Edu Martins: entre o erudito e o popular está a paixão pela música

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(Rayssa Santos e Daniely Borges)

Edu Martins: inspirado no cotidiano
Edu Martins: inspirado no cotidiano
(Na foto acima, Edu é o primeiro à esquerda)

Edu Martins é uma dessas pessoas que mesmo ao acabarmos de conhecer, nos deixa tão à vontade que até parece um amigo de longa data. Com tanta simpatia e simplicidade, o homem que se autodenomina “um bicho do mato”, quase nos enganaria se não conhecêssemos a riqueza de suas composições e o seu sucesso na música.

Natural de Colatina, Eduardo Cézar Martins Ribeiro, ou Edu Martins como gosta de ser chamado, tem uma ligação tão íntima com a música, que qualquer coisa cotidiana é suficiente para inspirar suas obras. Certa vez criou uma música a partir de uma discussão entre um nordestino e outro sujeito. Como os dois não chegavam a um consenso, o nordestino disse ao outro indignado: “Tolinho!”. Pronto, foi o suficiente para Edu criar o choro “Tolinho”, uma de suas 150 composições, que será lançada em um álbum nesta semana de fevereiro. Edu também encontra inspiração no carinho e cuidado por sua filha. Motivado por esse amor, ele compôs uma música especialmente para a sua pequena Sofia.

A todo instante ele gosta de falar sobre sua matéria-prima, profissão e paixão – a música. Edu teve suas primeiras aulas de piano erudito com a sua mãe Alba Martins, mas ele não gostava muito de estudar o tal do piano clássico. Afinal de contas era apenas um menino de oito anos. Tempos depois, porém, Edu viu que havia nascido para a música e começou a lecionar, seguindo o passo da mãe.

SOFIA

Edu observou, no entanto, que os seus alunos iniciantes não estavam muito satisfeitos em estudar sempre as mesmas lições de piano erudito de compositores como Leila Fletcher, Czerny e até mesmo do consagrado J.S.Bach.  O músico percebeu que os estudantes precisavam de um material diferente, com mais liberdade melódica e rítmica. Resolveu se arriscar a compor pequenos trechos musicais, que, mais tarde, passaria para seus alunos.

Desde então, Edu só amadureceu suas composições. Ele não se limita. É um músico universal. Tocando jazz e blues e com formação de música erudita, ele gosta de valorizar as raízes brasileiras. Por isso, tem tanto apreço pelo choro, samba, bossa nova, maxixe, frevo e tango brasileiro. Realizado, ele conta que sua carreira deslanchou no Rio de Janeiro, onde viveu por oito anos. Chegou a tocar para políticos e artistas da televisão, como Aécio Neves, Hebe Camargo e Luciano Huck.

Nas lembranças que traz do Rio, mostra sua forma de superar os momentos de saudade. Ele ressalta que saía da Cândido Mendes e ganhava a Lapa, que fervia de música. Seu lugar preferido era o Beco do Rato. Às segundas-feiras, o Beco era o local onde musicistas se reuniam para tocar, pelo simples prazer de fazer música, sem nenhum contratante ou cachê. E nesse prazer tudo virava motivo para compor uma peça, seja a imagem bonita que a luz do poste produz na noite, a cerveja gelada que desce bem na garganta ou o próprio Beco do Rato.

Mesmo feliz com o trabalho no Rio, Edu voltou para Vitória há dois anos, e garante que está satisfeito em poder contribuir para o cenário musical capixaba. Cada composição para ele é como um filho, e ninguém confia seus filhos a qualquer um. Aqui, em Vitória, Edu viu que só podia entregar sua obra a alguém de confiança como o “nobre amigo” e “grande músico” Alexandre Araújo.

Edu Martins e Alexandre Araújo: amigos de fé
Edu Martins e Alexandre Araújo: amigos de fé

Edu faz questão de citar Alexandre em sua carreira, pois este participou da organização e editoração de suas 150 composições. O resultado é a coletânea Oficina de Choro da Fames apresenta Edu Martins” , produzida pelo amigo. O livro será lançado nesta segunda-feira (04/02/2013), às 20 horas, no Auditório Alceu Camargo, na Faculdade de Música.

A publicação apresenta150 composições com breves históricos sobre grandes compositores da música brasileira. As peças são para diversos instrumentos como piano, trompete, flauta, gaita e outros.

Sobre o trabalho dos músicos no estado, Edu conta que há 20 anos era muito difícil a divulgação de shows e recitais. Hoje, ele celebra as redes sociais, pois com alguns cliques, seu trabalho já está na rede para todos. O compositor quer, em breve, disponibilizar o material para download, afinal “é super legal ver alguém tocando a sua música”, comenta satisfeito.

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