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(Lívia Corbellari)

“Repetir, repetir, até ficar diferente”, já dizia o poeta Manoel de Barros, e a jovem escritora e jornalista Aline Dias seguiu a risca este conselho. Seu primeiro livro publicado, Vermelho, saiu em 2012, mas começou a ser escrito em 2007. A história, que nasceu quase pronta, foi sugestão de um amigo e foi finalizada em poucos meses. Desde então, Aline se dedicou a revisá-la e a editá-la, “reescrevi Vermelho tantas vezes que deve ser um texto diferente do que escrevi em 2007”.

A publicação é mais uma realização da editora capixaba Cousa. A autora conta que o contato com a editora surgiu de uma conversa com o editor e escritor Saulo Ribeiro no boêmio bar Cochicho, em Jardim da Penha. Sendo a literatura o assunto preferido, Aline acabou enviando seu texto ao editor em busca de uma opinião. Apesar da resposta positiva, na época não havia dinheiro para a publicação. Após ganhar o edital do Rede Cultura Jovem em 2011, o problema foi resolvido já que parte do dinheiro foi usado para a publicação e outra veio do bolso da escritora.

Com uma narrativa de ritmo ofegante, Aline compõe sua novela de erotismo, melancolia e sensibilidade. O protagonista é o ghost-writer Giordano, um homem frustrado e solitário, que foi expulso da universidade por suspeita de comunismo. Ele acaba se apaixonando pela editora para quem trabalha, mas se envolve com a filha dela e com mais outras mulheres. Além disso, ele vive entre pesadelos com a esfinge e o desejo de terminar o primeiro livro assinado com seu próprio nome.

Aline (1)Vermelho é tudo isso, significa sangue, paixão, comunismo, guerra”, esclarece a escritora. A velocidade dos capítulos requer uma leitura rápida, isso se explica pelo formato, que teve sua primeira publicação online: o folhetim. “Acho mais fácil prender o leitor quando se tem um gancho de um capítulo para o outro”, explica Aline, que já possui certa experiência com prosa longa. Sua primeira aproximação com a literatura foi com as fanfictions, aos 14 anos.

Hoje, com 23 anos, a cachoeirense cultiva o hábito de escrever diariamente e mantém o blog Gota D’Água. Com dois editais no currículo, o Rede Cultura Jovem e o do radioconto Embaixo da Rua Coragem, mais o Prêmio Ufes de Literatura, Aline conta que a paixão pela ficção vem desde criança, quando brincava de inventar histórias com a irmã. Entretanto, só elevou a literatura a ofício depois de alguns conselhos do professor Francisco Grijó, que a incentivou a não deixar a escrita de lado.

“Sempre foi muito divertido escrever. Eu entro em transe. Mas um livro parecia uma coisa muito distante ainda. Sempre tive muito medo de ser tudo uma porcaria. Eu levo papel muito a sério”, declara exigente.

Serviço

Adquira o livro Vermelho na Like Store da Editora Cousa

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