novamente o projeto com o Museu de Arte do Espírito Santo (Maes), contudo, serão menos datas. Sendo uma no primeiro semestre, no mês de maio, e três no segundo semestre, nos meses de julho, setembro e outubro. O objetivo do projeto é levar a música para fora das fronteiras da Fames, pois é uma oportunidade para os nossos alunos e professores apresentarem os seus trabalhos, além de oferecer à comunidade, música de qualidade.

Qual a sua perspectiva sobre o desenvolvimento da Fames para os próximos anos?

Conseguir aumentar o número de estudantes em nossa sede e projetos nos quais estamos diretamente envolvidos, sem perder a excelência que é uma marca registrada de quem passa por nossa instituição.

Como é ser diretor da única faculdade específica de música do estado? Quais as responsabilidades?

É um grande desafio. Todo gestor tem três grandes responsabilidades ao assumir qualquer cargo de direção na administração pública. Primeiro: apresentar resultados. Não pode demorar para mostrar a que veio, precisa ter visão de curto, médio e longo prazo. Segundo: Deve deixar um legado. A instituição não pode ser a mesma que encontrou. É preciso ter visão prospectiva de qual a imagem que pretende deixar quando sair. No caso da Fames, queremos que ela tenha pertinência social. Terceiro: administrar interesses. No dia-a-dia é comum as pessoas confundirem seus interesses pessoais com os da instituição. Isso tem que estar bem definido e cabe ao gestor deixar claro que os interesses institucionais devem estar acima de quaisquer outros.

Embora seja uma faculdade de música, a Fames oferece cursos de extensão que vão além do bacharelado e licenciatura, tais como: Curso de Formação Musical, Iniciação Musical e até Musicografia Braile. Qual é o papel da Fames para a contribuição da formação da sociedade?

A Fames está em permanente processo de evolução. É uma Instituição educacional sociocultural que cuida da parte artística essencial para a sociedade: a elaboração e ampliação do conhecimento musical, patrimônio de uma cultura, e a disseminação desse conhecimento. A Fames assumiu compromisso permanente com a sociedade. Sempre a serviço desta que a mantém e buscando soluções para atender às suas necessidades culturais e sociais, sem, entretanto, perder o caráter da universalidade do conhecimento, firmando-se como uma instituição de ideais nobres, quanto à disseminação da cultura musical, à construção da cidadania e à sensibilização para a arte.

Existe um projeto de Editora da própria Fames? Como ele anda? Há previsão para produção de materiais e obras sobre a música clássica?

No ano de 2012, a Fames se lançou como editora, e conseguiu produzir dois livros escritos por professores da faculdade, além de duas revistas científicas. Isso marca uma  nova etapa na história da instituição que se abre para editoração de livros com foco acadêmico que tratem de temas de seu interesse como música, arte e cultura. No início de 2013, a Fames lançou mais quatro livros, e planeja até o fim deste ano lançar mais seis livros e duas revistas científicas. A temática das obras ainda estão sendo analisadas.

Qual a sua opinião sobre os concertos das Quartas Clássicas da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes)? Existe uma parceria entre a Fames e a Orquestra?

Considero importante popularizar a música clássica para a formação de público, e isso no caso das Quartas Clássicas com a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes) se torna mais fácil, visto que a Ofes tem seu calendário de apresentações divulgado sempre no início do ano, o que possibilita as pessoas se programarem. Com relação a uma parceria entre a Fames e a Ofes, não existe nada efetivo, mas boa parte dos músicos da Ofes são de alunos ou professores da Fames.

Share Button

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *