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(Rebeca Santos)

Não fossem as origens diferentes, ele até poderia ser comparado ao jovem estilista Pedro Lourenço, filho de Reinaldo Lourenço e Glória Coelho, que, aos 20 anos, alcançou as passarelas internacionais da moda. Leonardo Alves nasceu numa família de classe média que não pode suprir todas as condições para publicar seus trabalhos e financiar suas pesquisas.

Natural de Muqui, sul do ES, ele já lançou seu segundo livro no mês de abril, homônimo ao documentário “O palhaço menino – histórias de quem, desde pequeno, sonha e vive as Folias de Reis”. A primeira obra, “A Herança”, foi lançada ano passado, e rendeu o filme com o mesmo nome, também estreado em 2011. Ainda com pouquíssimos recursos, contava com os amigos da terra natal: “Lembro que, quando iniciamos a gravação de “A Herança”, as pessoas estranhavam: a gente fazia uma mega produção. Figurinos com o rigor da época, locações… E quando a gente ia gravar, surpresa! Uma câmera quase que do tamanho de um celular…”,lembra.

Tão novo, ele pode ser considerado um exemplo da nova geração de jovens, a chamada geração Y, que faz de tudo e produz muita coisa. Ele mesmo descreve: “Não conseguiria ficar parado, fazendo apenas uma faculdade e vivendo a vida normalmente. Há algo muito maior dentro de mim que pede para eu fazer as coisas. É uma necessidade, como a fome e a sede”, comenta. Leonardo Alves acumula entre as funções principais um curso de Jornalismo, a carreira de escritor, iniciada aos 14 anos, além de ser diretor e roteirista de seus próprios filmes. Como se não bastasse, já tem um tema de TCC prontinho na cabeça, mesmo estando no 5º período, e ainda se divide entre as cidades de Mariana, onde estuda, e Muqui, local onde a família e a namorada o esperam para descansar.

De onde vem a inspiração

Muqui guarda uma grande riqueza histórica do Espírito Santo, e também é a fonte de inspiração de Léo – como é chamado pelos amigos. É também a cidade cenográfica, palco da vida real de pessoas que são, na verdade, personagens. É tanto amor por sua terra que ele conseguiu, em conversas com Aguinaldo Silva, que Muqui tivesse visibilidade nacional por meio da novela “Fina Estampa”. “Falo tanto do meu município para as pessoas que, em encontros com o Aguinaldo Silva, falei das histórias. O autor, interessado, acabou citando Muqui em duas cenas da novela Fina Estampa. Foi um frisson em na cidade. E é mágico quando você percebe o poder que um roteirista tem nas mãos. Sou fascinado por isso”, explica o estudante.

Das dificuldades que enfrentou até conseguir produzir e lançar suas obras, o trajeto não foi simples e fácil. O primeiro obstáculo foi residir no interior. “As cidades do interior ainda têm um “quê” de ruralismo e, em certos momentos da vida, pensei estar vivendo no período feudal. Existe claramente uma elite, que tenta se manter acima dos outros e ignora o seu talento. (…) Posso afirmar, seguramente, que a cultura capixaba não tem o tratamento adequado.”, frisa o roteirista. Ele ainda arrisca: “O interior do ES tem uma defasagem muito grande quanto ao acesso a Vitória e à cultura dita como do Estado. Li artigos sobre o assunto e, hoje, posso assumir que sou muquiense, mas capixaba ou espírito-santense… já não sei!”.  

O palhaço menino

Para produzir seu último projeto, sobre folias de reis, Leonardo conseguiu uma viagem para Portugal. Lá, passou por mais dificuldades. “Enfrentamos muitos problemas na pré-produção. Nós mesmos é que procuramos pessoas por lá, entrevistas, contatos, grupos. Foi uma pesquisa e tanto. Confesso que, às vezes, dava vontade de desistir. Foi uma luta, que rendeu muitos frutos”, conta o escritor, que descreve melhor suas aventuras no livro de mesmo nome.

Para quem acredita que tem tanto potencial e pode ser diferente, Leonardo dá a dica: “Vejo uma infinidade de adolescentes de 13 e 14 anos que vêm mostrar seus livros, seus feitos… é um orgulho pra mim. Eu tento mostrar que tudo é possível e digo: não desistam! Os sonhos requerem disciplina.”, ensina. 

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